quarta-feira, 28 de abril de 2010
Exuberância irracional
Não é preciso ter resultados, nem trabalhar; é preciso apenas fazer parecer que se tem resultados, fingir que se trabalha.
É um tempo de cábulas, tios patinhas, e burros pomposos. Todos actores da mesma peça trági-cómica.
Falar da necessidade de reformar a regulação financeira? Isso seria uma necessidade racional, mas com a vertigem dos meses transformou-se apenas em mais uma coisa demodé.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Tardança...ou Combate?
Resolvido que foi o problema do orçamento para 2010 eis-nos chegados ao momento que será crucial para o futuro de Sócrates e do seu governo.Será ele capaz de aproveitar o ano que nos separa de novas eleições, no quadro da UE e de Portugal, para agir com outros governos e o seu próprio em direcção a uma social democracia menos vassala de interesses corporativos de classe ou do grande capital?
É bom que Sócrates, e o PS, se recordem que não estamos em 1983. O eleitorado compreende razoavelmente bem as razões pelas quais as classes médias têm vindo a ser empobrecidas e exigem acção determinada, sem fait-divers.
Não lhe vai chegar taxar os bónus maiores que 27.500 Euros dos banqueiros - uma medida insignificante, se isolada, meramente paliativa no acerto de contas com um sistema moral e economicamente falido; dificilmente lhe será permitido embarcar em mais "leis de diversão" sem punição eleitoral.
Sócrates tem agora de escolher: ou luta decisivamente pelo futuro duma social democracia sustentável, ou se resigna à gestão do compromisso, à navegação à vista... esperando-o nesse caso o desaire, sem dúvida.
Relativamente à leitura política da situação, Alegre revela a vantagem exercida sobre um Sócrates que assumiu tardiamente as consequências da crise internacional sobre o país, para logo as ter de combater apressadamente num quadro eleitoral de atascanço e polarização radical.
Aquilo que Alegre sabe - e aí vimos um político em acção - é que Sócrates, por mais que se mexa (e tem de o fazer) estará sempre mais ou menos refém da situação em curso, do combate à crise, dos efeitos de algumas duras decisões que se espera que tome, do desgaste político do enfrentamento com os oligarcas do statu quo.
O PS não terá outra escolha senão apoiá-lo, quanto mais não seja para que sirva ao eleitorado de escape, de mediador entre o sonho e a realidade.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Ears Wide Shut
Portugal, que futuro?
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Uma Vida (texto de António Gomes Mota)

terça-feira, 24 de novembro de 2009
Da Verdadeira Insustentabilidade

Um indicador utilizado para aferir do risco de incumprimento de países soberanos (o vulgar risco de "bancarrota"), é a medição do preço-aposta dos CDS (Credit Default Swaps), emitidos pelas entidades credoras para segurar o risco dos empréstimos que fazem aos estados nacionais.
Quanto mais cara uma unidade de seguro sobre 10.000 $USD (a unidade e moeda empregue acima), mais provável o risco de incumprimento.
Da tabela podem imediatamente retirar-se algumas conclusões:
- Os dois países com maior risco de incumprimento são a Venezuela (em 2º lugar) e a Argentina (em 1º lugar); o caso da Argentina deveria fazer pensar todos aqueles que defendem a hipótese de saída de Portugal do Euro como uma espécie de "ovo de Colombo"
- Há apenas dois países cujo risco desceu este ano: o Líbano e a Argentina (este último ainda em estado crítico, mas menos mal do que há um ano atrás)
- O risco de incumprimento subiu, em maior ou menor medida, para todos os outros países analisados, entre Julho de 2008 e Julho de 2009
- A Alemanha permanece com a dívida mais segura do mundo
- Dos países da UE com mais risco do que Portugal, salientam-se a Espanha, a Áustria, a Eslováquia, a Itália, a Irlanda, a Polónia, a Grécia, e a Bulgária (8 países)
Pode imediatamente apreciar-se também que - e não é um consolo - o problema da eventual insustentabilidade das finanças públicas, ou melhor, o risco de incumprimento do estado português, está longe de ser um exclusivo na Europa.
Na verdade - e sobretudo para os que respeitam o mercado - a tabela emite uma mensagem muito clara: as finanças dos estados soberanos do mundo estão, por assim dizer, todas "lixadas".
E sabendo que a economia mundial tem - à excepção dos últimos anos - vindo a crescer durante décadas, arrisco 3 causas, combinadas em maior ou menor grau consoante o país:
1º) A falta de regulação sobre os mercados financeiros que tem permitido desnatar - pelos sistemas financeiros em primeiro lugar e pelas grandes corporações "não-financeiras", por outro - as economias nacionais e os sistemas de gestão do colectivo, os próprios estados. Numa palavra: neoliberalismo.
2º) Más decisões e escolhas políticas, falta de vontade ou visão política, desperdícios de natureza variada nas máquinas estatais, e desequilíbrios fiscais profundos, intra e entre nações.
3º) A falta de coordenação internacional na antecipação e combate ao problema - muito por culpa dos "teólogos de mercado" a la Greenspan, mas também da diversidade ainda grande de blocos económicos em competição profunda.
Em suma:
- As finanças públicas mundiais estão agora num estado lastimável em quase todos os países do mundo, sem grandes excepções.
- Em muitos países o "lado fácil da colecta" está no limite (a taxação excessiva directa e indirecta dos contribuintes efectivos, saíndo como grandes prejudicados as classes médias, os pequenos e médios empresários e os novos empresários)
- O bolo que resta por colectar e que podia - e deveria - equilibrar os países e aliviar a pressão sobre o "lado fácil da colecta" requer grandes reformas políticas e de regulação, que ainda quase não tiveram lugar (as grandes fortunas pessoais e colectivas que fogem ao controlo de todos os estados, os off-shore, as lavagens de dinheiro que nunca foram combatidas a sério, e por aí fora - quase tudo resultado da excessiva liberdade na circulação de capitais).
Hoje, grandes interesses económicos demasiado poderosos e demasiado ocultos, bem como legiões de faltosos, criminosos, terroristas profissionais e outros "artistas", representam uma séria ameaça à soberania e liberdade política de muitas nações (noutros tantos casos a ameaça reside no próprio seio dos governos); esta ameaça não se limita ao mero poderio económico que compra ocasionalmente este ou aquele, mas que infiltra profundamente - ou já infiltrou - as instituições das democracias e a sua opinião pública.
A ameaça é credível e séria: é difusa, está oculta em grande parte, acumulou demasiado poder, e é atravessada por um interesses ultra-egoístas e sem escrúpulos: acumular mais dinheiro, comprar mais pessoas, mais opiniões, mais negócios e mais governos (sem que seja preciso, em muitos casos, recorrer à ilegalidade).
É verdade que a democracia associada ao mercado tem sido uma fonte de prosperidade social.
Mas só assim poderá continuar a ser, se à palavra mercado, se acrescentar o termo "regulado" (regulação eficaz, eficiente e fiscalizada, e não burocracia avulso de interesse encapotado).
Fora desse ponto de equilíbrio político-económico, percebe-se - exemplos no mundo não faltam - que o capitalismo desregrado e selvagem é compatível com qualquer sistema político, com excepção do comunismo (e mesmo nesse caso, temos a China).
O poder económico excessivo e o poder político entretanto já corrompido por esse pode ser a mais formidável ameaça à liberdade individual que paira sobre os povos de nações ainda tidas por "livres", ou "democráticas".
Estamos a entrar num momento de clarificações, de oportunidade para a mudança e, não obstante, num momento de perigo máximo.
Deste panorama, e após mais ou menos conflitos, tanto podem resultar mantas de retalhos de democracias "musculadas", e mais ditaduras, sempre e quando não exista o cuidado da liderança e de união contra uma ameaça global; ou um mundo um pouco melhor se se regular bem e a tempo; se se lutar contra a corrupção de interesses fora e dentro das máquinas públicas; se pelo menos os povos mais poderosos, mais interessados num certo ideal de civilização, estiverem ainda dispostos a recorrer ao "uso da força" para fazer valer as suas boas leis e expulsar ou derrotar a "má moeda" do seu seio.
Se se escolher ignorar a trajectória que leva a ameaça para se apostar em detê-la a tempo; se não emergirem líderes suficientemente corajosos; se os interesses económicos de poucos se tornarem tão poderosos que minem os interesses da maioria; então desembocaremos talvez numa nova era de trevas.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Mais impostos? Hum...
Tenho muito apreço pessoal e profissional pelo Doutor Vítor Constâncio. Mas até ele deve saber que aquilo que alvitrou - que vai ser necessário aumentar impostos, outra vez, para equilibrar contas - não pode ser já dito apenas com essa fórmula simples - de que aí vem trovoada para todos - em jeito de panaceia geral para resolver os males portugueses dos últimos 20 anos.Não há mais margem, nem política nem real, para que a classe média pague mais impostos em Portugal.
Taxem os bancos, os off-shore, as mais valias mobiliárias, os (muito) ricos. Desta vez cabe muito ao Estado - e a todos os que mais têm subtraído liquidez à nossa economia - reduzirem desperdícios e fugas à contribuição para a sociedade em que também vivem.
Por um lado, cortar na despesa com a Administração Pública (partes dela; porque outras precisam de reforços) e, por outro lado, chamar à pedra quem se tem sempre furtado a contribuir da forma justa e proporcional. Eis o que é preciso: determinação e parcimónia, e desta vez a sério.
O que ao povo se pediu, ele já contribuiu; É preciso que se tenha a noção do que é excessivo e do que é absurdo. A falta de bom senso neste domínio pode levar à mais completa ruptura social ainda antes da efectiva, e eventual, ruptura financeira do país.
domingo, 8 de novembro de 2009
Reforma do Sistema de Saúde nos EUA
Finalmente, passou - ainda que por apenas 5 votos de diferença - a reforma do sistema de saúde norte-americano.A reforma prevê o alargamento da cobertura médica a quase toda a população norte-americana.
Esta é a segunda grande vitória política de Obama, mesmo a tempo do aniversário do primeiro ano passado sobre a sua eleição. Veremos agora como se vão passar as coisas no Senado.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Rendimento Máximo Garantido
Enquanto por cá, num país em que a fome aumenta com o desemprego, o CDS-PP faz bandeira (acompanhado do PSD), da necessidade absoluta de intensa fiscalização ao Rendimento Mínimo Garantido (RSI), nos EUA o Internal Revenue Service, o original e muy temido "IRS", criou uma unidade especial de investigação com foco em rendimentos superiores a 30 milhões de dólares. A nova unidade alargou as suas investigações ao Panamá, a Sydney e a Pequim, abrindo aí escritórios especiais, à semelhança dos que já existiam em Barbados e Hong Kong.
O IRS americano revelou que os americanos que aceitaram de moto próprio revelar a existência de contas off shore - para beneficiar duma amnistia parcial em vigor até meados deste mês - permitiram a descoberta de várias contas de valor superior a 100 milhões de dólares... Ao todo, cerca de 7.500 americanos decidiram-se por esta opção.
Na Europa medra ainda - salvo poucas excepções - um silêncio perturbador sobre este assunto.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Go Nova, Go!

Educação, Texas style

Aconselho a leitura, de novo, de uma recente crónica de Paul Krugman:
http://www.nytimes.com/2009/10/09/opinion/09krugman.html?_r=2&th&emc=th
domingo, 11 de outubro de 2009
Uma questão de bom senso
P. Krugman
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Má gestão, stress e suicídios: France Telecom
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Lembram-se do "monstro"?
Se agência Lusa noticiava hoje um decréscimo de 42.837 funcionários públicos nos últimos 4 anos, fixando-se o número total global nos 523.119 funcionários a finais de Junho (fonte: Ministério das Finanças).sábado, 19 de setembro de 2009
Mercado de arrendamento em alta
Segundo Luísa Pinto, do Público, "O estrangulamento no acesso ao crédito, que se mantém apesar da baixa das taxas de juro, está a fazer mais pela reanimação do mercado de arrendamento do que as alterações legislativas que estão no terreno há mais de três anos. Mas fê-lo de uma forma tão rápida e eficaz que não deu tempo ao mercado para se ajustar à procura que agora existe."Esta é uma boa notícia, não só porque sinaliza o reajustamento entre parte da população e o emprego como porque, a manter-se a tendência de crecimento do mercado de arrendamento, dar-se-ão a prazo efeitos positivos ao nível do mercado de trabalho e do endividamento das famílias.
domingo, 30 de agosto de 2009
Do positivo (programa do PSD)
"Concentrar num único portal de informação pública os apoios do Estado, discriminados por empresa e por entidade, com os montantes, situação dos processos e datas de tramitação." Do positivo e do negativo (programa do PSD)
Logo no início do programa, na sua parte relativa à economia, aparece o objectivo de dar maior independência e eficácia à Autoridade da Concorrência. Positivo.Mas aparece também próxima a intenção de "reduzir a excessiva regulamentação de mercados e produtos". Negativo. Para começar, é a antítese da lição principal da crise: a de que a regulação adequada dos mercados - quaisquer mercados - é uma necessidade para a sua sustentabilidade.
Depois porque uma coisa é remover obstáculos e burocracias a um funcionamento mais regular dos negócios - sobretudo dos pequenos negócios - e outra coisa é tentar confundir isso com mais desregulamentação.
O programa parece assim confundir burocracia desnecessária e abusos vários de soberania sobre a iniciativa privada com regulação, coisa bem diferente.
Quando tenta concretizar, o PSD afirma no seu programa que falta concorrência nos combustíveis (correcto), nos transportes (depende), na electricidade (cada vez menos) e nas telecomunicações (incorrecto). O mais redutor é porém a ancoragem implícita de um reforço da A.C. apenas nestas áreas, quando tanto há a fazer noutras.
Mas o PSD vai mais longe e distrai-nos - esquecendo por completo os mercados de produto - com a necessidade de "aumentar a concorrência no mercado de serviços". Ou está a pensar novamente na Saúde, Educação e Pensões (piscando o olho à privatização de património público) ou então está alienado da realidade porque a concorrência nos serviços privados em Portugal, numa generalidade de áreas, é bem mais forte do que nos mercados de produto.
Por outro lado, e se o PSD vai conduzir uma estratégia que promova as exportações, como será que pretende estimular a concorrência e a inovação na economia de produtos, na indústria se, à partida, a identifica implicitamente como área especial a proteger. Pretenderá nacionalizar a indústria? Ou, como a França fez nos anos 50 e 60, formar novas industrias nacionais?
Não se percebe.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Papão a sério: a Dívida Externa
Ou se corrige cortando a torto e a direito, se for preciso através do osso (PSD); ou se acredita que ainda há tempo (pouco) para reorganizar o país de forma a produzir mais para pagar a dívida a tempo e horas (PS). Curiosamente, o partido que mais tem instrumentalizado a religião em Portugal, é aquele com menor grau de Fé no futuro.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
(In)justiças
Eis um verdadeiro problema que alguma oposição deveria estudar mais a sério.
Outro problema importante diz respeito à assimetria de condições que enfrentam as pequenas empresas face às maiores: o Estado deveria ser mais complacente com todas as micro e pequenas empresas, sobretudo no período que atravessamos.
Não basta que se possa abrir uma empresa na hora, se o Estado se apressa a ligar logo o seu taxímetro implacável. Numa economia tão pequena e tão pouco diversificada como o é a nossa, era fundamental que se incentivassem coerentemente todos os arranques de actividade, toda a iniciativa privada de pequena dimensão.
O país bem disso precisa, mas essa liberdade - sabe-o bem que tenha pequenos negócios - ainda não chegou ao nosso país.
É mais um assunto onde seria de esperar mais afinco das oposições responsáveis e conscientes da realidade.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Convite à reflexão e à acção
O momento é de mudança - ou de oportunidade para a mudança - e é sobretudo no campo político que se desenhará o futuro (antes a política estava brutalmente contaminada e cristalizada na "teologia de mercado").
Agora é o momento certo, necessário, para participar e dar o corpo ao manifesto ou, pelo menos, combater por aquilo em que se acredita poder vir a fazer um mundo um pouco melhor. Ajudar a clarificar os campos e as ideias.
É porque os riscos são enormes que é necessário que se mexam.



