terça-feira, 27 de outubro de 2009

Perdoar, mas não esquecer

Eduardo Catroga, em Julho de 2009, já tinha dado uma pista para aquilo que viria a motivar o que ficou conhecido como "inventona":

Este achado não deve ser visto como mero acaso, antes como evidência de algo bem premeditado.
A tese da necessidade de um Governo de "inspiração" Presidencial desenvolveu-se ao mais alto nível no PSD depois do trauma mal digerido que foi a vitória do PS com maioria absoluta, em 2005. Foi a resposta que encontraram plausível para vingar a dissolução da Assembleia pelo Presidente Sampaio (olho por olho...); se necessário fosse, propunham-se mesmo alterar a Constituição.

Tive oportunidade de assistir pessoalmente a algumas dessas efabulações - não sem algum riso - logo após a eleição de Cavaco. A teoria entretanto esmoreceu, perante o êxito relativo de Sócrates em diversos campos, mas veio a renascer a ano e meio das legislativas.

O Presidente e as suas amigas e amigos da brigada do reumático, e a triste tentativa de mexicanizar o país, são condimentos de episódio a não esquecer por muitos e bons anos.

Rendimento Máximo Garantido

Enquanto por cá, num país em que a fome aumenta com o desemprego, o CDS-PP faz bandeira (acompanhado do PSD), da necessidade absoluta de intensa fiscalização ao Rendimento Mínimo Garantido (RSI), nos EUA o Internal Revenue Service, o original e muy temido "IRS", criou uma unidade especial de investigação com foco em rendimentos superiores a 30 milhões de dólares.

A nova unidade alargou as suas investigações ao Panamá, a Sydney e a Pequim, abrindo aí escritórios especiais, à semelhança dos que já existiam em Barbados e Hong Kong.

O IRS americano revelou que os americanos que aceitaram de moto próprio revelar a existência de contas off shore - para beneficiar duma amnistia parcial em vigor até meados deste mês - permitiram a descoberta de várias contas de valor superior a 100 milhões de dólares... Ao todo, cerca de 7.500 americanos decidiram-se por esta opção.

Na Europa medra ainda - salvo poucas excepções - um silêncio perturbador sobre este assunto.

Rajoy, o perdido

Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades... o ditado popular parece adaptar-se na perfeição ao recente escândalo que grassa em Espanha e abala os Populares. O PP espanhol, pela mão de Rajoy, aproveita para fazer uma espécie de purga, tendo começado pelos Populares de Valência, a propósito do recente esquema de corrupção em que se suspeitam envolvidos diversos altos dirigentes do partido (uma história que ainda vai dar muito que falar, suspeito). Não sem antes se fazerem ouvir acusações contra o Governo, a Justiça e os meios de investigação envolvidos. Que outra coisa se podia esperar de franquistas envergonhados?

domingo, 25 de outubro de 2009

O mártir Berlusconi...



O prémio vai para Burlesconi, oh... perdão, Berlusconi, o PM italiano.
Recentemente afirmou à CNN:

"Faço o que faço por sacrifício, mas não gosto nada do que faço, mesmo nada"

Vaticano persiste no erro

Em vez de discutir os fundamentos - na minha opinião absurdos - dos votos de celibato a que obriga a esmagadora maioria dos seus representantes (ainda que perante a mais terrível falta de "vocações" de todos os tempos), o Vaticano parece entricheirar-se cada vez mais no seu bunker ideológico (mais por escolha própria do que por inspiração nos Evangelhos).

Há menos de uma semana propôs uma espécie de fusão com a ala dura dos Anglicanos (os Anglicanos tradicionalistas), que se sente desconfortável com a nomeação de sacerdotes femininas e com a admissão de sacerdotes homosexuais.

Isto não me parece ecumenismo. Parece-me mais uma estratégia desesperada de negação da realidade, à mistura com uma certa ânsia de unificação de poder, à maneira medieval.

A hora da verdade: teoria neoclássica



Pelo menos 2000 economistas já subscrevem algo com que concordo há muito tempo: o facto da teoria neoclássica conduzir, no essencial, a muitas tolices. No entanto, a minha opinião difere num aspecto importante: não foi propriamente por uma devoção cega à matemática que os neoclássicos se deixaram iludir por uma teoria com tantos problemas; terá antes sido por uma certa cegueira ideológica de base combinada com falta de observação da realidade, ao que se somou muita inabilidade matemática (a matemática é perfeitamente capaz de dar conta das fraquezas da teoria neoclássica, o que sucede é que a maioria dos economistas neoclássicos nunca foram bons matemáticos, daí resultando aproximações absolutamente pavorosas e imbecis).
Há ainda a questão metodológica: como se pôde tornar aceitável que esse bando de seres confundisse uma teoria de valor relativo (e continue a confundir) com uma verdade indiscutível ?

O texto português da petição (in Valor das Ideias) é este:

"Poucos economistas perceberam a emergência da crise actual, mas essa falha de previsão foi o menor dos problemas. O mais grave foi a cegueira da profissão face à possibilidade de existência de falhas catastróficas numa economia de mercado. O papel da economia perdeu-se porque os economistas, enquanto grupo, se deixaram ofuscar pela beleza e elegância vistosa da matemática. Porque os economistas da verdade caíram de amores pela antiga e idealizada visão de uma economia em que os indivíduos racionais interagem em mercados perfeitos, guiados por equações extravagantes. Infelizmente, esta visão romântica e idílica da economia levou a maioria dos economistas a ignorar que todas as coisas podem correr mal. Cegaram perante as limitações da racionalidade humana, que conduzem frequentemente às bolhas e aos embustes; aos problemas das instituições que funcionam mal; às imperfeições dos mercados - especialmente dos mercados financeiros - que podem fazer com que o sistema de exploração da economia se submeta a curto-circuitos repentinos, imprevisíveis; e aos perigos que surgem quando os reguladores não acreditam na regulação. Perante o problema tão humano das crises e depressões, os economistas precisam abandonar a solução, pura mas errada, de supor que todos são racionais e que os mercados trabalham perfeitamente."

Composição do XVIII Governo da III República


Uma avaliação preliminar, das escolhas e do perfil, de 0 a 20 a valores:


Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros – Luís Amado, 10 valores

Ministro de Estado e das Finanças - Fernando Teixeira dos Santos, 19 valores

Ministro da Presidência – Pedro Silva Pereira, 15 valores

Ministro da Defesa Nacional - Augusto Santos Silva, 10 valores

Ministro da Administração Interna – Rui Pereira, 12 valores

Ministro da Justiça - Alberto Martins, 12 valores

Ministro da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento - Vieira da Silva, 19 valores

Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas - António Manuel Soares Serrano, pendente de observação

Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações - António Augusto da Ascensão Mendonça, pendente de observação

Ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território - Dulce dos Prazeres Fidalgo Álvaro Pássaro, pendente de observação

Ministra do Trabalho e da Solidariedade Social - Maria Helena dos Santos André, 14 valores

Ministra da Saúde - Ana Maria Teodoro Jorge, 15 valores

Ministra da Educação - Isabel Alçada, pendente de observação

Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior - Mariano Gago, 18 valores

Ministra da Cultura - Maria Gabriela da Silveira Ferreira Canavilhas, 16 valores

Ministro dos Assuntos Parlamentares - Jorge Lacão, 15 valores

Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros - João Tiago Silveira, 15 valores

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Se nada mudar...

Se nada mudar - ao nível da mentalidade vigente no empresariado tradicional - será este o futuro provável de boa parte da indústria portuguesa:

Há quem lhe chame arte... certamente por amor ao eufemismo.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Obama: gloves off!!!

O presidente Obama chama finalmente os bois pelos nomes, e põe fim à política de apaziguamento com os grandes interesses das seguradoras relativamente ao sistema de saúde norte-americano:

"This is the unsustainable path we’re on, and it’s the path the insurers want to keep us on. In fact, the insurance industry is rolling out the big guns and breaking open their massive war chest – to marshal their forces for one last fight to save the status quo. They’re filling the airwaves with deceptive and dishonest ads. They’re flooding Capitol Hill with lobbyists and campaign contributions. And they’re funding studies designed to mislead the American people (...)
It’s smoke and mirrors. It’s bogus. And it’s all too familiar. Every time we get close to passing reform, the insurance companies produce these phony studies as a prescription and say, “Take one of these, and call us in a decade.” Well, not this time. The fact is, the insurance industry is making this last-ditch effort to stop reform even as costs continue to rise and our health care dollars continue to be poured into their profits, bonuses, and administrative costs that do nothing to make us healthy – that often actually go toward figuring out how to avoid covering people. And they’re earning these profits and bonuses while enjoying a privileged exception from our anti-trust laws, a matter that Congress is rightfully reviewing."

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Hitler reage a Maitê


Por causa de um video tolo, inócuo e de 2007, que alguém se lembrou de desenterrar e até já motivou uma declaração da Embaixada do Brasil...

Hitler reagiu!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Por falar em fanáticos...

Para a posteridade, ficamos com esta pérola que ilustra muito claramente a faceta democrática do intelectual sem fundilhos que é o Dr. Vasco Graça Moura. Um homem de receitas bem montadas no erário público, Cavaquista convicto, eminência correlegionária do uso e abuso do falso silogismo, carácter sem qualquer pingo de respeito pela res pública e pelo seu verdadeiro e único patrono de quase sempre: o povo de Portugal.

"MAIS DO MESMO por Vasco Graça Moura - 30 Setembro 2009
O povo português acaba de demonstrar a sua fatal propensão para viver num mundo às avessas. Não há nada a fazer senão respeitá-la. Mas nenhum respeito do quadro legal, institucional e político me impede de considerar absolutamente vergonhosa e delirante a opção que o eleitorado acaba de tomar e ainda menos me impede de falar dos resultados com o mais total desprezo.
Só o mais profundo analfabetismo político, de braço dado com a mais torpe cobardia, explica esta vitória do Partido Socialista.
Não se diga que tomo assim uma atitude de mau perdedor, ou que há falta de fair play da minha parte. É timbre das boas maneiras felicitar o vencedor, mas aqui eu encontro-me perante um conflito de deveres: esse, das felicitações na hora do acontecimento, que é um dever de cortesia, e o de dizer o que penso numa situação como aquela que atravessamos, que é um dever de cidadania.
Opto pelo segundo. Por isso, quando profiro estas e outras afirmações, faço-o obedecendo ao imperativo cívico e político de denunciar também neste momento uma situação de catástrofe agravada que vai continuar a fazer-nos resvalar para um abismo irrecuperável.
Entendo que o Governo que sair destes resultados não pode ter tréguas e tenciono combatê-lo em tudo quanto puder. Sabe-se de antemão que o próximo Governo não vai prestar para nada!
É de prever que, dentro de pouco tempo, sejamos arrastados para uma situação de miséria nacional irreversível, repito, de miséria nacional irreversível, e por isso deve ser desde já responsabilizado um eleitorado que, de qualquer maneira, há-de levar a sua impudência e a sua amorfia ao ponto de recomeçar com a mais séria conflitualidade social dentro de muito pouco tempo em relação a esta mesma gente inepta a quem deu a maioria.
O voto nas legislativas revelou-se acomodatício e complacente com o status quo. Talvez por se tratar, na sua grande maioria, de um voto de dependentes directos ou indirectos do Estado, da expressão de criaturas invertebradas que não querem nenhuma espécie de mudança da vidinha que levam e que se estão marimbando para o futuro e para as hipotecas que as hostes socialistas têm vindo a agendar ao longo do tempo. O que essa malta quer é o rendimento mínimo, o subsídio por tudo e por nada, a lei do menor esforço.
Mas as empresas continuarão a falir, os desempregados continuarão a aumentar, os jovens continuarão sem ter um rumo profissional para a sua vida. Pelos vistos a maioria não só gosta disso, como embarcou nas manipulações grosseiras, nas publicidades enganosas, nas aldrabices mediáticas, na venda das ilusões mais fraudulentamente vazias de conteúdo.
A vitória foi dada à força política que governou pior, ao elenco de responsáveis que mais incompetentemente contribuiu para o agravamento da crise e para o esboroar da sustentabilidade, ao clube de luminárias pacóvias que não soube prevenir o desemprego, nem resolver os problemas do trabalho, nem os da educação, nem os da justiça, nem os da segurança, nem os do mundo rural, nem nenhuma das demais questões relevantes e relativas a todos os aspectos políticos, sociais, culturais, económicos e cívicos de que se faz a vida de um país.
Este prémio dado à incompetência mais clamorosa vai ter consequências desastrosas. A vida dos portugueses é, e vai continuar a ser, uma verdadeira trampa, mas eles acabam de mostrar que preferem chafurdar na porcaria a encontrar soluções verdadeiras, competentes, dignas e limpas. A democracia é assim. Terão o que merecem e é muitíssimo bem feito. O País acaba de mostrar que prefere a arrogância e a banha de cobra. Pois besunte-se com elas que há-de ter um lindo enterro.
A partir de agora, só haverá mais do mesmo. Com os socialistas no Governo, Portugal não sairá da cepa torta nos próximos anos, ir-se-á afundando cada vez mais no pântano dos falhanços, das negociatas e dos conluios, e dentro de pouco tempo nem sequer será digno de ser independente. Sejam muito felizes."

Mensagem a Maitê Proença

É preciso perceber de onde partiram as reacções ao inocente video de Maitê. O que alguns "botas" (de elástico) não gostaram, meia dúzia de energúmeros que gostaríamos de ver no pólo Sul, terá sido apenas e somente o facto de se ventilar no Brasil que alguns portugueses, num concurso orquestrado por idiotas, fossem capazes do ridículo supremo de "eleger" ao título de "melhor português de sempre" um dos maiores opressores públicos da sua história: o "botas-mor", Salazar.
A minha tese é a de que essa "eleição" visou sondar e preparar o eleitorado - à época, 2007 - para a possível vitória e exercício de poder duma direita ideologicamente radical, falsamente democrática, através duma manobra multi-media (que combinou jornais, novelas, blogues, opinion makers a até esse curioso concurso); de uma campanha de inspiração afecta a um partido político cada vez mais inconsequente, mas virulento e atrasado, desenhada para branquear não apenas o nome do ditador como também o próprio conceito de ditadura em Portugal; uma campanha elaborada por gente sem escrúpulos que se agitou por fanatismo, alienação ou corporativismo económico, na senda da anti-utopia do "ditador benevolente".

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Olho neles, rapazes!

http://www.transnationale.org/countries/prt.php

O vazio PSD ultrapassou fronteiras!

Do Telegraph:



"Mrs Ferreira Leite, 68, the first woman to lead a major political party in Portugal, has accused the Socialists of "handing debts to future generations" but failed to outline specific cuts to rein in the growing public deficit. Portugal's unemployment rate has risen to 9.1 per cent, its highest level in 20 years, and is predicted to keep rising, while the public deficit is expected to hit nearly 6 per cent of output this year. Analysts said the absence of concrete proposals from the PSD and Mrs Ferreira Leite's lack of charisma made it difficult for the party to capitalise on the economic woes. "By focusing her entire strategy on criticism of the government without making alternative proposals, Ferreira Leite failed to excite the electorate," said Antonio Costa Pinto, a politics professor at the University of Lisbon. "

Inglorious Basterds?

Um daqueles recentes questionários do jornal Público (uma das prováveis fontes do "ouvimos os portugueses") pretendia uma maioria de votos à resposta "governar em minoria", relativamente à questão sobre como deve governar o próximo executivo:


Governar em minoria: 1455 votos, 61% [Resultado provável: eleições antecipadas]

Fazer coligação PCP+BE: 419 votos, 18% [Missão Impossível]

Aliar-se ao CDS/PP: 269 votos, 11% [Solução menos impossível]

Formar um bloco central com o PSD: 243 votos, 10% [Pequeno pormenor: qual PSD?]

Parece-me que a maioria dos votos captados pelo Público expressa o desejo de eleições antecipadas. Confesso que não é o meu caso...

Go Nova, Go!



Excerto de artigo de Ana Rute Silva, in Público:


"Programa de gestão internacional oferecido pela Universidade Nova conseguiu o primeiro lugar entre 50 analisados pelo Financial TimesO nome da universidade não está lá. Nem sequer o país. Mas há uma escola pública portuguesa que oferece o melhor mestrado do mundo em gestão internacional e ocupa o primeiro lugar do ranking que o Financial Times(FT) hoje publica: a Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. O programa do CEMS (uma rede internacional de escolas) que a Nova passou a oferecer desde Agosto foi considerado o melhor pelo jornal económico britânico e ultrapassou o mestrado da HEC Paris (École des Hautes Études Commerciales) que ocupava, desde 2007, o primeiro lugar. O terceiro ficou reservado à ESCP Europe, fundada em 1819 e comcampus em França, Reino Unido, Alemanha, Espanha e Itália. Há cerca de dois anos, e depois de uma competição renhida entre as escolas de gestão portuguesas, o CEMS seleccionou a Faculdade de Economia da Nova para integrar esta espécie de "liga de honra" internacional do ensino da gestão, composta por 28 instituições académicas de topo e apoiada por 57 empresas. O MIM, sigla para Masters in International Management, é a imagem de marca do CEMS, com reconhecimento à escala global. E, por isso, o director da Faculdade de Economia não esconde a satisfação. "Obter o primeiro lugar no rankingdoFT é o culminar de uma estratégia de anos. Somos uma escola pública e esta é a melhor forma de servir o país. Para que os estudantes portugueses tenham acesso a uma formação igual à das melhores escolas do mundo", diz José Ferreira Machado, que desvaloriza o facto de não estarem explícitos os nomes da faculdade ou do país. O prestígio é alcançado com a possibilidade de acesso, justifica. E o que interessa "é um estudante português poder fazer em Lisboa um dos mestrados de maior fama internacional". Na competição mundial pelos melhores talentos, vence o país que consegue projectar os seus quadros. "Os estudantes portugueses podem, com esta formação, trabalhar no mundo e mostrar o talento da juventude portuguesa. Isso é muito importante para o país", considera. A turma que começou o programa a 31 de Agosto tem 34 alunos; para o próximo ano já há 45 admissões. Depois da publicação do ranking, a Nova espera receber mais candidaturas mas não tem capacidade para aumentar o número de estudantes. "No total dos mestrados recebemos 200 alunos e este é o limite que podemos aceitar tendo em conta as instalações. Espero ter melhores estudantes [no mestrado em gestão internacional], mas não vamos admitir mais. Somos uma escola pública sem PIDDAC (Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central) há sete anos", desabafa. As empresas EDP e Millennium bcp, parceiras do CEMS, estão envolvidas directamente na selecção dos candidatos. Falar duas línguas e ter capacidade para trabalhar em ambientes multiculturais são os principais critérios de admissão. Para frequentar o MIM, que custa 14.400 euros, os alunos têm primeiro de ser aceites num mestrado da Nova em Economia, Finanças ou Gestão, que frequentam durante um ano. Só depois integram o MIM, ficando no final com dois graus académicos. A Faculdade de Economia da Nova - que foi também a primeira universidade criar um MBA em Portugal em 1980 - factura com os mestrados cerca de dois milhões de euros, o mesmo que com as licenciaturas. "

Educação, Texas style


Um dos maiores problemas que os norte-americanos enfrentam prende-se com a educação que, afinal de contas, o sistema liberal não está a produzir - à excepção das melhores Universidades do mundo.

Aconselho a leitura, de novo, de uma recente crónica de Paul Krugman:

http://www.nytimes.com/2009/10/09/opinion/09krugman.html?_r=2&th&emc=th



segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Autárquicas 2009: Vitória política do PS

PS
37,66%
2.083.833 votos
921 mandatos

PPD/PSD
22,95%
1.269.821 votos
666 mandatos

domingo, 11 de outubro de 2009

Obrigado, Sr. Presidente!

Tal como já tinhamos escrito, a declaração do PR apenas serviu, entre outras coisas más, para promover ameaças à segurança nacional:

(...) "De acordo com Alexandre Caldas, que lidera o Centro de Gestão da Rede Informática do Governo (CEGER), mantém-se o "aumento exponencial" de tentativas para entrar no sistema informático. Este responsável diz, no entanto, não ter ainda uma quantificação, dado que o CEGER está agora a analisar os dados estatísticos. No passado fim-de-semana, a Presidência do Conselho de Ministros (PCM) emitiu um comunicado onde referia a existência de "12 tentativas graves de intrusão entre os dias 27 e 29 de Setembro, tendo esse número mais do que duplicado (32 tentativas graves de intrusão) entre os dias 30 de Setembro e 2 de Outubro".(...)"

excerto de texto de Susete Francisco

Herta Müller, prémio Nobel

Um prémio inesperado, e bem merecido. Devemos recordar e aprender os contornos e consequências das ditaduras, tanto as de direita, como as de esquerda. Os extremos andam de mãos dadas no desrespeito pelas liberdades básicas dos seres humanos.

Uma questão de bom senso

“I’m also fairly conventional on how economies should be run. Self-interest is still the best motivator we know – or more accurately, the only consistent motivator. So I’m for market economies. But I’m for market economies with strong safety nets, with adult supervision in capital markets, with public provision of goods the private sector does badly (like basic research and much of education.) An idealized New Deal is about as far as I go.”

P. Krugman

O homem mais perseguido do mundo

Depois de declarada inconstitucional a lei que previa a sua imunidade judicial e a de três outros altos cargos do Estado Italiano, Berlusconi afirmou, um tanto irado:

"Sou um perseguido. O maior da história, dado que sempre me absolveram (...) Gastei mais de 200 milhões em juízes... perdão, em advogados".

Há que convir que Il Cavaliere, dentro do seu género, ainda consegue ser cómico.

sábado, 10 de outubro de 2009

Pacheco Pereira, o invejoso?

Depois não te admires que te chamem o "pobre Pacheco"...
Uma tua pergunta pública:

"O que é que fez Obama a favor da paz, ou melhor, da Paz com letra grande? Nada"

Alguma vez te perguntaste, Pacheco, o que é que fez a Manuela Ferreira Leite em prol do que quer que fosse de interesse público?
Obama ainda só começou, e é verdade que todos esperamos mais dele, mas vamos lá ver:
  1. Correu da Casa Branca com os conservadores radicais, gente fanática, assumidamente pró-guerra, fundamentalmente anti-democrática e completamente despegada de quaisquer bases éticas, competência, honestidade intelectual.
  2. Ao contrário das (vossas) expectativas, tem sabido fornecer os instrumentos, e colocar as peças chave a jeito de se vencer a maior crise económica e social de que temos memória viva.
  3. Está a contribuir para extingir de forma responsável a acrimónia absurda que Bush vinha a acalentar em relação à Rússia, bem como a divisão que acalentava em relação à própria Europa (lembras-te da história da "velha Europa" vs. "nova Europa"? sabes o que se passa na Polónia?).
  4. Tem uma visão positiva para o mundo, construtiva, mais pacífica, mais responsável, mais dialogante, menos arrogante, mais respeitadora do ser humano. O homem inspira o melhor de nós.
  5. Já começou a inverter a posição pesadelo dos EUA em relação a Quioto.

Obama luta pela implementação de um sistema de saúde universal nos EUA, contra o que ainda lá vigora, enfrentando lobbies gigantescos cujo comportamento tem sido uma autêntica vergonha a céu aberto e contra os quais tu, meu filósofo da Marmeleira, nunca abriste o pio ao longo de todo este tempo (e podias tê-lo feito).

O comité Nobel não se enganou: em pouco mais de seis meses Obama restaurou alguma da tranquilidade de espírito e confiança no futuro ao mundo Ocidental. Lembra-te que é a primeira vez que tal sucede desde 2001. Não será isso uma forma importante de Paz, depois de um reinado de trevas que durou 8 anos e que tu raramente, ou nunca, enfrentaste com vigor?

O caminho faz-se andando. Cresce, Pacheco!...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

"A crise acabou", parte IV


Curiosamente, Krugman, a relatar do coração da máquina que ainda são os EUA, diz que não:


Quem é MFL ao pé de um prémio Nobel para afirmar, sem o mínimo comentário dos seus consignatários, o contrário?
Tratar-se-á de alguém que cegou de arrogância, obstinação infundada e vetustice mental?

O fanatismo, inflexibilidade, azudume e ressabiamento desta gente tem analogias históricas profundas. É-nos servido menos violentamente, mas os traços de personalidade estão todos lá.

"A crise acabou", parte III

Está-se mesmo a ver que sim:

"As dívidas de crédito dos portugueses à banca não param de aumentar, atingindo em Agosto o valor mais alto desde há 12 anos, ou seja, desde que há séries estatísticas. São 3,7 mil milhões que os particulares têm em malparado nos bancos, um crescimento absoluto de 34% face a igual mês de 2008 e mais 100 milhões de euros que no mês anterior, de acordo com os últimos dados divulgados ontem on-line pelo Banco de Portugal."


excerto de artigo de Paula Cordeiro do DN de 7 de Outubro, 2009

"A crise acabou", parte II


Todos sabemos que o desemprego sofre de alguma "inércia" relativamente às crises económicas, perdurando no tempo após o anti-climax das depressões como a que atravessamos. Ainda assim, irresponsavelmente, o PSD apostará em breve na derivação da tese de MFL: "A crise acabou".

É o que se vê e ouve já também a outros dirigentes do PSD (alguns deles economistas!), como Rui Rio, que acusou Sócrates de estar a criar um país de subsídio-dependentes por causa do número de pessoas que recebe o Rendimento Social de Inserção (RSI) ter aumentado de algumas dezenas de milhar de pessoas.

Lembro ainda, em relação a essa prodigiosamente cega afirmação, o que propagandeava um dos cartazes recentes da outra senhora. Rezava assim: ouvimos os portugueses: "ajudem quem mais precisa".

Justamente num ano como o que atravessamos o que poderia um cidadão normal esperar do seu Governo? Que reduzisse o número de recipientes do RSI, quando se sabe que o desemprego mais que duplicou e se tem consciência das graves dificuldades sociais de algumas famílias portuguesas? Seria isso "natural"?

Que Rio defenda que essas pessoas deveriam integrar forças de trabalho comunitário em part time enquanto recebem o RSI, é razoável. Que critique por criticar, e acuse de falsários e preguiçosos, às cegas, muitos dos que passaram a receber o RSI, é populista, irresponsável e absurdo.
Que se documente primeiro, e abra a boca depois.

"A crise acabou", afirmou MFL


MFL resiste no posto, enquanto a sua retaguarda procura desesperadamente uma solução que assegure o statu quo da linha de Cascais (será o gasto Marcelo, outra vez?).

Mas entretanto, MFL, que parece não ter aprendido nada com as últimas eleições, já voltou aquela linguagem esquisita e sem nexo: são frequentes nas suas curtas declarações à mestre-escola termos como "exigo", "jamais", "aviso", "medo", e outros indiciativos de grande dificuldade em aceitar e interpretar o sentido do voto popular.

No fim de semana passado, na sua inenarrável crónica do Expresso, MFL vertia assim:

"A crise, esse conceito abrangente que justifica todos os males económicos e sociais que nos rodeiam, acabou. É o que se lê nas declarações políticas e nas análises económicas."

Que maravilha!
Decretar o fim da crise logo depois de ter perdido as eleições, i.e. quando mais lhe dá jeito (a crise mundial, que ela tanto se esforçou por esconder numa campanha feita de ignomínias em nome da "Verdade). Chama-se a isto ter o mundo a seus pés (com honras de primeira página) ou, mais verdadeiramente, o rei na barriga.

Mais para o final da sua missiva, derrama a confissão inevitável:

"Sem se poder continuar a invocar a crise para justificar as nossas dificuldades, há que criar uma outra figura mítica que desempenhe este papel - talvez as 'consequências da crise'."

Por outras palavras, agora que a crise acabou, venha a próxima inventona! Será que não há nenhum editor que a notifique do ridículo a que se expõe?

Creio que a chave para a compreensão deste absurdo reside num provérbio inglês: "what can you expect from a pig but a grunt?"

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Viva!

Como costuma dizer o padre e professor Resina Rodrigues, "ainda bem que o ser humano é inconformista"

Má gestão, stress e suicídios: France Telecom

Segundo Christian Larose, suicidam-se em França entre 300 a 400 trabalhadores por ano, em consequência de pressão nos respectivos locais de trabalho.

Em 2007, ano de reorganizações para várias empresas automóveis, suicidaram-se numa semana 3 trabalhadores da Peugeot, em Mulhouse (um deles foi encontrado enforcado dentro da instalação). Também nesse ano suicidaram-se 4 trabalhadores do Renault Technocentre em Guyancourt (que já tinha por média um suicídio por ano).

Numa das situações, uma acção de solidariedade de colegas motivou repreensões explícitas (Peugeot).

Agora vem a lume a história mais trágica da France Telecom: 23 suicídios em apenas ano e meio!

Como é possível a gestão de pessoas ter chegado a este ponto tão baixo?

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Que patrões tão queridos!



O descalabro social em pormenor, relatado pela Lusa:

"A empresa Supercamiseiros, de Guimarães, pediu a insolvência e despediu 51 trabalhadoras a quem ainda deve dois meses de salário e 200 horas extraordinárias, disse hoje à Lusa fonte sindical."É uma empresa que pôs sempre as trabalhadoras a fazer horas extraordinárias, que tinha encomendas e matéria-prima e, mesmo assim, ficou a dever dois meses de salário às funcionárias e não lhes pagou nem um cêntimo das horas extra", referiu Adão Mendes, coordenador da União de Sindicatos de Braga. A empresa Supercamiseiros, Confecções Ldª, em Brito, Guimarães, apresentou hoje de manhã o pedido de insolvência e entregou às 51 trabalhadoras a documentação necessária para que possam solicitar o pagamento do subsídio de desemprego. "Nunca nos faltou trabalho e, este Verão, adiámos as férias para Setembro para poder terminar algumas encomendas na data prevista", explicou Esmeralda Martins, funcionária da Supercamiseiros. A empresa de confecção de camisas e blusas foi fundada em 1997 e apresentava um capital social no valor de oitenta mil euros. Depois das férias, as trabalhadoras deslocaram-se à fábrica para iniciar funções, mas encontraram a porta da empresa fechada e um advogado à sua espera. "Disseram-nos que a fábrica ia fechar porque não tinha encomendas", afirmou Esmeralda Martins. "Numa altura em que os políticos tanto falam nas pequenas e médias empresas [PME], é mais uma que pede insolvência e que não paga dois meses de salário às trabalhadores", salientou Adão Mendes. Sem trabalho e sem salário, as funcionárias não acreditam que lhes sejam pagas as horas extraordinárias. "A administração pediu-nos para assinar um documento onde dizia que a empresa não nos devia nada e que nos tinha pago as horas extra e nós assinámos", frisou Esmeralda Martins. Em causa, segundo a trabalhadora, estaria uma possível coima aplicada pela Autoridade para as Condições de Trabalho que os responsáveis pela empresa não queriam pagar. "Ficámos sem o dinheiro e sem o direito de reclamar o dinheiro que nos devem", finalizou a costureira. A administração da empresa esteve indisponível para falar com a Lusa."

Espírito de contradição...

Clicar para ver melhor.

O efeito Esfinge

O jornal "Público" tinha hoje online um questionário (uma das fontes do "ouvimos os portugueses" nos cartazes da senhora) com a seguinte questão:

Considera-se esclarecida/o com a comunicação de Cavaco Silva sobre a alegada vigilância a Belém?

Das 1729 respostas até à altura em que captei o resultado, 81% tinha respondido "não".

É favor remeter o resultado ao PR.

Um número que dá que pensar

Segundo o INE, 75% das pensões portuguesas tem um valor igual ou inferior ao salário mínimo nacional.
O avanço de uma sociedade não é feito sem se perceber como o colectivo trata os seus mais velhos membros.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Uma paródia!

A maioria dos portugueses ignora que toda esta estória de suspeita de "escutas" e "vulnerabilidades" no sistema informático da Presidência da República será, sem a menor dúvida, alvo certo da chacota de todos os serviços de informação na Europa e para lá dela. Pensar que ninguém, a esse nível, queira saber do que se passa em Portugal é de uma grande ingenuidade.

De uma penada, todos ficaram a saber pela voz do próprio Presidente português, que deve ser uma brincadeira de crianças comprometer e violar informação confidencial do Estado, ainda que ao mais alto nível. Não é admissão pública que se possa fazer sem os devidos fundamentos, as devidas despistagens e o devido decoro e discreção.

Cavaco não se deve admirar que nos seus próximos encontros bilaterais apanhe com alguns sorrisos sardónicos.

Nunca, mas nunca, uma suspeita de vigilância foi tratada desta forma aberrante e infantil num Estado de Direito que se preze. Mesmo que hipoteticamente existissem - ou existam - indícios de vigilância do Governo sobre a PR, o caso merecia outro tipo de tratamento.

Assim, a declaração de terça-feira do senhor Presidente da República não só compromete a estabilidade política entre as mais altas instituições portuguesas, como também coloca a nu matérias sérias que intersectam o espaço da segurança nacional. Isso acontece por iniciativa do próprio Chefe Supremo das Forças Armadas, que é Cavaco.

Mais esquisito, só mesmo a publicação acidental de agentes da secreta portuguesa, há uns anos atrás.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Torpedo in the water!


É certo que a justiça deve seguir o seu rumo independentemente de calendários eleitorais.
Contudo, em alturas críticas, como a que se vive, deveria existir todo o cuidado do MP em fundamentar quaisquer buscas com a Lei. Não vi esse cuidado reflectido na comunicação social, acerca das buscas aos escritórios de advogados envolvidos na assistência contratual à aquisição de submarinos, caso que pode vir a envolver Paulo Portas.
Marinho Pinto já apontara, a propósito de outras buscas, à ilegalidade.
Porque é que o MP não esclarece a opinião pública sobre os fundamentos legais que justificam e autorizam semelhantes acções-relâmpago?

Lembram-se do "monstro"?

Se agência Lusa noticiava hoje um decréscimo de 42.837 funcionários públicos nos últimos 4 anos, fixando-se o número total global nos 523.119 funcionários a finais de Junho (fonte: Ministério das Finanças).

Se bem me lembro, foi Sócrates quem pediu o elenco completo de funcionários públicos, após 2005 (número que nunca foi conhecido com rigor antes dele). E se bem me lembro também, o número total já andou perto dos 700.000 durante os anos Guterres (o tempo do "monstro").

Podem existir muitas razões de fundo para isto, nem todas necessariamente boas, mas é forçoso incluir nesse elenco a reforma da Administração Pública que o Governo de Sócrates encetou para explicar este resultado algo inimaginável há apenas 4 anos.

Cortar o mal pela raíz

Da declaração de resposta do PS às declarações do PR de 29 de Setembro.

Sobre as suspeitas de escutas:

“absurdas e totalmente infundadas” ; “grave manipulação da verdade, com o objectivo de prejudicar o Governo e o PS”

Sobre o tom da comunicação:

“o momento que o País vive e o quadro político da nova legislatura exige um esforço redobrado de todos os responsáveis políticos perante os desafios que têm pela frente”

Sobre a parte importante do enredo de Verão:

"a chamada polémica das escutas que supostamente teriam sido promovidas no Palácio de Belém pelo Governo não teve origem em nenhuma declaração de deputados do PS nem na publicação de qualquer email pelo DN”

“Teve origem, isso sim, em duas notícias do ‘Público’, invocando expressamente um membro da casa civil do Presidente da República (PR), dando conta de suspeitas que elementos ao serviço do PR estariam sob escuta a mando do Governo. Essa suspeição, a ser levada a sério, seria obviamente de extrema gravidade”

Sobre a continuação do clima de suspeição:

“não só não referiu nenhum facto susceptível de conferir o mínimo de razoabilidade a essa suspeição como expressamente recordou que ele próprio nunca proferiu tais suspeitas”

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Opiniões...

"Decididamente, o desatino tomou conta o Palácio de Belém. A comunicação de Cavaco Silva há-de ficar nos anais do nonsense político entre nós. Lembremos os factos. Em Agosto, o Público relata que uma fonte da Presidência da República informa que Belém suspeita de estar a ser "vigiada" pelo Governo. A história é logo transformada num caso de "escutas" a Belém. Cavaco Silva não desmente nem esclarece a acusação, dando a entender que concorda com a grave alegação. O PSD e explora longamente essa estória contra o Governo e o PS, construindo a teoria da "asfixia democrática", com largo apoio da comunicação social. Cavaco Silva nem se demarca nem se distancia, deixando que a questão renda politicamente ao PSD. Em Setembro o Diário de Notícias publica um email entre jornalistas do Público -- cuja genuinidade não foi posta em causa --, onde se relata que a fonte da tal noticia era um conhecido assessor de Belém, e que este terá dito que estava a actuar a pedido do Presidente. Nem o dito assessor nem Cavaco Silva desmentiram nem esclareceram os factos relatados no email, apesar do clamor geral nesse sentido.É evidente que pelo seu silêncio ruidoso, Cavaco Silva deixou que uma história inventada em Belém fosse aproveitada politicamente pelo PSD. Vir agora acusar o PS de ter tentado "arrastá-lo para a luta política" é o cúmulo da hipocrisia e do farisaísmo.Algo não está bem com o Presidente da República."

Vital Moreira, in http://causa-nossa.blogspot.com/

Será?



"Cavaco estará a entender que a Constituição lhe dá margem para não indigitar José Sócrates como PM. E preparar-se para convidar o PSD+CDS a formar governo. Minoritário, mas com mais deputados que o PS. É um atentado à democracia? É. Tenho a certeza que o fará? Não. Mas porque escolheu então este momento para reforçar suspeitas sobre o PM e o Governo, com base num assunto que nem estava em discussão? Nunca ninguém pensou em computadores vigiados na presidência porque os emails revelados não eram daí.
Há algo de bizarro no comportamento e no discurso do PR. E a eventual golpada constitucional pode ser a explicação plausível."


Perguntas sobre as declarações do PR


"Durante a campanha eleitoral foram produzidas dezenas de declarações e notícias sobre escutas, ligando-as ao nome do Presidente da República. E, no entanto, não existe em nenhuma declaração ou escrito do Presidente, qualquer referência a escutas ou a algo com significado semelhante. Desafio qualquer um a verificar o que acabo de dizer.
E tudo isto sendo sabido que a Presidência da República é um órgão unipessoal e que só o Presidente fala em nome dele ou então os seus chefes da Casa Civil ou da Casa Militar. Porquê toda esta manipulação?"


Ao usar a palavra "manipulação" Cavaco deve esclarecer se se refere ao PS, a elementos do PS, ao Governo ou simplesmente aos órgãos de comunicação social.


"Durante o mês de Agosto, na minha casa no Algarve, quando dedicava boa parte do meu tempo à análise dos diplomas que levei comigo para efeitos de promulgação, fui surpreendido com declarações de destacadas personalidades do partido do Governo, exigindo do Presidente da República que interrompesse as férias e viesse falar da participação de membros da sua Casa Civil na elaboração do programa do PSD, o que, de acordo com informação que me foi prestada, era mentira."
Se era mentira porque é que já estava a essa mesma data - como continua a estar - no site de campanha do PSD:http://www.politicadeverdade.com/?idc=1102&idi=4447?

"Considerei graves aquelas declarações: um tipo de ultimato ao Presidente da República."

Se considerou aquelas declarações como um ultimato, porque não lhes reagiu imediatamente?

"Pretendia-se, quanto a mim, alcançar dois objectivos, com aquelas declarações: primeiro, puxar o Presidente para a luta político-partidária, encostando-o ao PSD, apesar de todos saberem que eu, pela minha maneira de ser, sou particularmente rigoroso na isenção em relação a todas as forças partidárias; segundo, desviar as atenções do debate eleitoral das questões que realmente preocupavam os cidadãos."

Quem acusa o PR de querer alcançar esses dois objectivos? Os 4 elementos do PS implicitamente visados, todo o PS, o Governo?


Desviar as atenções do debate eleitoral das questões que realmente preocupavam os cidadãos? E o que fez durante toda a campanha o próprio PSD? Ou o próprio Cavaco com o seu silêncio enquanto medrava toda este enredo?


"A mesma leitura fiz da publicação num jornal diário de um mail, velho de 17 meses, trocado entre jornalistas de um outro diário sobre um assessor do gabinete do primeiro-ministro, que esteve presente durante a visita que efectuei à Madeira em Abril de 2008. Desconhecia totalmente a existência do conteúdo do referido e-mail e, pessoalmente, tenho sérias dúvidas, repito, tenho sérias dúvidas da veracidade das declarações nele contidas."


A impressão que fica é a de que o PR não se importou que se falasse de escutas ou vigilâncias enquanto isso serviu para lançar a dúvida sobre o comportamento do Governo.
Já quando se divulga [DN] um facto concreto ligando a forma, origem de insinuações e pedidos de averiguações (para não empregar a palavra vigilância) a Belém, o Presidente sente-se indignado...


"Não conheço o assessor do primeiro-ministro nele referido, não sei com quem falou, não sei o que viu ou ouviu na visita à Madeira. Se disso fez ou não relatos a alguém. Sobre mim próprio teria pouco a revelar, que não fosse de todo explícito e, por isso, não atribui qualquer importância à sua presença quando soube que tinha acompanhado a minha visita à Madeira."


Mas ficou por demonstrar porque é que o seu assessor tinha tanta curiosidade nele. E já agora, se não tinha, porquê exonerá-lo das suas funções?


"Liguei imediatamente a publicação do e-mail aos objectivos visados pelas declarações produzidas em meados de Agosto. "


Esta parece ser uma acusação implícita ao PS: no mínimo, de organização da divulgação de factos inconvenientes ao Presidente da República.
Relembro que o início da comunicação do PR emprega o termo "manipulação".

"Ninguém está autorizado a falar em nome do Presidente da República, a não ser os seus chefes da Casa Civil e Militar. E embora me tenha sido garantido que tal não aconteceu, eu não podia deixar que a dúvida permanecesse. Foi por isso, e só por isso, que procedi a alterações na minha Casa Civil."

Se o Presidente procedeu às "alterações da sua Casa Civil" apenas pelas razões que expõe, então cometeu um erro político da maior ingenuidade.
Será plausível pensar que foi apenas isso que se passou, tratando-se de um político tão experimentado?


"A segunda interrogação que a publicação do referido e-mail me suscitou foi a seguinte: será possível alguém do exterior entrar no meu computador e conhecer os meus e-mails?"


Chegado a este ponto o PR começa realmente a afundar-se: que relação tem tudo o que disse antes com esta questão? Qual é o fundamento da suspeita de vigilância, quando o email que refere nem sequer partiu de Belém?


"Agora, passada a disputa eleitoral, e porque considero que foram ultrapassados os limites do tolerável e da decência, espero que os portugueses compreendam que fui forçado (...) a partilhar convosco, em público, a interpretação que fiz sobre um assunto que inundou a comunicação social (...)"


Foi forçado a partilhar a sua interpretação? Por quem?
Se atentarmos ao que disse, tudo o que haveria a explicar seria que a demissão de Fernando Lima das funções que ocupou se deveu exclusivamente ao não-benefício da dúvida que o Presidente da República sentiu dever exercer, nada mais.

Grave momento

Pessoalmente, já intuía que a noite pudesse vir a ser aziaga. Já o tinha escrito no post de ontem.

Por onde começar?

Talvez pelo fim: “Estará a informação confidencial contida nos computadores da Presidência da República suficientemente protegida?” perguntou Cavaco Silva, que afirmou que "hoje, só hoje" teriam sido feitas consultas sobre a segurança informática da PR que, como se deduz, foram quase inconclusivas: qualquer sistema informático possui "vulnerabilidades" (até o do Pentágono). Mas nenhuma "vulnerabilidade" constitui por si só prova de "intrusão". Daí à questão citada (que aparentemente interliga as "vulnerabilidades" com uma ocorrência implícita de "intrusão") vai uma distância para a qual Cavaco não apresentou nenhum fundamento.

Pergunto: com que espécie de ligeireza Cavaco investiga em um só dia, e conclui nesse próprio dia, que não só existem "vulnerabilidades" como poderão ter existido intrusões de segredos através dessas "vulnerabilidades", associando tudo isso a pretensas manipulações do PS?

Ainda mais espantoso: como é que num só dia - hoje - Cavaco elimina as hipóteses de que essa intrusão implícita se possa ter originado a partir de corporações não-governamentais ou até, porque não, por parte de outro Estado?

Admirável e inédito, pela negativa, de qualquer investigação séria de contra-espionagem que fosse susceptível e admissível realizar a pedido de um Presidente da República que se sentisse vigiado (e que requereria um absoluto segredo desde a primeira suspeita, exactamente ao contrário de tudo o que temos vindo a assistir).

De novo: que factos fazem supor qualquer tipo de intrusão? Que ligação tem isso com os factos já conhecidos desta história? Com o PS em particular? Nada, zero, o deserto absoluto: nenhum esclarecimento concreto.

Outra questão reveladora de Cavaco Silva: "Como é que aqueles políticos [do PS] sabiam dos passos dados por membros da Casa Civil da Presidência da República?”

Tive dificuldade em acreditar no que estava a ouvir de Cavaco Silva, o nosso PR, 48 horas após as eleições: a mesma tola questão que ouvimos de muitos elementos do PSD em campanha eleitoral...

A resposta para esta "questão" é sobejamente simples: essa informação já tinha sido publicada na imprensa antes dos políticos visados do PS a terem referido, e o próprio site de campanha do PSD a noticiava, sem sombra para quaisquer dúvidas. Ver aqui a confirmação dada pelo próprio PSD no seu sítio (enquanto não for retirada): "Ferreira Leite faz o programa com Catroga e assessores de Belém", http://www.politicadeverdade.com/?idc=1102&idi=4447

Novamente admirável.

Porque sendo o caso da pergunta de Cavaco não fazer sentido, então o seu objectivo só pode ser o de intoxicar ainda mais aquela parte da opinião pública que não está ou não quer estar ao corrente dos factos. Resta saber com que objectivo último...

Para Cavaco, “foram ultrapassados os limites do tolerável e da decência”. Também concordo: já chega de jogar à Esfinge!

Por que razão absurda, com que objectivos, monta tão tarde Cavaco uma acusação com tamanha gravidade a "personalidades destacadas do partido do Governo", lançando mesmo a suspeita sobre o próprio Governo no seu todo, baseado tão somente no facto de 4 elementos do PS se terem referido, em campanha, a um facto público que logo a seguir ele classifica na sua comunicação de hoje como normal?

Cavaco Silva, ou terá argumentos mais sólidos e inteligíveis, ou simplesmente nunca os teve nem terá; nem para explicar o seu longo silêncio, nem para explicar as suas mais recentes afirmações...

Como irá acabar esta tragédia de erros?

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

As opções de Sócrates

Descobrir o "melhor caminho" a seguir neste mandato será tudo menos trivial para o PS, e no entanto é bem possível que Sócrates surpreenda de novo, mostrando-se adaptado às novas - e esperadas - circunstâncias. Foi isso que sinalizou Sócrates já no discurso de ontem (ele tem um mandato de avanço sobre esta situação que agora acontece e por isso é lícito esperar algum grau de preparação).
À esquerda do Governo quase todos os possíveis compromissos se revelam muito complicados. Quer o PC quer o BE rejeitaram de antemão todas as hipóteses de possível entendimento e sabem agora que não serão individualmente culpabilizados por uma eventual falta de governabilidade do país, nesta ou naquela situação. Espera-se por essa razão, e por um certo radicalismo inerente a essas forças que é a sua "raison d'être", a continuação de feroz oposição à esquerda.
À direita do CDS-PP - no PSD versão "brigada do reumático" - só haverá possibilidades de algum diálogo depois das declarações do PR, amanhã, e sobretudo se a liderança mudar, o que não sendo impossível também não se espera que aconteça imediatamente. Se a liderança se mantiver, não é de esperar qualquer tipo de entendimento com o PS. O PSD de hoje em dia (aqueles que nele mais mandam) não dista muito do PC em matéria de inflexibilidade e fanatismo.
A direita de Portas surge assim como a única possibilidade real que se apresenta a Sócrates para alcançar a estabilidade numa maioria de situações, sobretudo enquanto a liderança do PSD não mudar. Portas será muita coisa, menos estúpido; não me parece que aceitasse que sobre ele viessem a cair acusações de que tivesse escolhido ser apenas mais um "partido de protesto"; por outro lado, perante parte do seu eleitorado (sobretudo a parte agora ex-PSD), Portas dificilmente poderá deixar escapar mais uma oportunidade de ser parte integrante deste Governo, sobretudo sabendo que mesmo que as coisas corram menos bem conseguirá provavelmente escapar aos principais focos de culpabilização ainda com imagem de dever cumprido. Portas é inteligente, mas também já demonstrou saber ser errático. Veremos para que lado pende.
Presumo que a negociação PS-CDS, a ocorrer, não seja rápida nem fácil, convergindo no entanto para um entendimento mais ou menos inevitável. O efeito colateral será a indisposição amplificada da ala esquerda do PS, sobre o que o BE só capitalizará se moderar as suas posições, o que por convir a Sócrates se revela improvável.
Uma aliança parcial com o CDS-PP, sendo um mal necessário, pode também ser uma conveniência estratégica para desnatar os neoliberais conservadores e fazer face ao principal eventual adversário futuro - um PSD de liderança refrescada e ainda mais sedento de poder.
Por outro lado, para quem acha grave um entendimento PS-CDS, não me parece forçoso que o PS tenha que abdicar do essencial do seu programa se conceder alguns ministérios a Portas...
Outra opção de Sócrates será ainda apostar na diversidade parcial para o seu Governo, num multi-partidarismo contido - que faria algum sentido político num momento em que é necessária união interna - escolhendo para algumas pastas figuras próximas ao PSD (se já pós-Ferreira Leite), outras próximas ao CDS-PP, numa manobra a la Sarkozy / Obama.
Na impossibilidade de algum tipo de arranjo de forças que confira estabilidade à governação, o último recurso será Socrates seguir o seu caminho, o que se afigura razoavelmente mais arriscado, sobretudo se o PSD entretanto encetar um verdadeiro movimento de renovação de lideranças para melhor (o que não parece provável no curto prazo, mas veremos). Ao invés, se o PSD não se souber renovar devidamente, de forma credível, e se o PS se vir impossibilitado de contar com o apoio de quaisquer outros partidos no parlamento e apostar em manter o seu rumo, cairá, abrindo-se então a possibilidade de regresso à maioria absoluta.
Mas aguardemos, antes de mais, o que diz o PR amanhã. Não auguro nada de bom.

domingo, 27 de setembro de 2009

Resultados Eleitorais


O resultado mais importante terá sido, em circustâncias muito adversas, a lucidez do eleitorado nacional na rejeição da pequena política, da política de casos, da política do vazio, do oco neoliberalismo conservador à portuguesa.


O segundo resultado mais importante consiste simultaneamente na perda de maioria absoluta do PS, e na clara vitória da esquerda, como de costume dividida e clivada, incapaz de convergir, coisa que seria do interesse da governabilidade do país.


O terceiro resultado que os resultados abrem é a da possibilidade de entendimento mais ou menos formal nalgumas áreas com um partido que poderá (veremos) estar aberto ao compromisso, em nome do interesse da governabilidade do país e do seu futuro político, o CDS-PP. Espera-se portanto que mais ou menos formalmente (se mais, melhor), possa existir alguma convergência com o programa do partido escolhido pelos portugueses para governar, em áreas como a Justiça, a Defesa, a Agricultura e Pescas ou, eventualmente, a Educação.

Vitória, Vitória, Vitória!

E assim começa aquilo que pode vir a ser a nossa mais nobre hora.

Contra a insídia e o cinismo, contra a perfídia e a mentira, contra os velhos fariseus.

Pelo futuro sem sombras, que o caminho se faz caminhando, sem medos, sem asfixias.

Vitória! Vitória! Vitória!
Nobre povo! Vivas tu!

sábado, 26 de setembro de 2009

Porquê votar PS


Texto de Filipe Moura:

"Numa notável música intitulada O Estrangeiro, em 1989, Caetano Veloso remata anunciando:

Some may like a soft brazilian singer but I’ve given up all attempts at perfection.

Não defendo que esqueçamos a perfeição. A perfeição deve permanecer como o objectivo, os objectivos devem ser claros e devemos lutar por eles. Mas devemos ter a noção de que a perfeição nunca é atingível por métodos democráticos, e os métodos antidemocráticos (para além de serem isso mesmo – antidemocráticos) conduziram a resultados que ninguém, nem mesmo o mais fanático, considera perfeitos. Ou seja: devemos tentar aperfeiçoar-nos, conscientes das nossas imperfeições. A perfeição é algo que se tenta atingir, e não algo que se estabelece. Finalmente, há limites à perfeição que queremos atingir (à esquerda: a Igualdade e a Liberdade), provenientes da nossa condição humana de animais sociais, que podemos aprender com a História, mas também com a Segunda Lei da Termodinâmica. São totalmente irrealistas as propostas baseadas na “imaginação”, no “sonho”, no “ideal” e na “utopia”, que tantas vezes se ouve falar à esquerda, e que devemos rejeitar em nome da verdade. (Belo slogan, o do PSD: Política de Verdade. Pena que não tenha nada a ver com o partido que o usa.) Mais valem avanços concretos que tacticismos suicidas que preferem levar a direita ao poder em nome da “pureza ideológica”, na esperança que a revolução fique mais próxima e mais fácil. É em nome destes avanços concretos, é por causa destes avanços concretos, que voto no PS nestas eleições legislativas. Porque sou de esquerda e, relativamente aos outros partidos, o Bloco de Esquerda não consegue (ou não conseguiu, até hoje) assumir nenhum tipo de responsabilidades, e o PCP, se não tiver uma posição hegemónica (que o povo português nunca entendeu dar-lhe), prefere conservar a sua pureza como partido puramente de protesto. Esta minha rejeição poderia motivar-me a procurar uma outra alternativa, ou a votar no PS simplesmente porque era o mal menor. Não é esse o caso: voto no PS nestas eleições com convicção: estou firmemente convencido de que é o melhor para Portugal."