segunda-feira, 17 de maio de 2010
Desenrascanço puro
Horripilante, é a única palavra que encontro para a variante cubista de castelhano com que hoje o Primeiro Ministro tentou cativar (?) uma audiência de empresários espanhóis.
Falar mal uma língua estrangeira, ou não a falar, não é vergonha nenhuma. É preferível saber falá-la bem, claro.
O que já entra no ridículo, e talvez no ofensivo e alvo de chacota, é assumir que o estrangeiro nos entende e nos respeita enquanto trinchamos alegremente a sua língua materna, talvez até convencidos de que lhe fazemos uma simpática homenagem por... "estar a tentar".
Teria sido entendido como ponto de honra, motivo de respeito, o escolher falar correctamente a sua língua materna - o que Sócrates faz muito bem, tirando alguma entoação - e apoiar-se ao mesmo tempo num intérprete ou na tradução simultânea.
terça-feira, 16 de março de 2010
D. Sebastião, o energético?
Depois de erros crassos e básicos, tais como:
a) A teimosia em defender sempre uma ministra da educação determinada, mas cega para algum bom senso;
b) O atraso na emenda de um código penal ineficaz, de uma reforma da justiça inexistente;
c) O atraso em reconhecer os efeitos da crise mundial no país, e na identificação do desemprego como alvo principal;
d) A atrasada tomada de medidas anti-crise dispersas demais para terem efeito;
e) A falta de realismo desse plano face à nossa situação de endividamento externo;
f) Um programa eleitoral completamente inviável, à luz do que tardiamente se clarificou e finalmente se assumiu;
g) Um PEC desequilibrado, tardio, sem ajustes estruturais, e que não devolve nenhuma esperança;
Depois disto tudo, o governo aparece agora na pessoa do (bom) Vieira da Silva, entregando aos portugueses um plano muito bem intencionado, novamente atrasado mas ainda buscando a credibilidade; um plano que custa o que já não temos, infelizmente:
http://economia.publico.pt/Noticia/novo-plano-para-a-energia-preve-investimento-de-31-mil-milhoes_1427366 Eu até gostava de acreditar, mas... como querem que vos leve a sério?
Sobre a "lei da rolha"
Por outro lado, é ainda mais absurdo - quase melhor que "a guerra", de Raúl Solnado - que o PSD peça um adiamento da discussão parlamentar do PEC porque está em fase de mudança de direcção. E o cuzinho lavado com água de rosas, não vai? Vocês não se entendem há séculos? O que tem o país a ver com isso?
Yes, Minister
Passaram quase 30 anos desde que esta série começou a ir para o ar, e no entanto, algumas das lições de Sir Humphrey Appleby continuam a ser extremamente actuais.
Estou a lembrar-me, por exemplo, daquele episódio em que ele explica a política externa inglesa ao seu ministro. Não há nada de novo debaixo do sol, na europa.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
O mamão da Madeira
A deliciosa e doce pequena banana é um dos magníficos frutos da ilha da Madeira. Mas ultimamente a banana ameaça ser ofuscada pelo... mamão... de Alberto João.Um homem quase "anti-estado", separatista de ocasião, que por sua vontade exigiria sempre mais graveto aos continentais.
Apoiando-o, encontramos ainda e sempre este triste PSD, que pelos vistos alinha em entalar o contribuinte em mais desmandos insulares de sequestro da República; Ouvimos falar de perseguição política materializada em sucessivos garrotes ao fruto sub-tropical...
Mas se também sabemos que a Madeira já figura entre as regiões menos pobres do país - e muito bem - será que o PSD poderia discutir a decisão com base nesses números?
Com base na razão e em factos, em vez de embandeirar em carnavais?
O que dirão os transmontanos ou alentejanos perante isto? Serão menos portugueses do que os madeirenses?
domingo, 24 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Economia telecomandada
A Moody's diz e... as focas amestradas abanam a cabeça, reverentemente e em obediência absoluta... (só é pena que a Moody's não tenha detectado a bolha imobiliária, como se calhar também seria de esperar).Um simples aviso da agência para um possível corte do rating nacional e, hélas, sobe o risco da dívida portuguesa. Os americanos têm um termo para isto: chamam-lhe "self fulfilling prophecies".
Quem beneficia? Os bancos que emprestam dinheiro aos portugueses. Alguns deles os mesmos que os Estados que representam os contribuintes deste mundo tiveram de salvar...
"Money makes the world go 'round"
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Cão de Sócrates sob vigilância

domingo, 25 de outubro de 2009
O mártir Berlusconi...
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Por falar em fanáticos...
Para a posteridade, ficamos com esta pérola que ilustra muito claramente a faceta democrática do intelectual sem fundilhos que é o Dr. Vasco Graça Moura. Um homem de receitas bem montadas no erário público, Cavaquista convicto, eminência correlegionária do uso e abuso do falso silogismo, carácter sem qualquer pingo de respeito pela res pública e pelo seu verdadeiro e único patrono de quase sempre: o povo de Portugal."MAIS DO MESMO por Vasco Graça Moura - 30 Setembro 2009
O povo português acaba de demonstrar a sua fatal propensão para viver num mundo às avessas. Não há nada a fazer senão respeitá-la. Mas nenhum respeito do quadro legal, institucional e político me impede de considerar absolutamente vergonhosa e delirante a opção que o eleitorado acaba de tomar e ainda menos me impede de falar dos resultados com o mais total desprezo.
Só o mais profundo analfabetismo político, de braço dado com a mais torpe cobardia, explica esta vitória do Partido Socialista.
Não se diga que tomo assim uma atitude de mau perdedor, ou que há falta de fair play da minha parte. É timbre das boas maneiras felicitar o vencedor, mas aqui eu encontro-me perante um conflito de deveres: esse, das felicitações na hora do acontecimento, que é um dever de cortesia, e o de dizer o que penso numa situação como aquela que atravessamos, que é um dever de cidadania.
Opto pelo segundo. Por isso, quando profiro estas e outras afirmações, faço-o obedecendo ao imperativo cívico e político de denunciar também neste momento uma situação de catástrofe agravada que vai continuar a fazer-nos resvalar para um abismo irrecuperável.
Entendo que o Governo que sair destes resultados não pode ter tréguas e tenciono combatê-lo em tudo quanto puder. Sabe-se de antemão que o próximo Governo não vai prestar para nada!
É de prever que, dentro de pouco tempo, sejamos arrastados para uma situação de miséria nacional irreversível, repito, de miséria nacional irreversível, e por isso deve ser desde já responsabilizado um eleitorado que, de qualquer maneira, há-de levar a sua impudência e a sua amorfia ao ponto de recomeçar com a mais séria conflitualidade social dentro de muito pouco tempo em relação a esta mesma gente inepta a quem deu a maioria.
O voto nas legislativas revelou-se acomodatício e complacente com o status quo. Talvez por se tratar, na sua grande maioria, de um voto de dependentes directos ou indirectos do Estado, da expressão de criaturas invertebradas que não querem nenhuma espécie de mudança da vidinha que levam e que se estão marimbando para o futuro e para as hipotecas que as hostes socialistas têm vindo a agendar ao longo do tempo. O que essa malta quer é o rendimento mínimo, o subsídio por tudo e por nada, a lei do menor esforço.
Mas as empresas continuarão a falir, os desempregados continuarão a aumentar, os jovens continuarão sem ter um rumo profissional para a sua vida. Pelos vistos a maioria não só gosta disso, como embarcou nas manipulações grosseiras, nas publicidades enganosas, nas aldrabices mediáticas, na venda das ilusões mais fraudulentamente vazias de conteúdo.
A vitória foi dada à força política que governou pior, ao elenco de responsáveis que mais incompetentemente contribuiu para o agravamento da crise e para o esboroar da sustentabilidade, ao clube de luminárias pacóvias que não soube prevenir o desemprego, nem resolver os problemas do trabalho, nem os da educação, nem os da justiça, nem os da segurança, nem os do mundo rural, nem nenhuma das demais questões relevantes e relativas a todos os aspectos políticos, sociais, culturais, económicos e cívicos de que se faz a vida de um país.
Este prémio dado à incompetência mais clamorosa vai ter consequências desastrosas. A vida dos portugueses é, e vai continuar a ser, uma verdadeira trampa, mas eles acabam de mostrar que preferem chafurdar na porcaria a encontrar soluções verdadeiras, competentes, dignas e limpas. A democracia é assim. Terão o que merecem e é muitíssimo bem feito. O País acaba de mostrar que prefere a arrogância e a banha de cobra. Pois besunte-se com elas que há-de ter um lindo enterro.
A partir de agora, só haverá mais do mesmo. Com os socialistas no Governo, Portugal não sairá da cepa torta nos próximos anos, ir-se-á afundando cada vez mais no pântano dos falhanços, das negociatas e dos conluios, e dentro de pouco tempo nem sequer será digno de ser independente. Sejam muito felizes."
Mensagem a Maitê Proença
domingo, 11 de outubro de 2009
Obrigado, Sr. Presidente!
Tal como já tinhamos escrito, a declaração do PR apenas serviu, entre outras coisas más, para promover ameaças à segurança nacional:sexta-feira, 2 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Uma paródia!
A maioria dos portugueses ignora que toda esta estória de suspeita de "escutas" e "vulnerabilidades" no sistema informático da Presidência da República será, sem a menor dúvida, alvo certo da chacota de todos os serviços de informação na Europa e para lá dela. Pensar que ninguém, a esse nível, queira saber do que se passa em Portugal é de uma grande ingenuidade.De uma penada, todos ficaram a saber pela voz do próprio Presidente português, que deve ser uma brincadeira de crianças comprometer e violar informação confidencial do Estado, ainda que ao mais alto nível. Não é admissão pública que se possa fazer sem os devidos fundamentos, as devidas despistagens e o devido decoro e discreção.
Cavaco não se deve admirar que nos seus próximos encontros bilaterais apanhe com alguns sorrisos sardónicos.
Nunca, mas nunca, uma suspeita de vigilância foi tratada desta forma aberrante e infantil num Estado de Direito que se preze. Mesmo que hipoteticamente existissem - ou existam - indícios de vigilância do Governo sobre a PR, o caso merecia outro tipo de tratamento.
Assim, a declaração de terça-feira do senhor Presidente da República não só compromete a estabilidade política entre as mais altas instituições portuguesas, como também coloca a nu matérias sérias que intersectam o espaço da segurança nacional. Isso acontece por iniciativa do próprio Chefe Supremo das Forças Armadas, que é Cavaco.
Mais esquisito, só mesmo a publicação acidental de agentes da secreta portuguesa, há uns anos atrás.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
E agora, senhor engenheiro?
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Inacreditável, mas verídico!

"«Quando chega a esta hora e tenho de vir dizer umas palavras sinto uma certa atrapalhação, tendo presente a audiência que tenho pela frente, jornalistas», confessou o Presidente da República, Cavaco Silva, na cerimónia de entrega dos Prémios Gazeta 2008, que decorreu no auditório da Caixa Geral de Depósitos.
Por isso, relatou Cavaco Silva, hoje ao final da tarde chamou um assessor para que o aconselhasse sobre o que dizer.
«Elogie os jornalistas, elogie a comunicação social, sublinhe a isenção, a independência, a objectividade, diga que agora gasta pelo menos 30 minutos a ler os jornais todos os dias e não apenas 5 minutos, que vê os telejornais, incluindo o de sexta-feira, o de sábado e o de domingo», sugeriu o assessor, segundo as palavras do próprio Presidente da República.
«Eu disse: não pode ser, porque se faço isso dizem imediatamente que estou a passar a mão pelo pêlo dos jornalistas para eles dizerem bem de mim», contou o chefe de Estado.
Foi então que o assessor o aconselhou a «ir pelo caminho contrário», fazendo uma análise crítica do jornalismo social, sugestão também declinada por Cavaco Silva, que confessou temer que algum jornalista «pegasse no sapato» e lho atirasse.
Nessa altura, surgiu a terceira sugestão, igualmente recusada por Cavaco Silva: elogiar as preocupações sociais da Caixa Geral de Depósitos, promotora dos prémios Gazeta.
Como quarto conselho, continuou a relatar o chefe de Estado, o assessor disse para elogiar o Clube dos Jornalistas.
Finalmente, surgiu, então, a derradeira sugestão: «então só há uma hipótese, é o senhor falar, falar, mas não dizer nada. É uma táctica a que se recorre em situações difíceis».
«Isso não me parece mal, principalmente neste tempo eleitoral em que nós vivemos. Mas, depois pensei melhor e disse: sabe isso não é o meu hábito, não é o meu hábito falar e dizer nada, isso é capaz de não correr bem, eu não sou capaz, mas ele olhou para mim e disse 'yes, you can, yes you can', é preciso é treinar um pouco e vai a ver que consegue», revelou Cavaco Silva, animando a plateia."











