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sábado, 8 de maio de 2010

Quanto custa ao Estado a visita de Bento XVI?

Pontes, férias, condicionamentos de trânsito, segurança. A pergunta pode ser incómoda mas deve ser feita, sobretudo no tempo que vivemos.

Quanto custa ao erário público a visita de Bento XVI à Lusitânia?

Mais importante: porque é que cinco anos volvidos da intenção de taxar as actividades não-religiosas da Igreja Católica em Portugal, nem 1 cêntimo entrou nos cofres do Estado?

A visita de Bento XVI deveria ocorrer apenas após dessa questão estar resolvida, e não antes.

O TGV custa dinheiro no futuro, mas a Igreja custa dinheiro no presente, e é no presente que enfrentamos a segunda conjuntura financeira mais grave desde 1974.

terça-feira, 23 de março de 2010

"Temos que ser credíveis perante os mercados"...

... pois temos...

E o que "os mercados" dizem, e nisso têm razão, é que as expectativas de Teixeira dos Santos para a evolução da economia nacional estão mal desenhadas no PEC - excessivamente optimistas - e que é preciso cortar na despesa. 

Recorrer ao penhor, por si só, é já claramente insuficiente para os analistas, por um lado, e inaceitável para os contribuintes, por outro.

Portanto, o que o governo deve fazer e rapidamente é propor e fazer aprovar legislação que permita despedir funcionários públicos, até um tecto definido. É inevitável. A única verdadeira escolha é se o querem fazer de uma forma planeada e controlada, ou perante o caos de uma situação completamente degradada e em ambiente de retirada desorganizada. É escolher. Faites vos Jeux.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Perplexidades...

Henrique Neto disse recentemente que "hoje ser empresário em Portugal é uma profissão de alto risco".

Acontece que respeito bastante a pessoa e o empresário Henrique Neto, mas é uma daquelas frases que não parece sua. Ficamos sem saber se ele deseja voltar ao corporativismo do antigamente ou se acha que ser empregado por conta de outrem será, no Portugal de hoje, risco muito menor que ser empresário.
Para além disso, ser-se empresário é o próprio reconhecimento acabado do risco como forma e estilo de vida, ou não será assim?
Sobretudo: Henrique Neto não precisa de imitar nenhum van Zeller...parece-me. Ou então, é melhor que explique bem qual a abrangência da palavra "empresário"... Um caso limite: quem corre mais riscos, os empresários duma qualquer Brisa, ou os seus portageiros?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Família? Valores?

Já aqui registei - há muitos meses - a tentativa de atentado do Parlamento Europeu cometido sobre milhões de famílias europeias, ao lançar a possibilidade legal de implementação de semanas de trabalho de 60 horas (doravante por aqui, "semana chinesa").

Em Dezembro passado, grupos distribuidores portugueses tentaram, talvez aproveitando a azáfama natalícia, forçar aos colaboradores a tal "semana chinesa". A ameaça de greve daí resultante e alguma cobertura mediática fizeram os promotores da dita recuar. Por enquanto...

Apesar disso, pergunto-me o que foi feito da preocupação com a "Família" dos moralistas habituais da nação por essa ocasião, alguns ainda devotos do "deus, pátria, família". Onde estavam eles nessa altura? E onde esteve grande parte da nossa Igreja, sem voz activa sobre o assunto mesmo depois da nova encíclica de Bento XVI?

Caritas in Veritate, recordam-se?

É que não me lembro - e peço desculpa se ando esquecido ou distraído - de nenhuma petição "espontânea" com 90.000 assinaturas entregue na Assembleia da República, da mais pequena exigência em referendar o assunto, do menor vestígio de resistência organizada no Facebook comandado por certas "elites", face a uma das mais despudoradas tentativas práticas de desagregação familiar e inversão de taxa de natalidade nos últimos 40 anos...

Mandar o "regimento dos costumes" para a "madre que lo parió" seria certamente deselegante, mal educado, ofensivo, insultuoso, temperamental e impessoal... Como "o povo é sereno", isso ainda não aconteceu. Por enquanto...

Brokeback Mountain 2


O casamento homosexual foi projecto de vários propósitos: eliminar uma desigualdade civil (importante, mas não a mais importante no país, nem de perto nem de longe), criar massa crítica à esquerda, fazer sair da toca e ver enterrarem-se per se moralistas arregimentados e, last but not least, embaraçar o Presidente (que tem feito por merecer).

Apesar do mérito desses propósitos, e mesmo apesar de ser verdade que o Governo consiga em simultâneo dar conta tanto de questões de primeira como de segunda linha (pelo menos em teoria), expresso os meus limites no apoio a esta iniciativa: por um lado, o limite definido pela discussão da adopção por casais homosexuais, que considero inaceitável; por outro, o de precedente de cedência utilitária a práticas políticas de moda.

Alguma coisa contra os homosexuais se poderem casar com direitos iguais a qualquer casal hetero? Absolutamente nada.
Equidade de direitos, e também transparência: da nova lei resultará, a prazo, uma atitude social menos hipócrita, talvez uma perspectiva social mais realista; iremos provavelmente aprender mais sobre o tema, e certamente de forma menos preconceituosa e condicionada que os nossos antepassados. Isso promete ser positivo.
No essencial, é assunto de vida e biologia privado das pessoas com esse tipo de orientação sexual.

No entanto, parece-me que a maioria de deputados que aprovou a lei do casamento homosexual na generalidade, herdará também a responsabilidade aumentada de zelar por muitas outras questões de desigualdade civil deixadas há muito em aberto.

Por exemplo, a possibilidade de legalização da prostituição. Matéria que afecta temas importantes de saúde pública, trabalho, imigração, receita fiscal, criminalidade organizada, tráfico de pessoas, coacção e dependência económica, e por aí fora...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Manuela, a Pia


Sempre muito preocupada com os portugueses (yak!), a Senhora vem reiterar o seu argumento de sempre perante a hipótese de casamento dos homosexuais. Trata-se, segundo a própria em alusão indirecta, a mais um "ataque à família".

O mesmo argumento hipócrita foi utilizado antes e após a lei do aborto e aquando da nova lei do divórcio (aí com melhor fundamento, diga-se).

Mas que fez ela, ou alguns dos que como ela pensam, pela defesa da família? A que "famílias" abstractas se referem?

Cuidaram de assegurar direitos especiais para as mães grávidas de famílias sem recursos? Preocuparam-se em criar apoios sociais de relevo para as mães solteiras? Defenderam investimentos públicos de monta em creches e infantários, ou sequer uma política de alojamento familiar condigna para famílias carenciadas? Incentivaram os lares de idosos ou as institituições de acolhimento de idosos de famílias sem outros recursos? Criaram alguma vez uma linha de primeiros socorros a abortos que correram mal? Alguma vez perseguiram quem os promovia, na sombra, matando fetos e mães?
Que fizeram, do alto da sua tribuna? Da tribuna em que pensam existir para apenas perguntar e nunca responder?

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Cores para um ditador de pretos e brancos


A ideia de Francisco Moita Ferreira e dos seus bustos coloridos de Salazar foi enfiada num conceito artístico agent provocateur à mistura com alegado estilo pop art, diz ele.

A coisa evoca o fenómeno dos santinhos de Fátima (que Deus me perdoe), e fico um bocado curioso em perceber que raio de clientes terá o Francisco - serão dos que frequentam a Moda Lisboa, a colecção Berardo, será malta das juntas de freguesia de Santa Comba, talvez nostálgicos da S. Caetano à Lapa, o Filipe La Féria, a Paula Bobone, quem?
Cada um é pimba como lhe apetece, e eu sou a favor da liberdade de expressão. A minha curiosidade tem a ver apenas e somente com o estudo de comportamentos de consumo.
O Francisco parece que disse ao "Público" que a coisa tem sido um corropio e que os bustos até fazem uma rica prenda de Natal - eu também acho que sim, e se fossem acendalhas, ainda era mais divertido...sempre dava para atear a lareira! Fica a sugestão.
atelierdofmf.blogspot.com

Das torres e dos camelos


Para uma parte do empresariado português e do meio político, o Dubai também era, ainda até há bem pouco tempo, um mercado exuberante e de fazer salivar, um expoente dos "milagres económicos" do grande capital. Tal como a Irlanda, e a Espanha...
Descoberta afinal a causa das coisas, desfaz-se o encanto e muda-se o discurso - esses grandes milagres económicos resultaram, tal como o primeiro deles todos (o milagre Alemão) quase inteiramente duma só coisa: construção até cair para o lado e...muitas dívidas.

Envoltos no tradicional misto de burrice pomposa, mania de "ter mundo" e abundante falta de curiosidade verdadeira, preferiram a forma e, em geral, o que ia de modas para formar opinião - não era infrequente ouvi-los desejar, planear ou contar histórias de visita a esse "maravilhoso" altar de mercado rodeado de camelos.
O mais intrigante nem é a falta atroz de percepção de existência de algo de profundamente esquisito no crescimento exuberante dum país como o Dubai; é que alguns deles são capazes de ser os mesmos que, cá em casa, gostariam de ver Sócrates crucificado por andar a sonhar com um túnel no Marão e pouco mais de 200 Km de vias ferroviárias de alta velocidade.
Se isso não é provincianismo, o que será?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

(Im)paridades noutros tempos


sábado, 7 de novembro de 2009

Honoris Causa?

A coisa aqueceu e no final da semana Vara pediu a suspensão do mandato de vice-presidente do BCP, para a defesa de reputação da instituição na qual se inseria. Fez bem. Muito embora não defenda que assim deva ser com quaisquer "arguidos" em circunstâncias parecidas, foi a boa decisão.

domingo, 25 de outubro de 2009

Vaticano persiste no erro

Em vez de discutir os fundamentos - na minha opinião absurdos - dos votos de celibato a que obriga a esmagadora maioria dos seus representantes (ainda que perante a mais terrível falta de "vocações" de todos os tempos), o Vaticano parece entricheirar-se cada vez mais no seu bunker ideológico (mais por escolha própria do que por inspiração nos Evangelhos).

Há menos de uma semana propôs uma espécie de fusão com a ala dura dos Anglicanos (os Anglicanos tradicionalistas), que se sente desconfortável com a nomeação de sacerdotes femininas e com a admissão de sacerdotes homosexuais.

Isto não me parece ecumenismo. Parece-me mais uma estratégia desesperada de negação da realidade, à mistura com uma certa ânsia de unificação de poder, à maneira medieval.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Se nada mudar...

Se nada mudar - ao nível da mentalidade vigente no empresariado tradicional - será este o futuro provável de boa parte da indústria portuguesa:

Há quem lhe chame arte... certamente por amor ao eufemismo.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A professora... e as orgias

Os nossos media levam tudo para a brincadeira. O que me pareceu grave, muito grave, quando ouvi a gravação da professora que alegadamente discorreu sobre orgias em plena sala de aula não foi apenas o carácter sexual das observações.

Foi tê-las feito com carácter dirigido (a uma aluna em frente de toda a turma e sem o mínimo de respeito). Pior: a professora ameaçou veladamente a turma, e enxovalhou publicamente a mãe da aluna por ser menos letrada do que ela.

Isto só video.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Falar verdade a mentir


sábado, 11 de abril de 2009

Azar: eles não viviam em países de "brandos costumes"!...

"Os dois antigos executivos da KPMG declarados culpados de uma mega-fraude fiscal foram hoje condenados a 8 e 10 anos de prisão pelo seu "papel central" na evasão fiscal de milhares de clientes ricos, anunciou o tribunal.

Segundo a mesma fonte, o antigo director da empresa de auditoria, John Larson, de 57 anos, foi condenado a 121 meses (10 anos) de prisão, e o antigo parceiro da consultora Robert Pfaff, de 58 anos, a 97 meses (oito anos).

Os dois ex-executivos arriscavam-se a cumprir 24 anos depois de, em Dezembro passado, terem sido considerados culpados de fraude por terem prestado serviços aos seus clientes mais ricos ajudando-os a fugir aos impostos, numa operação que terá ultrapassado os 100 milhões de dólares."



Lusa, 2 de Abril

Girlpower!

http://www.thedailybeast.com/blogs-and-stories/2009-03-31/sizzling-g-20-wives/#gallery=177;page=1

Ou muito me engano ou os directores de campanha da senhora vão também tentar inclui-la neste selecto clube... he...he...he... coitaditos!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Anacronismos

Se o Estado deve dar o exemplo, sugire-se que em toda a Administração Pública se passem a tratar as pessoas - interna e externamente, por escrito e oralmente - por "Sr." ou "Sra." em vez do abusivo recurso ao "Doutor" ou "Doutora" para quem não é, de facto doutorado, mas tantas vezes apenas licenciado. Este é um dos anacronismos que nos distingue da dianteira Europeia e não... não é um pormenor sem importância.

Porque enquanto este simples "pormenor" não mudar, viveremos em tempo de reverência a eminências pardas...