sábado, 30 de maio de 2009

Burlesconi!

O paladino italiano da moral e dos bons costumes...

A Senhora e o "Chip do Terror"


Tenham medo! Tenham muiiiiiitooooo medo!
A senhora aproveitou mais um fim de semana sem quaisquer propostas de Governo para assustar mais uma vez os portugueses recorrendo à tentativa de analogia primária entre a matrícula electrónica e uma mentalidade "Big Brother".
É absolutamente lamentável que a espécie de vazio cerebral em que a senhora parece viver (cartoon de António) recorra ainda e mais uma vez ao medo, uma característica que parece partilhar com todos os ditadores e aspirantes a ditadores incluíndo o "Botas", também conhecido por Salazar.
Melhor serviço teria a senhora feito se em vez da tentativa de instilação do medo tivesse explicado aos portugueses porque é que o nosso presidente não vetou aquilo que parece ser uma mera negociata a favor de uma empresa praticamente monopolista em Portugal.
Porque é que o presidente, com aquele inigualável jeito para dizer o que "pertence", se terá ficado "pelas dúvidas"....
O que está em questão não será tanto uma deriva securitária para o totalitarismo - se bem que se a direita fosse ao menos fiél a ela própria haveria de reconhecer que a segurança básica dos portugueses e o trabalho das forças policiais poderá melhorar com a introdução do dispositivo de matrícula electrónica, se devidamente utilizado - mas mais uma possível cena de opereta de um certo corporativismo.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Debater a Europa

Alguns (se não todos) os partidos políticos devem entender que os portugueses são apenas uma espécie de americanos mais espertos, mas ainda assim muito burros.

Digo isto porque a poucos dias de eleições para o Parlamento Europeu o debate sobre a Europa... quase não existe, ou é tão pueril que mete dó.

O que eu gostava de se ver debatido:

- Deve a Europa caminhar ou não para uma Federação?
- Qual a melhor forma para o alcançar?
- Como aproximar a Europa das pessoas?
- Como fazer diminuir a crescente Eurocracia que grassa em Bruxelas?
- Por que temas se batem cada uma das principais famílias políticas no PE?
- Deve ou não o Presidente da Comissão passar a ser eleito por sufrágio universal a 27?
- A PAC é para manter como está?
- Qual a política e os instrumentos para uma consequente Defesa comum?
- Em que sentido pode evoluir a pasta dos Negócios Estrangeiros da União?
- Quanto mais temos de esperar para uma efectiva união política?
- Queremos dimimuir a Europa Social, ou ampliá-la? O que pensa sobre isso Barroso?
- Irá a Europa, na defesa do interesse dos seus cidadãos, bater-se por uma globalização ética?
- Irá a Europa no sentido das 65 horas para que possamos competir com a "escravidão" Chinesa?
- Em que pode entender-se a Europa com os EUA, na defesa dos valores democráticos no mundo?
- Deve a Europa afirmar-se como espaço social e ético único, ou deve ceder à "real politik", aos interesses de circunstância?

- Depois da derrota burocrática da Agenda de Lisboa, que medidas pragmáticas deve desenvolver a Europa para promover a Ciência, a Cultura, as Artes e a Inovação?

O que será que pensam destas matérias os nossos candidatos ao "El Dorado" de Bruxelas?

Muito pouco pelo que se vê. Frases como "pelo interesse nacional eu assino por baixo", apenas revelam a habitual vontade de passar uma imagem de um pseudo-patriotismo sem qualquer conteúdo prático.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A Sexta Coluna

Um texto de Leonel Moura:

"Concebida inicialmente para servir os militares, a Internet, tal como a conhecemos, emergiu à margem de todos os poderes. O poder político não se apercebeu que nascia um novo meio de comunicação, que pela sua natureza, rizomática, depressa se tornaria incontrolável.

O poder económico levou muito tempo a entender "como se podia ganhar dinheiro com aquilo" e deixou que a net se desenvolvesse numa lógica não comercial. Intelectuais, académicos, gente da cultura começaram por a rejeitar e depreciar em nome da arrogância habitual de quem se considera ser o guardião do saber. Para mais, ninguém, de tanto pensador e especialista que ocupa telejornais e a nossa paciência, foi capaz de antever a importância da rede.

Assim, graças a esse desinteresse geral, foi possível montar a Internet segundo um modelo absolutamente inovador na longa história da sociedade humana: o da liberdade. De tal maneira que até hoje continua a não existir nada tão livre como a Internet.

Tivesse ela sido criada por governos e assentaria num vasto pacote de leis restritivas, com imensos mecanismos de censura e bloqueio, policiamento, limites territoriais, bilhete de identidade, enfim, o habitual. Mas como os poderes demoram sempre muito tempo a reagir ao realmente novo, a teia foi alastrando, ultrapassando preconceitos e fronteiras - chegando mesmo àqueles lugares inóspitos onde ainda mandam ditaduras e totalitarismos - ligando pessoas e cérebros na sua criatividade e plena expressão livre. Hoje a net constitui um gigantesco organismo vivo, uma nova entidade planetária que representa um novo estádio da civilização humana.

Contudo, a partir do momento em que a Internet se tornou uma realidade incontornável logo surgiram em força os seus inimigos. Na primeira linha os homens de negócios. Incapazes de perceber o potencial de um cérebro em rede, sempre a encararam, até hoje, como uma mera traficância de venda a retalho. Muito poucos passaram da mercearia dos acessos.

Logo a seguir todos aqueles, e são muitos, os que odeiam a liberdade. Não há dia que não se tente demolir a net jogando com o sujo argumento do medo. Perigos, fraudes, spam, pedofilia, pornografia, desvio das crianças, arma perversa dos adultos, terrorismo, insegurança, pirataria, vírus, tudo serve para tentar reduzir a Internet a mais um canal de televisão. Ou seja, um meio de comunicação alienante, dominado pelos interesses privados, controlado pelos poderes políticos, de liberdade condicionada.

Ainda recentemente o Parlamento Europeu tentou impor uma directiva que para além da introdução da censura - sob o pretexto da defesa dos direitos dos autores - pretendia conceder aos fornecedores de serviços a possibilidade de limitar o acesso a determinados sites. Ou seja, passaríamos a ter de comprar pacotes de sites, um pouco como hoje se compram pacotes de canais de TV. Isto, que significaria o fim da Internet, felizmente não passou. Mas eles voltarão à carga.

A questão não é moral nem ideológica. A Internet revelou ser um poderoso meio de evolução positiva das sociedades e dos indivíduos. Precisamente por ser extremamente livre, permite a expressão de múltiplas e muito diversas ideias, más e boas naturalmente, mas que no seu conjunto geram uma dinâmica de criatividade única na história. Por outro lado, tendo-se tornado na grande enciclopédia que reúne praticamente todo o saber acumulado pela humanidade, assim como lugar de divulgação por excelência do novo saber que vai emergindo, representa um poderoso acelerador de conhecimento, inovação e desenvolvimento tecnológico. E, por fim, a sua grande abertura e interconectividade permitiu gerar novas redes de relacionamento social, aproximar pessoas, fomentar a cooperação, gerar novas solidariedades.

Pretender introduzir mecanismos de censura e impor limitações, não é por isso só um atentado às liberdades, é sobretudo uma perfeita estupidez que só pode levar a sociedade a regredir.

Manter a Internet livre não é uma simples reivindicação de cibernautas. É a mais importante batalha que se trava actualmente em prole do avanço civilizacional. "

(In)justiças

É de lamentar que o Governo ainda não tenha tirado as devidas ilações sobre as mal sucedidas alterações ao código penal. Não só a criminalidade e a impunidade aumentaram - todos os portugueses o sentem, apesar das estatísticas - como os meios de investigação para a criminalidade mais complexa foram severamente amputados.

Eis um verdadeiro problema que alguma oposição deveria estudar mais a sério.

Outro problema importante diz respeito à assimetria de condições que enfrentam as pequenas empresas face às maiores: o Estado deveria ser mais complacente com todas as micro e pequenas empresas, sobretudo no período que atravessamos.

Não basta que se possa abrir uma empresa na hora, se o Estado se apressa a ligar logo o seu taxímetro implacável. Numa economia tão pequena e tão pouco diversificada como o é a nossa, era fundamental que se incentivassem coerentemente todos os arranques de actividade, toda a iniciativa privada de pequena dimensão.

O país bem disso precisa, mas essa liberdade - sabe-o bem que tenha pequenos negócios - ainda não chegou ao nosso país.

É mais um assunto onde seria de esperar mais afinco das oposições responsáveis e conscientes da realidade.

A Auto-Europa e os Tiranossauros Rex


O senhor Francisco Van Zeller afirmava há dias acerca dos desenvolvimentos recentes na Auto-Europa que “trata-se de centenas e centenas de trabalhadores que acabam de ficar sem trabalho porque alguns querem ser pagos com algumas percentagens e ao sábado”.
Ora aquilo que a VW está a fazer na Auto-Europa, já desde há alguns anos, parece ser lançar periodicamente o espectro do fecho, na esperança de redução do seu pessoal de forma mais contida e incremento da produtividade do pessoal remanescente à custa de laboração mais prolongada.
É preferível aumentar a rentabilidade de uma unidade industrial do que optar pelo seu fecho efectivo, claro. Para mais, pode aceitar-se que isso suceda numa indústria onde a produtividade está gerida ao máximo da eficiência, o que anda muito longe de ser o caso da maioria da indústria nacional.
No entanto, parece-me, o verdadeiro objectivo da VW não se prende apenas como uma necessidade de gestão de curto prazo, antes com medidas de sustentabilidade para conviver com um período de carência de procura que não se adivinha ser curto.
Dito isto, nunca pode ser simpático, nem aceite de bom grado, trabalhar-se "à borla", como o senhor van Zeller pretende que se aceite. Será um mal necessário, talvez, mas daí a aceitar-se como solução inevitável, vai uma grande distância.
O senhor van Zeller não quer que o Governo intervenha. É claro que não. Mas ele, o senhor van Zeller, já pode intervir... E porquê?
Porque a parte medíocre da indústria portuguesa espera tirar do precedente da Auto-Europa os devidos dividendos. Visão? Preparação para o futuro? Nada. Puro situacionismo de curto prazo, típico açoite e castigo, enfim, a solução mais fácil (desde que seja a VW a tomá-la primeiro...).
Atente-se na falta de consciência das declarações do senhor van Zeller: “Em tempos bons tudo funciona bem. A produtividade é muito alta. A qualidade é elevadíssima o que faz com que aquela fábrica seja uma jóia no grupo VW. Se perdem esta característica passam a ser uma fábrica vulgar. E como fábrica vulgar representa 1,3% das vendas da VW. Apaga-se com uma borracha”.
Pode ser que o senhor van Zeller tenha sido promovido a consultor da VW, não se sabe...
O que ficamos a perceber das suas palavras parece ser que, em tempos de vacas gordas, é preciso açoitar-se os mesmos, a bem dos lucros, e em tempos de vacas magras, também é preciso açoitá-los, a bem da sobrevivência.
Eis a versão incontida, da noção de responsabilidade social do senhor van Zeller: a vidinha das pessoas que trabalham nalgumas empresas deve ser considerada tão frágil que a possamos apagar com uma simples "borracha"...
Mas há mais: “não há direito de uma Comissão de Trabalhadores fazer ajoelhar uma empresa só porque quer sábados”. Claro que não senhor van Zeller, mas já há direito a ofender a dignidade de quem trabalha com esse tipo de afirmações fora de tom? Que ajoelhem sempre os mesmos, e de preferência da forma mais humilhante?
Ao insultar e velipendiar a dignidade pessoal e profissional de milhares de colaboradores da VW - varrendo de uma assentada preguiçosos e aplicados, competentes e incompetentes, todos pela mesma fivela - o senhor van Zeller só deita gasolina numa perigosa fogueira. A VW não lhe agradecerá.
Enfim, é a sensibilidade do costume, mas para pior. Meu caro amigo, os tempos já não são os seus. Não parece que o futuro passe por si.

sábado, 23 de maio de 2009

O veto e a falta de debate sobre regras anti-concentração dos media

Sendo que também concordo que uma lei que incentive a pluralidade é muito necessária e um garante importante para a democracia (embora não necessariamente esta lei proposta, que conheço mal), acho estranho o segundo veto presidencial.

Já desde os anos 50 que existem nos EUA leis que previnem contra a possibilidade de concentração exagerada dos meios de comunicação social, que com esse fenómeno perdem isenção, profundidade de investigação e ganham uma notável tendência à instrumentalização de opiniões.

Por isso seria bem necessária, para o presente mas sobretudo para o futuro, uma lei apropriada em Portugal.

Contudo, ninguém o discute seriamente, repetidamente, sobretudo nos meios de comunicação social.


Porque será? Talvez o presidente saiba.

Marinho Pinto 2 - Manuela 0

Que grande derby!

Marinho Pinto, sem papas na língua e dizendo frontalmente coisas que muita gente sente mas cada vez menos gente diz surpreende Manuela, estupefacta e apanhada pelo seu próprio jogo por uma vez...

A campanha milionária do PSD-V

É curioso ver alguns "sociais-democratas" tão consumidos pela obcessão de fazer passar uma imagem de rigor, austeridade, castidade até, para depois constatarmos que, sem qualquer pejo, se preparam para gastar praticamente o dobro de qualquer outro partido em campanha.

Mais de dois milhões de Euros.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Aproximações ao PSD de Sá Carneiro

Uma parte interessante de um artigo de Carlos Santos no blogue do Público:

"Sá Carneiro não era de todo alguém que quisesse caminhar para o Marxismo, isso, como disse, é uma contingência revolucionária. Mas era claramente um Social Democrata. A sua inspiração estava no SPD germânico, e em Helmudt Shcmidt. O PSD foi formado com uma concepção de partido republicano e laico. O laicismo é aqui entendido como concepção que advoga a separação entre o Estado e as comunidades religiosas, e a neutralidade do Estado em matéria religiosa. O seu carácter republicano é explicado pelas suas raízes no Porto. Entre os seus dirigentes o PSD manteve republicanos históricos, e o que ficou conhecida por uma costela maçónica moderada. A sua primeira sede, curiosamente, foi no Grande Oriente Lusitano.Importa aqui fazer a clarificação mais importante. O que é a Social Democracia? Ou, dito de outra forma, o que demarcava o campo de Sá Carneiro, em termos ideológicos? De uma forma sintética e simplificada, é uma corrente de pensamento político que nasce no século XIX a partir do marxismo, advogando contudo a reforma progressiva (em lugar da revolução), pela via legislativa, do sistema capitalista no sentido de o tornar mais igualitário.A Internacional Socialista define social democracia a partir de três pilares para a construção de um Estado Social no quadro de uma democracia liberal, parlamentar e representativa. O primeiro destes pilares é precisamente aa ampliação do conceito de liberdade para além da esfera individual. Implícito está o reconhecimento de que livre iniciativa, e a propriedade privada dos meios de produção - que são reconhecidas - podem resultar em limitações de outras liberdades. Por isso, pela negativa, define-se a não submissão a aos legítimos proprietários desses meios, a não discriminação e a não opressão por formas de poder político. Na prática, a liberdade na social democracia não é confundível com um qualquer conceito de neoliberalismo ou de liberalismo social. Respeitando o direito à propriedade privada e à livre iniciativa económica, vai estabelecer fronteiras que estas não podem ultrapassar designdamente subjugando o que numa linguagem mais marxista se chamaria de força de trabalho.Em segundo lugar, a social democracia compreende no seu ideário a igualdade de oportunidades para todos, mesmo numa óptica de justiça social, isto é, corrigindo situações de partida desiguais, sejam físicas, mentais, ou no campo que nos interessa, económicas e sociais."

Os problemas vistos da perspectiva do Martelo

Para os que pensam como um martelo, todos os problemas parecem um prego.

A analogia não é minha.

A professora... e as orgias

Os nossos media levam tudo para a brincadeira. O que me pareceu grave, muito grave, quando ouvi a gravação da professora que alegadamente discorreu sobre orgias em plena sala de aula não foi apenas o carácter sexual das observações.

Foi tê-las feito com carácter dirigido (a uma aluna em frente de toda a turma e sem o mínimo de respeito). Pior: a professora ameaçou veladamente a turma, e enxovalhou publicamente a mãe da aluna por ser menos letrada do que ela.

Isto só video.

A Senhora virou Benny Hill

À medida que nos vamos aproximando das eleições, surge sempre, em todos os campos políticos, uma séria tendência para a parvoíce.

Embora haja tendências marcadamente mais parvas do que outras.

Nos seus comentários mais recentes, a senhora decidiu brindar-nos com o seguinte vaticínio bem disposto e cheio de ânimo (como de costume): "se o país fosse uma empresa estaria falido". Mais uma pérola!... Ó minha senhora, mas já olhou para as contas dos países neoliberais que tanto defende, ou defendeu? Estão nas lonas, minha senhora!

Para além disso minha senhora, e pela enésima vez: nem o país é uma empresa, nem a gente quer que o seja (pois é minha senhora, era quase assim no tempo do Salazar...).

Concorda-se claramente com a senhora quando diz que o Estado, em vez de se endividar ainda mais para sustentar linhas de crédito para as pequenas e médias empresas - embora não seja por aí que o gato vai ao leite... - deveria simplesmente pagar o que lhes deve mais cedo.

E no entanto, logo a seguir, a senhora diz que o que temos é um problema de (sic) "excesso de procura" (uma teoria digna dos prémios igNobel). Continua a senhora que, como temos "excesso de procura" e a oferta nacional não chega, temos de importar muita coisa, o que agrava as contas nacionais.

Mesmo ultrapassando com muito boa vontade essa absoluta mentira do "excesso de procura", lanço aqui um quizz. Devemos deduzir do raciocínio da senhora que:

a) Com a senhora no poder, ninguém mais poderá andar de automóvel a não ser que tenha sido cá produzido (os sovietes também pensavam assim)

b) Vamos regressar ao proteccionismo (e o Greenspan não a vai perdoar)

c) Vamos regressar ao condicionamento industrial do professor Oliveira Salazar

d) A senhora afinal até é cómica e decidiu gozar com a malta (era para contar a verdade, mas ficou para uma próxima: o país não pode viver sem importações)

e) A senhora é perita em alimentar espirais destrutivas na economia nacional (do tipo "tenham medo, tenham muiiitoooo medo, uh uh uh ah ah ah")

Das duas uma, ou esse "excesso de procura" é um falar para não estar calada, ou então é mais uma igNobel "verdade" da mentira que passou a integrar no discurso.


sábado, 16 de maio de 2009

A Entrevista Português Suave, II

Ontem a senhora esteve melhor, há que reconhecer (fazendo um esforço enorme!).

Apresentou-se de permanente, madeixas alouradas, e uma quantidade considerável de base na cara. Envergava, pela primeira vez que me recorde uma cor menos triste, um casaquinho azul, a tapar uma descontraída camisa branca meio aberta que tentava a colagem a um certo estilo blasé (que ela definitivamente não tem).


Enfim, sempre foi um pouco mais sensato do que o habitual uniforme cinzento.

Uma coisa é ser-se pessimista, e outra bem diferente é passar derrotismo aos galões para os outros, em vez de os motivar a superar o estado de situação. Pode ser que a senhora, entretanto, tenha percebido esta verdade elementar (o que duvido).

De resto, esteve muito igual a si mesma, com algum "verdete" quando em face de perguntas que a senhora achava irritantes, ou impróprias para uma senhora. De uma boa avó não se pode esperar paciência para tudo, mas um pouco mais de carinho não lhe teria ficado mal.

Afinal aquele era um canal público e "o povo" já não come só "bacalhau seco"...

Esteve igualmente bastante cautelosa relativamente às faltas do Banco de Portugal; ou porque existem hostilizadores suficientes nas hostes para os mais diversos ataques ou porque, naturalmente, o ódio personalizado na "chefe" é uma coisa que não assenta bem.

Parece que a senhora já compreendeu isso também...

Tivemos portanto uma pequena evolução na forma, um "casaco novo" (seria importado?), uma senhora 2.0, frente a jornalistas um tanto tímidos e sem perguntas de acagaçar (não vá a senhora ganhar o plebiscito e correr com eles).

Ponto positivo quanto ao reverberar de agonia das pequenas e micro-empresas, que carece realmente de respostas eficazes que contenham a sangria, mas negativo quanto ao medo anquiolosado ao comboio, e ainda pior quanto ao aeroporto, sem quaisquer sustentações de peso que não a instilação primária do medo, coisa que desgraçadamente lhe é habitual.

E feio.

Quanto ao que a senhora quer para o país ficámos a saber o mesmo: ela define-se sobretudo por "oposição a" e raramente "em prol de".

Era de esperar, ou não fosse a senhora a sombra em pessoa.

O situacionismo em crise

As carpideiras do Reino continuam a vaticinar o fim da nação. A crise convém-lhes, da sua pequenina perspectiva; rejubilam com ela.

Não que a crise não seja também nossa (logo deles); o problema é que as criaturas mal percebem que é todo o seu modo de pensar que verdadeiramente está em crise, mesmo no centro da crise.

"We need change", não de mais um regresso ao passado.

É curioso que o Salazar chegado ao poder manifestou a necessidade por "política de verdade".

Onde é que já ouvimos isto?

A agonia das micro-empresas

Notícia da Lusa, 15 de Maio:

"Cerca de 18 mil micro empresas encerraram desde Janeiro, deixando no desemprego trabalhadores e donos do negócio. Depois de lhes penhorarem os bens e sem direito a subsídios, muitos empresários procuram salvação nas paróquias. Em Portugal, existem cerca 160 mil micro empresas.

De acordo com o presidente da Associação Nacional de Pequenas e Médias Empresas (ANPME), Fernando Augusto Morais, "há micro empresários a falir todos os dias".

Desde o início do ano, "cerca de 18 mil já encerraram o seu negócio", disse à Agência Lusa o presidente da associação, onde funcionam os gabinetes jurídico e estatístico que fazem a recolha e tratamento destes dados.

Só nos primeiros 13 dias deste mês, "90 empresas fecharam as suas portas", exemplifica o responsável, lembrando que desde o início da crise, em Setembro de 2007, até 31 de Dezembro de 2008, "encerraram 40 mil empresas" de pequena dimensão. Para Fernando Augusto, "a situação é crescente".

Muitas destas empresas pertencem a "jovens licenciados que terminaram os cursos e não encontraram emprego no mercado de trabalho", mas também existem muitas outras que estão ligadas principalmente à construção civil, explicou.

O presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), Armindo Monteiro, confirma este cenário: "Têm estado a fechar empresas que até agora sobreviviam a tudo e a todas as circunstâncias".

Estes encerramentos "criam constrangimentos à sua volta", alerta por seu turno Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, instituição que nos últimos tempos tem recebido pedidos de ajuda de empresários "de todo o país".

"Muitos dos que nos procuram fazem parte da classe média baixa, mas também já há muitos da chamada classe média alta, com outro tipo de projectos que faliram", explica.

Para o presidente da Cáritas, este fenómeno "representa taxas de desemprego altamente preocupantes."

(...)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Can We?

Artigo do Washington Post, 5 de Maio de 2009, de Steven Pearlstein

In Portugal, as in America, a 'Third Way' Is Reemerging

You can easily imagine the popular story line that plays out daily in the politics of much of Western Europe. It's the one about bankers and money managers in New York and London who got rich by playing fast and loose with other people's money, under the eyes of regulators so blinded by their faith in markets that they couldn't spot a con game going on right under their noses.

And what makes it all the more galling to Western Europeans is how easily this plague of greed and deregulation so easily crossed the Atlantic, sending their own economies into a recession that is expected to be deeper and longer than it will be where it all began.Sitting in his office last week, José Sócrates, the prime minister of Portugal, joked as he recalled the day last September when he first learned about "this thing they call a subprime loan."

As head of this country's nominally socialist party, Sócrates spent the previous four years reducing the size of Portugal's government, taming its runaway budget deficit, challenging labor unions and deregulating its markets. And what is his reward? An economic crisis that has once again put the country in a fiscal bind and boosted the polling numbers of Portugal's Communist Party.There are similar tales to be told across the continent.

(...)

Everywhere, there are calls for higher taxes on the rich, with the British government proposing to raise the top marginal rate to 50 percent from 40 percent."In terms of further market liberalization, I would say the window of opportunity is now closed," Christine Lagarde, France's reform-minded finance minister, told reporters recently in Washington.

Given the circumstances -- unemployment as high as 17 percent in Spain, exports off 20 percent in Germany, house prices off 40 percent in Ireland -- none of this is surprising. But the real story in Europe may be how firmly market liberalization seems to have taken hold. Not only have there been few, if any, calls for re-nationalizations, but some countries are still moving toward privatization and deregulation.

(...)

Here in Portugal, for example, huge teacher demonstrations recently shut down the capital but failed to derail Sócrates's plan to require annual evaluations of instructors in a public school system that has some of the highest costs, and lowest test results, in Europe. And Americans would do well to consider Portugal's plan to put its Social Security on a more sustainable footing by linking the retirement age to life expectancy while still giving people the choice to retire at 65 with slightly lower benefits. Perhaps the best example of Portugal's market-based approach to its economic problems is its big push toward renewable energy.

(...)

The spinoff of its renewable-energy division was the biggest IPO in Europe last year and is now the world's fourth-largest renewable-energy producer. Back in the days of Bill Clinton and Tony Blair, there was a lot of loose talk about a "third way" that would combine the best features of Anglo-American capitalism with the social and economic safety net prevalent in Europe. If Portugal is any indication, Europe has been moving in fits and starts toward market capitalism ever since.

(...)

Artigo completo:
http://www2.alentejocoast.com/newsflash.php?id=6541

Convite à reflexão e à acção

Algumas pessoas têm-me perguntado o que penso que virá a emergir do pós-crise. Tenho algumas noções das possibilidades, tanto sobre os cenários muito negativos como sobre os muito positivos. Pouco importa o que penso.

O momento é de mudança - ou de oportunidade para a mudança - e é sobretudo no campo político que se desenhará o futuro (antes a política estava brutalmente contaminada e cristalizada na "teologia de mercado").

Agora é o momento certo, necessário, para participar e dar o corpo ao manifesto ou, pelo menos, combater por aquilo em que se acredita poder vir a fazer um mundo um pouco melhor. Ajudar a clarificar os campos e as ideias.

É porque os riscos são enormes que é necessário que se mexam.

Casa Branca opõe-se a divulgação de fotos

A Casa Branca opôs-se hoje à divulgação de fotos de maus tratos de prisioneiros detidos no estrangeiro, alegando que poderiam desencadear reacções adversas anti-americanas e colocar em risco forças militares.

Sensato, mas igualmente revelador de que existem provas comprometedoras que não são nada bonitas de se ver.

Mais tarde ou mais cedo, as fotos serão do conhecimento público e os "feitos" da ex-Adminstração Bush nesse triste domínio serão registados pela história.

Um capítulo triste da América. Será superado, mas deixará marcas.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Falar verdade a mentir


Não há dinheiro para nada, donde se deduz:

a) Que a Cultura é um custo
b) Que a Ciência é um custo
c) Que o Filipe La Feria é de uma envergadura cultural de alto coturno e gabarito

Esqueceram-se de contar esta "verdade" aos portugueses!? Vá lá, eu dou um empurrãozinho!

Dica - Foram à cidade do Porto, recentemente?

Terá sido a gripe A fabricada?

Um amigo contou-me durante a semana passada de que existia alguma probabilidade do H1N1 ser uma fabricação humana. Mostrei-me extremamente céptico, porque me custa sempre embarcar em "ear say"...

E no entanto, hoje a Bloomberg publicava o seguinte:

By Jason Gale and Simeon Bennett, May 12(Bloomberg):

"The World Health Organization is investigating an Australian researcher’s claim that the swine flu virus circling the globe may have been created as a result of human error. Adrian Gibbs, 75, who collaborated on research that led to the development of Roche Holding AG’s Tamiflu drug, said in an interview today that he intends to publish a report suggesting the new strain may have accidentally evolved in eggs scientists use to grow viruses and drugmakers use to make vaccines.

Gibbs said that he came to his conclusion as part of an effort to trace the virus’s origins by analyzing its genetic blueprint. The World Health Organization received the study last weekend and is reviewing it, Keiji Fukuda, the agency’s assistant director-general of health security and environment, said in an interview yesterday.

Gibbs, who has studied germ evolution for four decades, is one of the first scientists to analyze the genetic makeup of the virus that was identified three weeks ago in Mexico and threatens to touch off the first flu pandemic since 1968.

A virus that resulted from lab experimentation or vaccine production may indicate a greater need for security, Fukuda said. By pinpointing the source of the virus, scientists also may better understand the microbe’s potential for spreading and causing illness, Gibbs said. "

Artigo completo:

http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20601087&sid=afrdATVXPEAk&refer=home

Os lobos uivam, mesmo sem lua cheia...mas:

Artigo de Elisabete Miranda:


Portugal é um dos países, entre os 30 que integram a OCDE onde o factor trabalho é menos tributado e menos pesa nos custos laborais.


A conclusão consta do “Taxing Wages 2008/2007”, um relatório onde anualmente a OCDE actualiza os dados sobre o IRS e a taxa social única (Segurança Social) que recai sobre os trabalhadores.

Dando como exemplo um solteiro, sem filhos, que aufira o rendimento médio da economia local, a OCDE conclui que, em Portugal, ele pagou 22% do rendimento bruto em IRS e contribuições para a Segurança Social, uma percentagem que compara com mais de 40% na Alemanha, Bélgica e Dinamarca.

Trabalhar só é mais “barato” que em Portugal em oito países: Austrália, Suíça, Nova Zelândia, Japão, Espanha, Irlanda, Coreia e México.

Esta notícia será desenvolvida na edição de amanhã do Negócios.

Indícios de conluio de preços de combustível, A1

Os placards que começaram a funcionar na A1 - com atraso - informando sobre os 3 ou 4 tipos de preços dos próximos locais de abastecimento nessa via (até +/-120 Km se não me engano), mostravam no fim-de-semana passado evidências incontornáveis de cartelização.

Ao longo de uma extensão superior a 250 Km, postos de diferentes marcas marcavam preços idênticos até ao milésimo de Euro (sem a mínima vergonha!).

A probabilidade disto acontecer espontaneamente num único placard já seria baixíssima. A probabilidade disto acontecer em todos os placards na via numa extensão de 250 Km não anda longe da que indica a possibilidade de se acertar no euromilhões apostando 10 Euros.

Mas, se o dissermos à Autoridade da Concorrência (que até integra PhDs) o mais provável é demorarem mais 3 meses de estudo, e depois de 1.000 páginas concluírem que não se trata de indício de monta.

Devo esclarecer ao automobilista menos habituado à Europa que estes placards existem, por exemplo em França, há já bastante tempo e o seu intuito é reduzirem a ineficiência do mercado via informação mais completa.

Pois cá faz-se a lei, e depois goza-se com ela, dando-lhe um carácter meramente estético.

É um fartote!

PS - Lembram-se do Sr. Mateus, o que passava multas pesadas às empresas que brincam connosco? Vai um quizz para se lembrarem do nome do homem que o substituiu?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Subserviência

Alguém comentando certo discurso recente do nosso presidente dizia que pior do que a subserviência dos empresários a secretários de estado e políticos era a subserviência de políticos e secretários de estado a empresários.

E no seguimento disto eis que temos, quase em pezinhos de lã, uma nova lei de financiamento dos partidos que é uma pouca vergonha (que toda a oposição parlamentar votou a favor) e que até a senhora agora "admite corrigir" (sendo de sublinhar o termo pouco rigoroso do "admite", que é parecido com os mais usuais e conhecidos "depois logo se vê", etc e coiso e tal).

Será o ensaio geral do Bloco Central?

A arrogância Olímpica...

Existe pelo menos um par pesado de economistas coerentes - e que previram boa parte daquilo que se nos vai revelando dia-à-dia - que ainda mal são citados pelos media portugueses. Muito menos entendidos e menos ainda tolerados por alguns editores.

Outra coisa não seria de esperar num país onde se valoriza mais a espuma da nata do que o conhecimento e os factos.

Ainda mais triste e revelador, é a total impermeabilidade de alguma da (nossa) direita obtusa, teimosa e atrasada, a coisas que hoje são factos incontornáveis.


Rotulam de "esquerdistas", de "esquerdalha", um nó acima de lixo tout court, homens de saber comprovado...que deixam montes de economistas "bentos" e "engravatadinhos" pelo caminho.

Seja o que for que não lhes agrade só cai em duas categorias: ou é "comuna" ou então... deve ser "comuna".

Stiglitz passou por Portugal e disse o que disse, mas em Portugal Stiglitz ainda é pouco mais do que nota de rodapé...

Eis o link para algumas coisas que nos veio dizer (requer algum scroll down antes de apanharem o video):

http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=367042

Não desista! Continue a mandar postais!

O mais recente cartaz da senhora é um manancial! Já muito foi dito sobre o assunto, e não me dá prazer "sovar mortos"...

Contudo, temos ali uma verdadeira caixa de Pandora, sobretudo no que toca a revelar a psique daquela clique.

Primeiro o fundo: cinzento, ou azul-cinzento, quiçá cor-de-burro-quando-foge, cor das nuvens pesadas, cor de abafo, presságio de tempestade e mau agouro.

Depois, a expressão facial... já ninguém espera que a senhora sorria mas caramba, será que não nos podemos rir nós um pouco da crise enquanto não passa? Não será o humor, ou pelo menos a demonstração de um mínimo do seu sentido, um antídoto eficaz contra depressões colectivas?

Será que precisamos de aceitar um ambiente popular ainda mais derrotista, auto-flagelatório e super-pessimista?

Lembram-se daquela canção brasileira escrita em tempos de muito aperto que grassava assim logo a entrar "Meu Deus, mas para quê tanto dinheiro? / Dinheiro só p'ra gastar". Pois é: uma das coisas absolutamente necessárias no nosso país é essa espécie de optimismo fundamental, de que a senhora tem um défice crónico provavelmente incurável.

A forma de um simples sorriso é muito importante. Atente-se em La Gioconda.

Já no cartaz da senhora temos que gramar "sorriso 33", nitidamente amarelo e sem qualquer promessa do mínimo encanto ou futuro digno de nota. É todo um outro universo de "Mona Lisa".

Não sei o que será de mim se um engarrafamento na segunda circular me prende ao pé de um dos ditos...

Churchill nos seus dias mais difíceis, nos tempos do Blitz, sabia transmitir optimismo indomável, ainda que confrontado com o terrível abismo da derrota total iminente. O seu V premonitório era de esperança de aço feita de vontade pura de lutar, resistir e vencer.

Mas o que raio transmite aquele V do cartaz - que nem a senhora se atreve a fazer muito à vontade, note-se. O único sorriso que o cartaz me arranca é confundir por momentos esse vêzinho com o coelhinho da Playboy...

Para quem é um bocadinho "pitosga", que é o meu caso, olha-se para aquilo e... PSD V? Mas que partido é o PSD V?

Para compor o ramalhete há ainda aquela linha 808 não sei o quê... bom: mas quer dizer fale connosco, venha carpir as suas mágoas? Fale connosco, não se suicide já a seguir? Fale connosco, dê-nos ideias para a gente meter num programa inventado à pressão?

Ficámos igualmente a saber que agora, a partir de agora, é que a política vai ser feita de verdade (ahhhh). Uma mensagem credível, sem dúvida... vou já dormir muito mais tranquilo!

Finalmente, o c(h)erne da mensagem: "Não desista...". Essa é a parte que me lembro. Soa-me vagamente a "Não há dinheiro", ou talvez a "Não podemos", ou ainda simplesmente a "Não"...

O cartaz parece saído de uma produção "série B", pior do que muitos feitos por amadores em concurso para as eleições da Associação de Estudantes. Uma produção baratinha, de má qualidade e a pensar em pequenino, muito pequenino, bem à imagem dos donos do costume.

Será aquilo em que a senhora quer tranformar este país?

Porque "tristezas não pagam dívidas" fica a tal letra brasileira, escrita em tempos de hiper-inflação, e mesmo assim irónica, espirituosa e bem ritmada.

Isto sim, era inspirar:

Meu Deus mas para que tanto dinheiro / Dinheiro só pra gastar
Que saudade tenho do tempo de outrora / Que vida que eu levo agora
Já me sinto esgotado / E cansado de penar, meu Deus /Sem haver solução
De que me serve um saco cheio de dinheiro /Pra comprar um quilo de feijão

Ai, ai, meu Deus:Meu Deus mas para que tanto dinheiro?
Dinheiro só pra gastar...






segunda-feira, 4 de maio de 2009

O Homem das Informações

Marcelo Rebelo de Sousa, o professor, tem acesso a informações fora de alcance ao comum dos mortais. E gosta de o exibir, pelos vistos, como se viu no anúncio antes de tempo confirmando que o primeiro caso de gripe tipo A em Portugal teria sido causado pelo vírus H1N1.

Ultrapassou as suas competências e colocou em risco a gestão de informação a cargo da Saúde? Assustou mais umas dezenas de milhares de portugueses sem qualquer necessidade? Que importa? O que é a vida sem surpresas? E a tv sem Marcelo?

Se tiver parecido mais esperto e conseguido mais uns segunditos de tempo de antena já não se perdeu tudo.

Para ele não há segredos. "Parece que é bruxo", diria alguém.

Mas não, foi apenas Marcelo no seu pior.

A Ideia é Minha, Pá!

O Sr. Rangel teve ontem uma boa ideia (laudas, que já era tempo!): fazer força no sentido de implementação de um Programa Europeu do tipo do Erasmus, mas para jovens profissionais em vez de estudantes.

No entanto, quando o Sr. Horta veio a terreiro afirmar que a AICEP já dispunha de programa semelhante, o que é verdade (embora ninguém saiba como e se funciona), aqui D'El Rey! O Sr. Rangel irritou-se!

...Que a ideia era minha!...Irra!...E coiso e tal...E vai daí está a insultar o Sr. Horta desnecessariamente.

A reacção do Sr. Rangel pareceu-me, bom... um pouco exagerada, para ser brando. Reacção insegura, no mínimo.

E era evitável, porque a gente percebe o alcance da ideia sem que seja necessário berrar...

Só se irrita assim quem tem uma ideia a cada cinco anos, mais coisa menos coisa... o que certamente não será o caso do Sr. Rangel.

Sampaio, o Conciliador?

O ex-presidente Jorge Sampaio, sem o jeito conciliador de Obama, pretendeu em recente entrevista recuperar a hipótese do "Bloco Central" (Sebastianistas, nós...? Só contaram p'ra você...).

No fundo, sente-se em Sampaio uma certa crise existêncial, que talvez sempre tenha existido, bem vistas as coisas.

A hipótese não é viável - interesses inconciliáveis - e mesmo a história já provou tratar-se de uma solução instável.

Para quê tão vã sugestão...? Mistérios da "fé"...

O Coro da Baixa Salarial

Hoje, mais vozes se vieram juntar ao coro da baixa de salários (João Salgueiro e António Borges).

Mas também hoje, um Nobel de peso - Krugman - escrevia sobre o assunto. Eis excertos da sua crónica no New York Times intitulada "Falling Wages Syndrome", numa minha tradução livre:

"Quaisquer que sejam as circunstâncias, a queda de salários revela economias doentes. E são um sintoma que pode tornar as economias ainda mais doentes."

"Quando um número suficiente de trabalhadores aceitar reduções de salário para manter os seus postos de trabalho, o resultado será ainda mais desemprego."

Porquê? Porque se todos aceitarem reduções de salários através das economias nacionais e internacionais, as vantagens competitivas desaparecem rapidamente (para não falar do consumo agregado).

O exemplo é dado pelo que aconteceu na economia Japonesa entre 1997 e 2003, um assunto em que Krugman é dos maiores estudiosos mundiais.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Até no Wall Street Journal, senhores...

Sobre os cortes nos salários:

http://online.wsj.com/article/SB123975529036019055.html

Was ist das?

http://www.youtube.com/watch?v=K34F0d601tk

A Entrevista...Estilo Português Suave

Não percebo como é que se entrevista um PM em funções em jeito de interrogatório (como me pareceu fazer certo canal), ao mesmo tempo que se entrevista em jeito de amena cavaqueira, sem perguntas difíceis, os seus adversários mais directos.

Não deve qualquer candidato a PM ser escrutinado de forma completa? Ou será que a cada PM que temos devemos esperar que só o próximo venha a ser digno do cargo?

Interpretei a muito pouco profunda entrevista recente desse canal à senhora como quase Sebastianismo, senão mesmo como favor político.

Não houve uma única pergunta mais séria e directa, ou mais desafiante, sobre a agenda que se propõe a eleições no campo da Educação, da Justiça, da Saúde ou da Segurança Social.

Fiquei a perceber o mesmo. E nessa, não me levam.

As Boas Escolas B Produzem Maus Gestores?

A euforia - e negócio - das Business Schools havia de ter os seus dias contados até algum dia. Diz o ditado que "podem enganar-se todas as pessoas durante algum o tempo, mas não algumas pessoas durante o tempo todo".

Pelo número de manuais de parvoíces chapadas sem qualquer fundamento objectivo publicadas a torto e a direito por muitos "gurus" (com títulos que sempre me fizeram lembrar um pouco aqueles papelinhos da Astróloga Zinaida, não sei porquê); com doutos professores PhD sem qualquer experiência prática de gestão (o que é feito do learning by doing no vosso caso, hein?), era de esperar.

Boa parte dos gestores das piores falências destes tempos são MBAs. Pagaram a ascenção recta bem paga para ganhar o bolo depressa sem passar pela prisão nem pela casa da partida, através de um (tanto falso) prestígio académico. Nada mais, e nada pior.

Mas não há Céu sem purgatório, meus amigos... O resultado está à vista.

As excepções existem porém, e sairão a ganhar destes tempos conturbados. Um exemplo provável é a Toyota, que dedicou anos de paciente desenvolvimento aos híbridos e a carros fiáveis de baixo consumo em geral, e os começou a vender andava ainda a GM a produzir febrilmente camiões familiares (vulgo SUV, Sports Utility Vehicles), porque era fashion (o curto prazo: deu asneira).

Em 70 anos, a Toyota passou de uma pequena empresa num país periférico e mal visto (os produtos Japoneses foram durante muitos anos denegridos nos EUA, como o são hoje os produtos Chineses) ao maior gigante mundial automóvel, um ramo duríssimo onde a competição é mesmo a sério e verdadeiramente global (nada que se compare minimamente com o que enfrentam sequer - ou sobretudo - as maiores empresas nacionais, algumas quase-monopolistas).

Pelo caminho, a Toyota derrubou a GM, sem qualquer acto de hostilidade para além do mero bom senso e boa gestão. A GM, uma das jóias da coroa americana ficará agora reduzida a pouco mais do que uma sombra, muito devido a iluminados fashion de ocasião, saídos de uma "B School" qualquer.

Resultado de anos de mentalidade de resultados fáceis, uma festa de que muitas Escolas "B" têm sido grandes anfitriãs.

Accionistas Fortis

Hoje, numa assembleia geral do Fortis, 2.300 accionistas passaram-se dos carretos e decidiram atirar sapatos contra a mesa da sua Administração.

"Se querem o respeito dos accionistas aceitem o nosso voto", terá dito Mikael Modrikamen ao CA Fortis.

É um sinal dos tempos...

Será...Hum...da Gestão?

Num bom artigo publicado no JN, Avelino de Jesus coloca a nu a veia de propostas um tanto estranhas - mas com eco - da redução dos salários para (pasme-se) combater a crise estrutural portuguesa.

É verdade que sem moeda própria os ajustes terão de se dar de alguma forma, provavelmente mais diluídos no tempo, mas será que a produtividade portuguesa é assim tão inferior à dos outros? É que a produtividade de alguns dos países com quem nos andámos a comparar esteve profundamente afectada por produtividade "virtual" no sector financeiro.

Será que a produtividade da Europa - a da economia real - é assim tão mais baixa do que a dos EUA como apregoavam os neo-liberais ainda até há bem pouco tempo como razão que justificasse uma adesão plena da Europa ao modelo americano?

E se o país se tem de ajustar, será que esse ajuste implica necessariamente um ciclo vicioso recessivo baseado em mais diferenças sociais e mais miséria? Quem vai vender o quê nessa economia? Quem vai comprar e como?

Mesmo sem fazer estas questões Avelino de Jesus coloca bem o dedo na ferida. Ficam apenas algumas passagens do seu artigo:

"Esta é uma ideia socialmente injusta mas, sobretudo, é uma proposta economicamente absurda."

"O custo médio da hora de trabalho é em Portugal de €11/hora, contra €22,4 em média na Europa. Por sua vez, a produtividade aparente do trabalho é $27,3/hora em Portugal e $43,3 entre os nossos parceiros europeus. A produtividade representa 63% do nível médio europeu enquanto o custo do trabalho atinge apenas 49% da média da Europa; É certo que o salário médio por hora cresceu em Portugal 52,7% desde 1996, contra 38,3% na UE a 15. No entanto, este movimento deveu-se, sobretudo, ao processo de convergência de preços e não representa um verdadeiro aumento de salários reais"

E portanto:

"As causas da baixa produtividade não residem nos salários, mas nas componentes não salariais dos custos de produção e na qualidade da gestão"

"Os salários baixos são uma das causas profundas da baixa produtividade e não o contrário"


"A produtividade aparente do trabalho resulta mais da organização e opções empresariais do que da habilidade intrínseca do trabalhador. A produtividade é, acima de tudo, um problema da gestão"

Um documentário que vi há algum tempo sobre o Palácio da Vila de Sintra (estrangeiro), começava precisamente por retratar que tinha sido também pela ambição e pela inventividade comercial - e pelo respeito à Ciência - que os portugueses tinham outrora sido a maior potência mundial.

Uma provável causa da degradação e decadência do Império ao longo dos séculos após o apogeu da nação, relacionar-se-ia, na tese do documentário, com o facto de termos tido quase sempre péssimos administradores, uma regra que as poucas excepções históricas não foram suficientes para alterar o curso da história.

Ainda hoja, a gestão Lusa continua sobretudo a contar com expedientes e variantes pós-modernas da "árvore das patacas", sem muito respeito pelo longo prazo, e ainda menos pela inovação séria de base, quanto mais visões estratégicas coerentes e sustentáveis.

Não queria ser pessimista, mas sinto o mesmo que o articulista em apreço do JN:

"Infelizmente, sendo demasiados os que pensam e agem apoiando-se no diagnóstico errado, poderão aproximar-se ainda piores tempos para os salários e a produtividade em Portugal."

E o pior é que dos economistas que defendem esta opção algo tola, provavelmente nenhum se apoia em dados comparativos fiáveis e que resistam a uma análise mais séria e profunda.

O problema pode ser a falta de formação científica, mas pode também ser de pura e simples cegueira ideológica a la Greenspan, o desregulador-mor.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Duas Boas Notícias (Quase)

Pois é, parece que a AICEP decidiu dar uso alargado às suas delegações internacionais permitindo que passem a integrar Registos Comerciais e Prediais.

Ao mesmo tempo, um Acordão do Supremo Tribunal ontem libertado dá conta de que a imposição de um limite máximo nas pensões não é incostitucional (uma medida aprovada pelo Governo em 2006).

O S. Tribunal afirma que a norma "se encontra justificada pela necessidade de salvaguardar interesses constitucionalmente protegidos que devem considerar-se prevalecentes".

Mais 50 Milhões de Pobres

O Banco Mundial e o FMI estimam em pelo menos mais 50 milhões de pessoas abaixo do limiar de pobreza o preço actual da crise. É o equivalente a toda a população espanhola e portuguesa junta a ir parar abaixo da ponte.

Os objectivos de redução da pobreza até 2015 - desde sempre irreais face à prática das coisas mundanas - foram completamente pelos ares, tal como o retrocesso das pandemias, da mortalidade infantil, do analfabetismo, a igualdade de género, a melhoria da saúde pública e talvez mesmo a protecção do ambiente.

Em contrapartida, e citando directamente a Lusa:

"Os chefes de Estado e de Governo do G20, que agrupa os países mais industrializados e os emergentes, comprometeram-se, no passado 2 de Abril em Londres, a aumentar os recursos das instituições financeiras internacionais em mais de 1.100 milhões de dólares, para fazer face aos efeitos da crise económica."

Para além das disparidades absurdas de rendimentos que o hiper-capitalismo insustentável produziu desde os anos 90, agora temos um efeito de descontinuidade total, que atira com mais 50 milhões para a pobreza (talvez mais, lembremo-nos de que a previsão vem de duas instituições quase sempre conservadoras).

Agradeça-se em especial ao Sr. Reagan, à Sra. Tatcher, aos Bush e a Greenspan. Ora aí têm a "Liberdade" que eles vendiam, em versão Cabriolet e agora...sem rodas.

E se pensam que estamos no limiar de um mundo mais equilibrado, pensem de novo: ainda há pouco o Sunday Times publicava que, por causa das ténues esperanças de retoma, os prémios em Wall Street tinham voltado ao patamar de 2007. Os mesmos prémios que incentivaram a tomada de riscos catastróficos estão de volta!

Oficiais Americanos Questionaram Tortura


O Washington Post noticiou no dia 24 de Abril passado que a mesma agência governamental encarregue de desenvolver as práticas mais "duras" de interrogatório, alertou para a frequente falta de qualidade de informação extraida sob práticas coercivas (incluindo a tortura).

O relatório foi entregue ao Pentágono em 2002 e já nessa altura alertava que as práticas de tortura podem produzir "informação falsa" ("unreliable information", para ser exacto).

As proibições legais ao uso de tortura a nível nacional e internacional derivam de um consenso alargado em como a tortura e os maus tratos são não só imorais como não produzem os resultados pretendidos:

http://www.amnesty.org/en/library/info/ACT40/014/2005/en

domingo, 26 de abril de 2009

"Nós Não Podemos..."




Que me lembre, e já tenho alguns anos, não me recordo da mais pequena aleta de motivação, mobilização positiva, optimismo, nas mensagens dos sucessivos líderes (e lideranças) dos "sociais-democratas".

Das poucas vezes que ensaiam mensagens mais positivas, mais por necessidade do que entusiasmo, é inconfundível o cheiro a engodo e a sonoridade a falsete.

As excepções terão sido, talvez, o sentimento emanante do primeiro mandato de Cavaco (mesmo assim à boleia da entrada do país na CEE) e do mandato de Sá Carneiro (embora aí estejamos a falar de um partido que infelizmente já não existe).

A descrença, a desistência, o cansaço, o desespero, o pessimismo têm sido as suas notas dominantes desde essas duas épocas excepcionais.

E o climax é a fruta da época, por assim dizer: nada propõe de concreto quanto às grandes opções, tudo tem vontade de corroer. Parece que o simples facto de outros tentarem, ainda que por vezes não sejam bem sucedidos, lhe faz impressão.

Psicologicamente falando, talvez faça sentido. A negação é a marca clara da decadência política. A liderança actual desse partido tem as suas fundações recentes no Cavaquismo, mas parece orfã de qualquer visão maior da Nação, ou da Política, digna desse nome.
Parece uma liderança tão pouco profunda, em termos conceptuais, intelectuais e mesmo humanos que qualquer coisa a encalha facilmente. Pressente-se que navega sempre à vista, faça chuva ou sol.
Vai atrás daquilo que "pertence", não daquilo que deve ser.

Ter um dia tido acesso aos poderes, e mantê-lo, ainda que pela ocasional via populista, parece ser tudo aquilo por que se interessa.

Alguns dos seus seguidores revêem-se quiçá no largo de Santa Comba, e pelo andamento da coisa, pode ser que lá venham a caber todos juntos em breve.

É ainda uma pequena clique, discretamente filiada num revisionismo nunca publicamente assumido, que manda naquela coisa política. Uma clique velha, cheia de rugas corticais, com pouco futuro democrático e sem ideias dignas desse nome. Tudo o que tinha para vender foi-se resumindo à reputação e imagem que, não sendo dois activos pouco importantes, sabem hoje a muito pouco para enfrentar estes tempos. É quase sempre o problema com as aparências.

Durão desbaratou o valor do lealdade e da missão, ao rumar a outras paragens, Santana desbaratou os valores da sensatez, da humildade e teve o azar de não ter sido eleito, Manuela desbaratou o valor do equilíbrio orçamental (não soube reduzir o défice), da credibilidade (receitas extraordinárias não são redução da despesa) e da esperança num futuro melhor do português médio, trabalhador e pai de filhos (muita gente, portanto).

Seja do que for que se fale, seja o que for que se proponha, o sentimento emanado parece ser sempre o mesmo: do tipo "Nós não podemos!", para dar uma versão mais curta do "Não há dinheiro para nada!".
A alternativa, a visão? Bom... não sei, talvez uma nação à imagem de uma Santa Comba qualquer.

Eureka!

No meio das telenovelas, superficialidades pagas e campanhas de intenções, em que se tornaram os media portugueses, é bom ver quem, de vez em quando, diga algumas verdades.

Fica o link para um recente texto de Helena Garrido, que vale a pena ler:

http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=364200

Excerto:

"A investigação académica sobre a crise económica portuguesa é... um silêncio aterrador.

Todos "achamos" muitas coisas, alguns emitem opiniões apenas porque simpatizam mais com as teses de uns do que de outros e há ainda aqueles que apenas contradizem. Mas o saber baseado em trabalho que suscite reflexão e debate não há.

A ausência de análise disciplinada pelo método científico justifica, em parte, o protagonismo das personalidades políticas e partidárias.

Dizemos que há uma crise portuguesa além da internacional. Em que baseamos essa afirmação? Basicamente, no reduzidíssimo aumento da produtividade, praticamente desde a crise de 1993. Mas, em Espanha, a situação ainda foi pior. A economia espanhola só teve os crescimentos passados devido ao aumento do emprego.

Por que aumentou tão pouco a produtividade? Que sectores têm condições para uma subida da produtividade? Respostas que poderiam dar importantes pistas para as escolhas das medidas adequadas para moderar a crise e garantir a retoma.

O Presidente da República, no controverso discurso de sexta-feira passada, alertou para o perigo de se estar a combater esta crise com medidas que vão criar dificuldades quando chegar a retoma internacional.

Os economistas [portugueses...], em geral, estão convencidos de que todas as actuações que aumentem o endividamento, especialmente do Estado, vão condicionar a recuperação. Mas será assim?

Por que é que a Irlanda, com uma dívida pública tão baixa, um excedente orçamental e um sucesso tão elogiado, entrou basicamente em colapso? O que justifica que Portugal esteja em melhor situação - no julgamento dos mercados - que a Irlanda e a Grécia?"

Agravamento das Diferenças Salariais

por Catarina Almeida Pereira, in Diário de Notícias

"Globalmente, os operários ganham quatro vezes menos do que os directores de empresas, e estão a afastar-se da média.

A remuneração recebida pelos profissionais com mais baixos salários está a afastar-se cada vez mais da média. Os últimos dados do Inquérito aos Ganhos, do Ministério do Trabalho, mostram que os dirigentes têm tido, ao longo dos últimos cinco anos, aumentos mais generosos do que quem está no nível profissional mais baixo.

O ganho médio dos cerca de 940 mil operários - grupo que inclui trabalhadores da construção civil, mecânicos, artesãos, operadores de máquinas, condutores de veículos e pessoal não qualificado do comércio e serviços, por exemplo - ascendia, em Abril de 2008, a 784 euros, o que representa 73,8% do valor correspondente à generalidade dos trabalhadores. Esta proporção caiu desde Abril de 2003, altura em que o ganho médio deste nível profissional representava 76% da média.

Corresponde a aproximadamente um quarto do que recebem os chamados directores de empresas, que no ano passado auferiam, em termos médios, 3136 euros por mês. Em causa estão, neste grupo, 95 mil pessoas, segundo dados solicitados ao Gabinete de Estratégia e Planeamento (GEP), responsável pelos inquéritos. A diferença entre os extremos revela um ligeiro agravamento: enquanto em 2003 os operários ganhavam 25,3% do que era pago aos dirigentes (valor que sobe para 26,3% no ano seguinte), em 2008 a proporção não supera os 25%.

"O posicionamento relativo do operário, do ponto de vista de uma evolução salarial acumulada ao longo dos anos recentes, tem-se degradado ligeiramente", conclui também o próprio GEP, no último boletim oficial sobre o tema. O gabinete estatístico reconhece ainda que os dados relativos aos dirigentes poderão estar subvalorizados. "O pagamento de géneros, sendo conceptualmente parte integrante do ganho, tende a ser subavaliado ou simplesmente omitido por parte dos estabelecimentos. Ora, o pagamento em géneros assume precisamente no ganho dos dirigentes uma assinalável relevância", escrevem os economistas do GEP.

As conclusões são idênticas se em vez do ganho - que inclui horas extraordinárias e prémios regulares - for analisada a evolução do salário-base. E se em vez de cinco anos se considerar apenas o último. Entre 2007 e 2008, os dirigentes tiveram o maior aumento anual (5,7%), enquanto os operários tiveram o mais baixo (3%).

Estes dados, que se baseiam numa média, não permitem concluir que há um aumento generalizado das disparidades salariais. Mostram, contudo, que a desvalorização está em determinadas profissões.

Além das duas categorias já referidas, o GEP considera ainda o grupo intermédio de empregados. São mais de 1,6 milhões de pessoas - que vão desde os economistas e engenheiros aos vendedores - que, globalmente, conseguiram, nestes cinco anos, aumentos acima da média.

Fenómeno semelhante verificou-se com os aprendizes, que estão abaixo dos operários. Ao DN, responsáveis do GEP desvalorizam, contudo, o peso deste último grupo, composto por profissionais em fase de transição - como os estagiários."

A Direita, o 25, e o Ressabiamento

Um dos poucos discursos que tive o azar de ouvir, de uma deputada popular portuguesa, acerca do 25, versava a certa altura sobre as ignomínias e abusos do PREC e as suas nacionalizações.

Já correu sobre isso (as nacionalizações) tinta que chegue e poucos se orgulharão da forma como algumas se passaram, de facto.

No entanto, a senhora deputada, querendo não sei bem o quê, talvez procurando o famigerado revisionismo histórico à moda de Santa Comba, aludia ao cenário hipotético-utópico de um 25 que nunca ocorreu, desejando que tudo se tivesse passado sem os referidos abusos, vide as nacionalizações e saneamentos arbitrários.

Passados 35 anos desse dia 25, como é possível que alguém troque o dia que nos devolveu ao processo democrático por um cenário de "transição pacífica"?

Minha senhora, acaso o Estado Novo não teve tempo suficiente para meditar sobre essa alegada "transição pacífica" desde 1945? Teve todo o tempo, poder e oportunidade para o fazer... a verdade é que nunca desejou tal transição.

Por aí se deve julgar a fedorenta incompetência e podridão desse Estado Novo pós-1945: pela incapacidade e relutância de devolver o país à democracia.

Mas é claro que, tal como diz o ditado, "pimenta no cu dos outros, é açucar!".

Um partido que usufrui da democracia sem compreender isto, parece um tanto patético.

PS - Minha senhora, se conhecer na história do mundo alguma revolução sem abusos, informe, sff. Até ver, e para mim, vossa senhoria ficará na classe do "quem cala consente", até que se redima e vença essa espécie de complexo de Édipo.

750 milhões?... Oh...deixem lá, afinal já não é preciso !!!...

Depois de meses a urrar de mão estendida e a pedinchar indecentemente aos contribuintes, eis que o hedonismo sem vergonha de alguns executivos MBAs vem ainda mais ao de cima:

Para que a memória se não me leve esta "delícia", que fique registado que foi a 20 de Abril de 2009, na passada segunda-feira, que o Washington Post noticiava que os executivos de topo da Chrysler não queriam afinal a linha de auxílio de 750 milhões de dólares.

A razão? Simples: Obama estipulou recentemente que os executivos de todas as empresas que recorressem a linhas de apoio públicas veriam os seus prémios taxados em 90%.

Et voilá: a hipocrisia, ou puro egoísmo, destes "gestores" veio logo ao de cima!

Meus amigos das escolas "B": espero que façam disto um Case Study à séria (se tiverem tomates e uma réstia de apreço pela ética e pelo dever dos negócios, que se têm esquecido de ensinar...).

A Hora da Verdade II

A ler, o artigo de Paul Krugman sobre a tortura.

http://www.nytimes.com/2009/04/24/opinion/24krugman.html?ref=opinion

Aqui fica uma tradução livre de um prequeno excerto:

(...)
Algumas pessoas nos meios políticos e nos media fizeram eco da sua posição [de Obama]. De que precisamos de olhar para a frente, não para trás, dizem eles. Nada de acusações criminais, se fazem favor; nada de investigações; nós estamos muito ocupados.

Há de facto imensos desafios por aí fora: a crise económica, a crise no sistema de saúde, a crise ambiental.

Não será revisitar os abusos dos últimos oito anos, não importa quão maus tenham sido, um luxo a que não nos podemos dar?

Não, não é um luxo, porque a América é mais do que uma colecção de políticas. Nós somos, ou pelo menos costumávamos ser, uma nação de ideais morais."

A Hora da Verdade

A semana passada uma organização de direitos humanos e outras organizações lançaram um apelo à Administração Obama para que estabelecesse uma comissão de inquérito para examinar e publicar o uso da tortura resultante de políticas avalizadas pela ex-Administração Bush desde Setembro de 2001.

Assine a petição se lhe interessa, e divulgue-a:

http://commissiononaccountability.org/

Inglaterra: O Preço da Fantasia Neo-liberal

As mais recentes estimativas do Tesouro de Inglaterra prevêem uma contração económica de 3,5% no produto, a prolongar-se por 2010 adentro.

O chanceler Alistair Darling viu-se constrangido a subir os impostos sobre o rendimento para 50% e a acrescentar taxas ao consumo de combustível, alcóol e tabaco (e isto, perto de um período eleitoral, fala por si).

A dívida pública Inglesa vai atingir ou ultrapassar 80% em 2013/14... e o salvamento da Banca Inglesa já vai num montante que supera em valor o produto de toda a economia.

Suponho que seja nesta altura que os Ingleses terão o secreto arrependimento de não terem nascido Franceses.

Tornaram-se em mais um produto do pensamento obcessivo, maniqueísta, outrora "pensamento único", de "tudo o que é privado e desregulado é bom, tudo o que é público é sempre mau"...

Um pensamento de "monarcas degenerados", indigentes políticos fora de século, gente obcecada e triste, que no seu íntimo pensa que lançar impostos públicos seja sempre equivalente a roubar (a excepção não faz a regra); mas lançar tributos feudais seja muito mais aceitável, sobretudo quando reverte a favor dos próprios...

O que são certos pseudo-monopólios senão isso?...

Falso Pudor?

Um homem que ligue demasiado às aparências, como parece ser o caso de um certo ex-presidente de um banco, tem sempre que se mostrar ofendido perante a mínima acusação, ainda que esta possa não ser mais que a verdade.

Assim se explica que tenha decidido processar uma das entidades reguladoras, ou o seu responsável, por este ter afirmado recentemente coisas menos agradáveis.


Mais uma "virgem" ofendida...?
Ou mais um homem no comando que não sabia de nada?

Do JN/Lusa:

"Tudo indicia que a partir de certo momento as estratégias de venda do BPP eram equivalentes a um esquema piramidal", considerou Luís Miguel Henrique, depois do presidente da Comissão do Mercados de Valores Mobiliários (CMVM) ter dito no Parlamento que no BPP "há situações semelhantes ao caso Madoff".

Viva 25

Não partilho - seria difícil e não o desejo - de toda aquela bagagem político-emocional do Baptista Bastos - portanto do seu ideário - já para não falar da sua imensa, inigualável, profundidade de reflexão. Mas trata-se de um homem livre (como há poucos), que não tem medo de fazer perguntas, o que ainda é mais raro.

Eis algumas frases certeiras de um artigo recente no JN:

"Esta gente que nos governa nada tem a ver com o 25 de Abril, nem, sequer, com o espírito da Revolução. Repare-se que o dr. Cavaco recusa colocar, na lapela, o modesto cravo que foi o símbolo de um sonho e o sinal de uma esperança - que esteve mesmo ali, à mão de semear. Mas o dr. Cavaco entende que o cravo é um sinistro emblema ideológico, admitindo que nada tem a ver com isso. Isso - é o 25 de Abril. Pessoalmente, não me choca a decisão do dr. Cavaco: foi um desses homens que jamais associou o seu nome às batalhas pela liberdade, limitando-se a aprender inglês, na serenidade bucólica de York. Porém, o cravo, como insígnia do "dia inicial, inteiro e limpo" [Sophia de Mello Breyner] não é de Esquerda nem de Direita. Alguém tem ensinado mal o dr. Cavaco."

(...)

Olhamos a galeria de gente que ascendeu ao poder (aos poderes, para ser mais exacto) e, ao fazermos uma triagem, registamos que poucos são aqueles que nos representaram, que nos defenderam, que prestigiaram o "dia inicial." Os mais puros e desinteressados foram afastados, removidos, ignorados e, até perseguidos com feroz verdete. Pouco há do 25 de Abril, cujos trinta e cinco anos amanhã comemoramos, com negra descrença e densa infelicidade. Aprendi que as revoluções devoram os próprios filhos. Mas não me conformo, embora reconheça que pertenço a essa legião de homens e mulheres que esperou, esperou, esperou, acaso acima da realidade e da História."

Tem paciência, BB. A verdade, libertá-los-há.

sábado, 18 de abril de 2009

What comes next?

A ler:

http://www.guardian.co.uk/commentisfree/2009/apr/10/financial-crisis-capitalism-socialism-alternatives

A Esfinge Presidencial

Num momento de adversidade esperar-se-ia de um presidente alguma solidariedade humana para com o crescente desemprego, o auxílio à necessária reflexão crítica sobre o modelo neo-liberal que a ele conduziu; uma participação activa, mais pragmática, na construção de uma Europa ainda perdida pelos acontecimentos.

Esperar-se-iam propostas, ideias concretas de mudança, na justiça, na educação. Isto, claro, para além dos avisos a um neo-corporacionismo que vai grassando no país (mas que não é exclusivo a uma só cor).

Esperar-se-ia coerência e mais coragem na batalha pelo reconhecimento social das irresponsabilidades e desajustes vergonhosos que alguns gestores têm produzido, e que estão agora à vista.

Esperar-se-ia o reconhecimento cabal de que o mundo mudou, sendo importante que se frisasse a necessidade mais premente de rever valores de fachada, cinismos de parcos escrúpulos que, se não causaram este descalabro Ocidental, o permitiram e lhe deram sempre o maior dos apoios, recorrendo sobretudo ao fanatismo, à destruição de carreiras, ao ataque à racionalidade, e a outras formas descaradas de desonestidade intelectual, que enganaram e visavam provavelmente continuar a enganar durante décadas centenas de milhões de pessoas.

Desejava-se que, compreendendo o sentimento da maioria do povo que representa ao mais alto nível, verbalizasse de forma clara, concreta, não só as suas preocupações como formas de fazer o futuro, em vez de apelos de Pirro a que se não baixem braços.

Esperar-se-ia consequência no discurso em vez de meras afirmações à l'air du temps... apenas porque "pertence", não vá a turba torcer o nariz.

Sobretudo, esperar-se-ia mais convição e independência definitiva de vetustos fantasmas, politicamente indigentes, civicamente analfabetos, e agora definitivamente obsoletos.

Em vez disso, temos uma presidência da fumaça, que agita apenas os fogos da conveniência de muito poucos, e não esconde a frustração de ter de obedecer a uma Constituição.


Uma presidência que procura ganhar tempo, para alguns, mas que tristemente se resigna a aderir à evidência de factos que estão à vista de todos.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

A Sociedade de Direito Selectivo

A partir de amanhã entra em vigor um novo código de custas judiciais que o bastonário da ordem já veio catalogar de quase atentado. Recorrer à justiça vai ficar (ainda) mais caro, sendo que a velocidade dos processos, essa... certamente se manterá a mesma.

Há três tipos de processos em Portugal, parece: aqueles que o dinheiro e a influência resolvem, aqueles que o tempo resolve e aqueles que nem o tempo resolve.

Mais uma machadada na Democracia e no conceito civilizado de Sociedade de Direito.

Andará o Estado tão desesperado de guito que se esqueça dos princípios e direitos mais básicos consagrados na Constituição?

Já tinhamos uma Justiça socialmente enviesada. Será que a teremos ainda de suportar numa forma encapotada de serviço privado-pago-por-todos, mas só para meia dúzia?

A Neo-Realeza da Nação

Um certo programa de Contacto tem tido certamente algum mérito, pelo menos em termos conceptuais.

Porém, as condições em que ocorre, desde a selecção de pessoas à sua colocação em empresas externas, tem que se lhe diga.

Há alguns anos atrás, os estagiários ficavam com um portátil (não era barato na altura) no fim do estágio. Boa parte das pessoas escolhidas faziam duvidar da idoneidade do programa de selecção: médias de conclusão de licenciatura baixas, fraco domínio de línguas básicas e um certo bronzeado relaxado algo suspeito...

Depois acabaram-se os portáteis à borla e o número de candidatos aumentou.

Parece que recentemente, um funcionário da Aicep no Extremo Oriente terá levado a jantar estagiários a um restaurante cosmopolita, tipo 70 Euros por cabeça (uma bagatela...), para depois lhes anunciar que... seriam eles a pagar a conta!

Ao mesmo tempo, esses estagiários, alguns muito novos e sem qualquer experiência, terão sido deixados entregues a si mesmos, sem saber como ou onde alugar casa a preço justo, sem qualquer adiantamento de bolsa de estágio, sem saber o que comer e onde, ou sequer sem ter recebido qualquer formação sobre os usos e costumes locais, alguns bem diferentes dos nossos.

Parece mais uma historieta tipo "Magalhães"?

Conforta-me pensar que ao menos o tipo da Aicep deve ter jantado bem naquele tal dia com os estagiários, o pobre...

Fico estarrecido com tamanho "bom senso"... com a facilidade com que alguns funcionários de uma agência pública cuja função poderia ser vital, sobretudo nos dias que correm, caem neste tipo de ridículo.

Seria mais um dos finos "herdeiros da Coroa Real" a soldo desta pobre República ?




sábado, 11 de abril de 2009

Projecto Tejo Internacional

Contestar também é uma forma de promover quem se mexe, ora vejam, sobre o Projecto do Tejo Internacional, de cooperação trans-fronteiriça:

"Na localidade de Herrera de Alcântara (Cáceres) foi apresentado o Projecto Tajo-Tejo Internacional, que foi recentemente por POCTEP (Programa Operativo de Cooperação Transfronteiriço de Espanha-Portugal) 2007-2013, com o qual se irá desenvolver uma estratégia para reforçar os recursos naturais, culturais e históricos.

Este projecto alcançará um valor que ronda 7,5milhoes de euros (durando a sua execução aproximadamente 2 anos). As actuações vão abarcar âmbitos diversos: difusão por internet de valores e recursos do parque como destino turístico, um portal web interactivo em cinco idiomas, equipamentos de centros de informação turística, promoção de produtos de zona e actividades de lazer e tempo livres, haverá um barco que realizará recorridos passeios turísticos pelo parque e uma melhora das infra-estruturas e comunicações.

Este projecto servirá de impulso para o desenvolvimento social e económico de toda a comarca. Este projecto tem como sócios a Junta de Extremadura, através da Conselharia da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Conselharia da Industria, Energia e Meio Ambiente, Conselharia de Fomento e a Conselharia de Cultura e Turismo. Pela parte Portuguesa, são sócios os Municipios de Nisa, Marvão, Portalegre, Gavião, Castelo de Vide, Penamacor, Idanha-a-Nova, Castelo Branco e Vila Velha de Ródão. "

in aicep Portugal Global, 26 de Março de 2009

Já era tempo!

Keep your eyes wide open!

"1. Inovcapital entrou na Altitude Software. Dedicada mais a ajudar 'start-up', a capital de risco Inovcapital também apoia pequenas e médias empresas em risco. Para empurrar o negócio das empresas, a Inovcapital ajudou a tecnológica Altitude Software entre 2003 e 2008. A participação de 11,5% foi vendida no ano passado por 2,9 milhões de euros à sociedade Olmea, outro fundo de investimento. Com esta operação, a Inovcaptial ganhou 1,9 milhões, já que tinha investido inicialmente um milhão de euros. A Altitude Software é especialista em software de 'contact centers'.

2. Sotranco recebeu ajuda da Inovcapital. A vidreira Sotranco também teve a ajuda da Inovcapital. A capital de risco do AICEP entrou na empresa em 2002 e saiu em 2007 vendendo a participação por 3,3 milhões de euros. Em Abril do ano passado, a Barbosa & Almeida (BA) comprou 32% do capital da vidreira, tendo ficado com opção de compra sobre a totalidade do capital. Esta compra por parte da BA tem como objectivo integrar também a divisão de vidro de embalagem da gigante vidreira Saint-Gobain. Um negócio que exigirá à empresa portuguesa um investimento de 400 mil milhões de euros.

3. AICEP Capital pode entrar na VAAA AICEP Capital, empresa de capital de risco, tem a intenção de investir cinco milhões de euros na Vista Alegra Atlantis (VAA) quando acabar o processo da OPA da Visabeira sobre a VAA, que está a decorrer. Aliás, a própria AICEP é accionista da Visabeira, detendo 5,94% do capital do grupo de Viseu. A Vista Alegre está concluir uma reestruturação – que já provocou o despedimento de 1.500 pessoas entre 2000 e 2006. Este mês, a VAA viu aprovado o estatuto de empresa em reestruturação, o que permite mais despedimentos. "

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