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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Exuberância irracional

A racionalidade já não importa nada. Nestes tempos pós-modernos, já só é preciso "ter pinta".

Não é preciso ter resultados, nem trabalhar; é preciso apenas fazer parecer que se tem resultados, fingir que se trabalha.

É um tempo de cábulas, tios patinhas, e burros pomposos. Todos actores da mesma peça trági-cómica.

Falar da necessidade de reformar a regulação financeira? Isso seria uma necessidade racional, mas com a vertigem dos meses transformou-se apenas em mais uma coisa demodé.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Tardança...ou Combate?

Resolvido que foi o problema do orçamento para 2010 eis-nos chegados ao momento que será crucial para o futuro de Sócrates e do seu governo.

Será ele capaz de aproveitar o ano que nos separa de novas eleições, no quadro da UE e de Portugal, para agir com outros governos e o seu próprio em direcção a uma social democracia menos vassala de interesses corporativos de classe ou do grande capital?

É bom que Sócrates, e o PS, se recordem que não estamos em 1983. O eleitorado compreende razoavelmente bem as razões pelas quais as classes médias têm vindo a ser empobrecidas e exigem acção determinada, sem fait-divers.

Não lhe vai chegar taxar os bónus maiores que 27.500 Euros dos banqueiros - uma medida insignificante, se isolada, meramente paliativa no acerto de contas com um sistema moral e economicamente falido; dificilmente lhe será permitido embarcar em mais "leis de diversão" sem punição eleitoral.

Sócrates tem agora de escolher: ou luta decisivamente pelo futuro duma social democracia sustentável, ou se resigna à gestão do compromisso, à navegação à vista... esperando-o nesse caso o desaire, sem dúvida.

Relativamente à leitura política da situação, Alegre revela a vantagem exercida sobre um Sócrates que assumiu tardiamente as consequências da crise internacional sobre o país, para logo as ter de combater apressadamente num quadro eleitoral de atascanço e polarização radical.

Aquilo que Alegre sabe - e aí vimos um político em acção - é que Sócrates, por mais que se mexa (e tem de o fazer) estará sempre mais ou menos refém da situação em curso, do combate à crise, dos efeitos de algumas duras decisões que se espera que tome, do desgaste político do enfrentamento com os oligarcas do statu quo.

O PS não terá outra escolha senão apoiá-lo, quanto mais não seja para que sirva ao eleitorado de escape, de mediador entre o sonho e a realidade.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Ears Wide Shut


Soubemos recentemente que o BCE não irá ajudar a Grécia a ultrapassar a crise nas suas finanças nacionais.

Que outra coisa se poderia esperar deste BCE?...

Portugal, que futuro?

Era bom que se entendessem sobre alguma coisa. A não ser assim, o despiste - dos dois - é absolutamente inevitável.

Nem Sócrates deve procurar o buraco da estrada que lhe permita escapulir-se da motoreta, nem Cavaco deve continuar a fingir ser bom condutor.

Acordai!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Uma Vida (texto de António Gomes Mota)


Texto de António Gomes Mota


"O Manuel era, aos 12 anos, meu colega no 3º ano do liceu, um bom companheiro e um bom aluno.Fez por estes dias 40 anos que o pai, escriturário numa empresa de transportes se suicidou. E o Manuel saiu da escola. O gesto do pai cortara qualquer hipótese de pensão à mãe, doméstica e, tendo apenas uma irmã mais nova, ele arcou com as despesas da casa. Empregou-se como ajudante numa mercearia, entregando cabazes volumosos das compras da clientela. Foi com o sorriso que me contou a novidade, já tinha salário e até lhe sobravam uns trocos para ir ao futebol.Dois anos depois conseguiu entrar para paquete de uma pequena empresa comercial. Teve um aumento de ordenado e um horário certo o que o levou a pensar voltar à escola, à noite, ideia que o 25 Abril num ápice matou, com a falência da empresa.Teve sorte e logo se empregou, com pior salário e horário mais duro, numa carpintaria. E, aos 16 anos, apaixonou-se pelas serras, pelo polimento e pelo verniz. Sentia que nascera para aquilo. E ali ficou 10 anos, no fim dos quais já era o braço direito do patrão, até que este aceitou uma proposta de compra da carpintaria. O Manuel depressa percebeu que o preço passara a comandar tudo e o seu saber deixara de contar. Saiu. Entretanto, a irmã licenciara-se em História, iniciando-se como professora de liceu, o Manuel casou-se e a mãe ficou a viver com ele.Na década seguinte, teve vários empregos, dois filhos, recuperou o sonho de voltar à escola e completou, já na linguagem de hoje, o 9º ano. Há 10 anos ingressou na secção de armazém de uma multinacional, onde ainda está hoje. Foi progredindo até chefe de secção e mudou-se para uma pequena vivenda, para lá de Loures, onde foi construindo na garagem, a troco de prescindir de ter carro, pelo espaço e pelo dinheiro, a sua carpintaria.Hoje tem como maior aspiração chegar ao dia em que, reformado com pensão completa, passe todos os dias na sua carpintaria, à volta dos móveis, o que já faz nas horas vagas trabalhando para os amigos, incapaz de cobrar preços decentes, mas sentindo-se feliz sempre que entra na garagem.Há 40 anos que desconta para a Segurança Social e terá de continuar a trabalhar para ter a reforma completa e assegurar que os filhos terminem os estudos.O Manuel foi solidário com a família, quando mais ninguém o foi, ofereceu sem uma queixa, o final da sua infância, a adolescência e juventude. Seria justo que pudesse em breve ter o tempo para realizar um sonho tão simples, o de entrar todos os dias, com um sorriso aberto, na sua garagem.Terá que esperar, porque na parte final da sua vida tem de ser outra vez solidário, trabalhar e descontar mais tempo, para outros viverem melhor. Há leis e reformas que, sendo necessárias, deveriam respeitar nas entrelinhas a vida de pessoas como o Manuel."

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Da Verdadeira Insustentabilidade


Um indicador utilizado para aferir do risco de incumprimento de países soberanos (o vulgar risco de "bancarrota"), é a medição do preço-aposta dos CDS (Credit Default Swaps), emitidos pelas entidades credoras para segurar o risco dos empréstimos que fazem aos estados nacionais.

Quanto mais cara uma unidade de seguro sobre 10.000 $USD (a unidade e moeda empregue acima), mais provável o risco de incumprimento.

Da tabela podem imediatamente retirar-se algumas conclusões:
  • Os dois países com maior risco de incumprimento são a Venezuela (em 2º lugar) e a Argentina (em 1º lugar); o caso da Argentina deveria fazer pensar todos aqueles que defendem a hipótese de saída de Portugal do Euro como uma espécie de "ovo de Colombo"
  • Há apenas dois países cujo risco desceu este ano: o Líbano e a Argentina (este último ainda em estado crítico, mas menos mal do que há um ano atrás)
  • O risco de incumprimento subiu, em maior ou menor medida, para todos os outros países analisados, entre Julho de 2008 e Julho de 2009
  • A Alemanha permanece com a dívida mais segura do mundo
  • Dos países da UE com mais risco do que Portugal, salientam-se a Espanha, a Áustria, a Eslováquia, a Itália, a Irlanda, a Polónia, a Grécia, e a Bulgária (8 países)

Pode imediatamente apreciar-se também que - e não é um consolo - o problema da eventual insustentabilidade das finanças públicas, ou melhor, o risco de incumprimento do estado português, está longe de ser um exclusivo na Europa.

Na verdade - e sobretudo para os que respeitam o mercado - a tabela emite uma mensagem muito clara: as finanças dos estados soberanos do mundo estão, por assim dizer, todas "lixadas".

E sabendo que a economia mundial tem - à excepção dos últimos anos - vindo a crescer durante décadas, arrisco 3 causas, combinadas em maior ou menor grau consoante o país:

1º) A falta de regulação sobre os mercados financeiros que tem permitido desnatar - pelos sistemas financeiros em primeiro lugar e pelas grandes corporações "não-financeiras", por outro - as economias nacionais e os sistemas de gestão do colectivo, os próprios estados. Numa palavra: neoliberalismo.

2º) Más decisões e escolhas políticas, falta de vontade ou visão política, desperdícios de natureza variada nas máquinas estatais, e desequilíbrios fiscais profundos, intra e entre nações.

3º) A falta de coordenação internacional na antecipação e combate ao problema - muito por culpa dos "teólogos de mercado" a la Greenspan, mas também da diversidade ainda grande de blocos económicos em competição profunda.

Em suma:

  • As finanças públicas mundiais estão agora num estado lastimável em quase todos os países do mundo, sem grandes excepções.
  • Em muitos países o "lado fácil da colecta" está no limite (a taxação excessiva directa e indirecta dos contribuintes efectivos, saíndo como grandes prejudicados as classes médias, os pequenos e médios empresários e os novos empresários)
  • O bolo que resta por colectar e que podia - e deveria - equilibrar os países e aliviar a pressão sobre o "lado fácil da colecta" requer grandes reformas políticas e de regulação, que ainda quase não tiveram lugar (as grandes fortunas pessoais e colectivas que fogem ao controlo de todos os estados, os off-shore, as lavagens de dinheiro que nunca foram combatidas a sério, e por aí fora - quase tudo resultado da excessiva liberdade na circulação de capitais).

Hoje, grandes interesses económicos demasiado poderosos e demasiado ocultos, bem como legiões de faltosos, criminosos, terroristas profissionais e outros "artistas", representam uma séria ameaça à soberania e liberdade política de muitas nações (noutros tantos casos a ameaça reside no próprio seio dos governos); esta ameaça não se limita ao mero poderio económico que compra ocasionalmente este ou aquele, mas que infiltra profundamente - ou já infiltrou - as instituições das democracias e a sua opinião pública.

A ameaça é credível e séria: é difusa, está oculta em grande parte, acumulou demasiado poder, e é atravessada por um interesses ultra-egoístas e sem escrúpulos: acumular mais dinheiro, comprar mais pessoas, mais opiniões, mais negócios e mais governos (sem que seja preciso, em muitos casos, recorrer à ilegalidade).

É verdade que a democracia associada ao mercado tem sido uma fonte de prosperidade social.

Mas só assim poderá continuar a ser, se à palavra mercado, se acrescentar o termo "regulado" (regulação eficaz, eficiente e fiscalizada, e não burocracia avulso de interesse encapotado).

Fora desse ponto de equilíbrio político-económico, percebe-se - exemplos no mundo não faltam - que o capitalismo desregrado e selvagem é compatível com qualquer sistema político, com excepção do comunismo (e mesmo nesse caso, temos a China).

O poder económico excessivo e o poder político entretanto já corrompido por esse pode ser a mais formidável ameaça à liberdade individual que paira sobre os povos de nações ainda tidas por "livres", ou "democráticas".

Estamos a entrar num momento de clarificações, de oportunidade para a mudança e, não obstante, num momento de perigo máximo.

Deste panorama, e após mais ou menos conflitos, tanto podem resultar mantas de retalhos de democracias "musculadas", e mais ditaduras, sempre e quando não exista o cuidado da liderança e de união contra uma ameaça global; ou um mundo um pouco melhor se se regular bem e a tempo; se se lutar contra a corrupção de interesses fora e dentro das máquinas públicas; se pelo menos os povos mais poderosos, mais interessados num certo ideal de civilização, estiverem ainda dispostos a recorrer ao "uso da força" para fazer valer as suas boas leis e expulsar ou derrotar a "má moeda" do seu seio.

Se se escolher ignorar a trajectória que leva a ameaça para se apostar em detê-la a tempo; se não emergirem líderes suficientemente corajosos; se os interesses económicos de poucos se tornarem tão poderosos que minem os interesses da maioria; então desembocaremos talvez numa nova era de trevas.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Mais impostos? Hum...

Tenho muito apreço pessoal e profissional pelo Doutor Vítor Constâncio. Mas até ele deve saber que aquilo que alvitrou - que vai ser necessário aumentar impostos, outra vez, para equilibrar contas - não pode ser já dito apenas com essa fórmula simples - de que aí vem trovoada para todos - em jeito de panaceia geral para resolver os males portugueses dos últimos 20 anos.

Não há mais margem, nem política nem real, para que a classe média pague mais impostos em Portugal.

Taxem os bancos, os off-shore, as mais valias mobiliárias, os (muito) ricos. Desta vez cabe muito ao Estado - e a todos os que mais têm subtraído liquidez à nossa economia - reduzirem desperdícios e fugas à contribuição para a sociedade em que também vivem.

Por um lado, cortar na despesa com a Administração Pública (partes dela; porque outras precisam de reforços) e, por outro lado, chamar à pedra quem se tem sempre furtado a contribuir da forma justa e proporcional. Eis o que é preciso: determinação e parcimónia, e desta vez a sério.

O que ao povo se pediu, ele já contribuiu; É preciso que se tenha a noção do que é excessivo e do que é absurdo. A falta de bom senso neste domínio pode levar à mais completa ruptura social ainda antes da efectiva, e eventual, ruptura financeira do país.

domingo, 8 de novembro de 2009

Reforma do Sistema de Saúde nos EUA

Finalmente, passou - ainda que por apenas 5 votos de diferença - a reforma do sistema de saúde norte-americano.

A reforma prevê o alargamento da cobertura médica a quase toda a população norte-americana.

Esta é a segunda grande vitória política de Obama, mesmo a tempo do aniversário do primeiro ano passado sobre a sua eleição. Veremos agora como se vão passar as coisas no Senado.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Rendimento Máximo Garantido

Enquanto por cá, num país em que a fome aumenta com o desemprego, o CDS-PP faz bandeira (acompanhado do PSD), da necessidade absoluta de intensa fiscalização ao Rendimento Mínimo Garantido (RSI), nos EUA o Internal Revenue Service, o original e muy temido "IRS", criou uma unidade especial de investigação com foco em rendimentos superiores a 30 milhões de dólares.

A nova unidade alargou as suas investigações ao Panamá, a Sydney e a Pequim, abrindo aí escritórios especiais, à semelhança dos que já existiam em Barbados e Hong Kong.

O IRS americano revelou que os americanos que aceitaram de moto próprio revelar a existência de contas off shore - para beneficiar duma amnistia parcial em vigor até meados deste mês - permitiram a descoberta de várias contas de valor superior a 100 milhões de dólares... Ao todo, cerca de 7.500 americanos decidiram-se por esta opção.

Na Europa medra ainda - salvo poucas excepções - um silêncio perturbador sobre este assunto.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Go Nova, Go!



Excerto de artigo de Ana Rute Silva, in Público:


"Programa de gestão internacional oferecido pela Universidade Nova conseguiu o primeiro lugar entre 50 analisados pelo Financial TimesO nome da universidade não está lá. Nem sequer o país. Mas há uma escola pública portuguesa que oferece o melhor mestrado do mundo em gestão internacional e ocupa o primeiro lugar do ranking que o Financial Times(FT) hoje publica: a Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. O programa do CEMS (uma rede internacional de escolas) que a Nova passou a oferecer desde Agosto foi considerado o melhor pelo jornal económico britânico e ultrapassou o mestrado da HEC Paris (École des Hautes Études Commerciales) que ocupava, desde 2007, o primeiro lugar. O terceiro ficou reservado à ESCP Europe, fundada em 1819 e comcampus em França, Reino Unido, Alemanha, Espanha e Itália. Há cerca de dois anos, e depois de uma competição renhida entre as escolas de gestão portuguesas, o CEMS seleccionou a Faculdade de Economia da Nova para integrar esta espécie de "liga de honra" internacional do ensino da gestão, composta por 28 instituições académicas de topo e apoiada por 57 empresas. O MIM, sigla para Masters in International Management, é a imagem de marca do CEMS, com reconhecimento à escala global. E, por isso, o director da Faculdade de Economia não esconde a satisfação. "Obter o primeiro lugar no rankingdoFT é o culminar de uma estratégia de anos. Somos uma escola pública e esta é a melhor forma de servir o país. Para que os estudantes portugueses tenham acesso a uma formação igual à das melhores escolas do mundo", diz José Ferreira Machado, que desvaloriza o facto de não estarem explícitos os nomes da faculdade ou do país. O prestígio é alcançado com a possibilidade de acesso, justifica. E o que interessa "é um estudante português poder fazer em Lisboa um dos mestrados de maior fama internacional". Na competição mundial pelos melhores talentos, vence o país que consegue projectar os seus quadros. "Os estudantes portugueses podem, com esta formação, trabalhar no mundo e mostrar o talento da juventude portuguesa. Isso é muito importante para o país", considera. A turma que começou o programa a 31 de Agosto tem 34 alunos; para o próximo ano já há 45 admissões. Depois da publicação do ranking, a Nova espera receber mais candidaturas mas não tem capacidade para aumentar o número de estudantes. "No total dos mestrados recebemos 200 alunos e este é o limite que podemos aceitar tendo em conta as instalações. Espero ter melhores estudantes [no mestrado em gestão internacional], mas não vamos admitir mais. Somos uma escola pública sem PIDDAC (Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central) há sete anos", desabafa. As empresas EDP e Millennium bcp, parceiras do CEMS, estão envolvidas directamente na selecção dos candidatos. Falar duas línguas e ter capacidade para trabalhar em ambientes multiculturais são os principais critérios de admissão. Para frequentar o MIM, que custa 14.400 euros, os alunos têm primeiro de ser aceites num mestrado da Nova em Economia, Finanças ou Gestão, que frequentam durante um ano. Só depois integram o MIM, ficando no final com dois graus académicos. A Faculdade de Economia da Nova - que foi também a primeira universidade criar um MBA em Portugal em 1980 - factura com os mestrados cerca de dois milhões de euros, o mesmo que com as licenciaturas. "

Educação, Texas style


Um dos maiores problemas que os norte-americanos enfrentam prende-se com a educação que, afinal de contas, o sistema liberal não está a produzir - à excepção das melhores Universidades do mundo.

Aconselho a leitura, de novo, de uma recente crónica de Paul Krugman:

http://www.nytimes.com/2009/10/09/opinion/09krugman.html?_r=2&th&emc=th



domingo, 11 de outubro de 2009

Uma questão de bom senso

“I’m also fairly conventional on how economies should be run. Self-interest is still the best motivator we know – or more accurately, the only consistent motivator. So I’m for market economies. But I’m for market economies with strong safety nets, with adult supervision in capital markets, with public provision of goods the private sector does badly (like basic research and much of education.) An idealized New Deal is about as far as I go.”

P. Krugman

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Má gestão, stress e suicídios: France Telecom

Segundo Christian Larose, suicidam-se em França entre 300 a 400 trabalhadores por ano, em consequência de pressão nos respectivos locais de trabalho.

Em 2007, ano de reorganizações para várias empresas automóveis, suicidaram-se numa semana 3 trabalhadores da Peugeot, em Mulhouse (um deles foi encontrado enforcado dentro da instalação). Também nesse ano suicidaram-se 4 trabalhadores do Renault Technocentre em Guyancourt (que já tinha por média um suicídio por ano).

Numa das situações, uma acção de solidariedade de colegas motivou repreensões explícitas (Peugeot).

Agora vem a lume a história mais trágica da France Telecom: 23 suicídios em apenas ano e meio!

Como é possível a gestão de pessoas ter chegado a este ponto tão baixo?

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Lembram-se do "monstro"?

Se agência Lusa noticiava hoje um decréscimo de 42.837 funcionários públicos nos últimos 4 anos, fixando-se o número total global nos 523.119 funcionários a finais de Junho (fonte: Ministério das Finanças).

Se bem me lembro, foi Sócrates quem pediu o elenco completo de funcionários públicos, após 2005 (número que nunca foi conhecido com rigor antes dele). E se bem me lembro também, o número total já andou perto dos 700.000 durante os anos Guterres (o tempo do "monstro").

Podem existir muitas razões de fundo para isto, nem todas necessariamente boas, mas é forçoso incluir nesse elenco a reforma da Administração Pública que o Governo de Sócrates encetou para explicar este resultado algo inimaginável há apenas 4 anos.

sábado, 19 de setembro de 2009

Mercado de arrendamento em alta

Segundo Luísa Pinto, do Público, "O estrangulamento no acesso ao crédito, que se mantém apesar da baixa das taxas de juro, está a fazer mais pela reanimação do mercado de arrendamento do que as alterações legislativas que estão no terreno há mais de três anos. Mas fê-lo de uma forma tão rápida e eficaz que não deu tempo ao mercado para se ajustar à procura que agora existe."

Esta é uma boa notícia, não só porque sinaliza o reajustamento entre parte da população e o emprego como porque, a manter-se a tendência de crecimento do mercado de arrendamento, dar-se-ão a prazo efeitos positivos ao nível do mercado de trabalho e do endividamento das famílias.

domingo, 30 de agosto de 2009

Do positivo (programa do PSD)

"Concentrar num único portal de informação pública os apoios do Estado, discriminados por empresa e por entidade, com os montantes, situação dos processos e datas de tramitação."

Positivo e necessário. O PS tem intenção idêntica mas já a deveria ter implementado e melhor promovido. Os apoios públicos tornaram-se numa hidra demasiado dispersa. É urgente a sua disposição de uma forma prática e ao serviço de qualquer cidadão.

Do positivo e do negativo (programa do PSD)

Logo no início do programa, na sua parte relativa à economia, aparece o objectivo de dar maior independência e eficácia à Autoridade da Concorrência. Positivo.

Mas aparece também próxima a intenção de "reduzir a excessiva regulamentação de mercados e produtos". Negativo. Para começar, é a antítese da lição principal da crise: a de que a regulação adequada dos mercados - quaisquer mercados - é uma necessidade para a sua sustentabilidade.

Depois porque uma coisa é remover obstáculos e burocracias a um funcionamento mais regular dos negócios - sobretudo dos pequenos negócios - e outra coisa é tentar confundir isso com mais desregulamentação.

O programa parece assim confundir burocracia desnecessária e abusos vários de soberania sobre a iniciativa privada com regulação, coisa bem diferente.

Quando tenta concretizar, o PSD afirma no seu programa que falta concorrência nos combustíveis (correcto), nos transportes (depende), na electricidade (cada vez menos) e nas telecomunicações (incorrecto). O mais redutor é porém a ancoragem implícita de um reforço da A.C. apenas nestas áreas, quando tanto há a fazer noutras.

Mas o PSD vai mais longe e distrai-nos - esquecendo por completo os mercados de produto - com a necessidade de "aumentar a concorrência no mercado de serviços". Ou está a pensar novamente na Saúde, Educação e Pensões (piscando o olho à privatização de património público) ou então está alienado da realidade porque a concorrência nos serviços privados em Portugal, numa generalidade de áreas, é bem mais forte do que nos mercados de produto.

Por outro lado, e se o PSD vai conduzir uma estratégia que promova as exportações, como será que pretende estimular a concorrência e a inovação na economia de produtos, na indústria se, à partida, a identifica implicitamente como área especial a proteger. Pretenderá nacionalizar a indústria? Ou, como a França fez nos anos 50 e 60, formar novas industrias nacionais?

Não se percebe.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Papão a sério: a Dívida Externa

Ou se corrige cortando a torto e a direito, se for preciso através do osso (PSD); ou se acredita que ainda há tempo (pouco) para reorganizar o país de forma a produzir mais para pagar a dívida a tempo e horas (PS).

Curiosamente, o partido que mais tem instrumentalizado a religião em Portugal, é aquele com menor grau de Fé no futuro.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

(In)justiças

É de lamentar que o Governo ainda não tenha tirado as devidas ilações sobre as mal sucedidas alterações ao código penal. Não só a criminalidade e a impunidade aumentaram - todos os portugueses o sentem, apesar das estatísticas - como os meios de investigação para a criminalidade mais complexa foram severamente amputados.

Eis um verdadeiro problema que alguma oposição deveria estudar mais a sério.

Outro problema importante diz respeito à assimetria de condições que enfrentam as pequenas empresas face às maiores: o Estado deveria ser mais complacente com todas as micro e pequenas empresas, sobretudo no período que atravessamos.

Não basta que se possa abrir uma empresa na hora, se o Estado se apressa a ligar logo o seu taxímetro implacável. Numa economia tão pequena e tão pouco diversificada como o é a nossa, era fundamental que se incentivassem coerentemente todos os arranques de actividade, toda a iniciativa privada de pequena dimensão.

O país bem disso precisa, mas essa liberdade - sabe-o bem que tenha pequenos negócios - ainda não chegou ao nosso país.

É mais um assunto onde seria de esperar mais afinco das oposições responsáveis e conscientes da realidade.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Convite à reflexão e à acção

Algumas pessoas têm-me perguntado o que penso que virá a emergir do pós-crise. Tenho algumas noções das possibilidades, tanto sobre os cenários muito negativos como sobre os muito positivos. Pouco importa o que penso.

O momento é de mudança - ou de oportunidade para a mudança - e é sobretudo no campo político que se desenhará o futuro (antes a política estava brutalmente contaminada e cristalizada na "teologia de mercado").

Agora é o momento certo, necessário, para participar e dar o corpo ao manifesto ou, pelo menos, combater por aquilo em que se acredita poder vir a fazer um mundo um pouco melhor. Ajudar a clarificar os campos e as ideias.

É porque os riscos são enormes que é necessário que se mexam.