terça-feira, 25 de agosto de 2009

O novo Império do Sol Nascente

Eva Gaspar, in Jornal de Negócios (on-line): " Foi por pouco e não é certo se é para durar. Mas, pela primeira vez desde que há registos estatísticos comparáveis, a China ultrapassou a Alemanha como maior exportador do mundo em valor, numa renovada indicação de que o gigante asiático está em passo acelerado para liderar a economia global.
Entre Janeiro e Junho, a China exportou mercadorias no valor de 521,7 mil milhões de dólares (cerca de 365 mil milhões de euros), ao passo que a Alemanha, tradicionalmente o maior exportador do planeta, vendeu ao mundo 521,6 mil milhões de dólares de bens.
Os dados referem-se à primeira metade do ano e foram ontem divulgados pela Organização Mundial do Comércio (OMC). No início do ano, a China já tinha superado os Estados Unidos, tornando-se o segundo maior exportador do mundo."
.
A partir de agora não nos restam muitos caminhos: ou se globalizará a democracia, os direitos humanos, e se elevarão os padrões éticos do mundo, ou forçar-nos-ão provavelmente a ser mais "Chineses" , e a democracia correrá de novo (corre já) risco de vida. Será que os nossos líderes o compreendem?

A Crise como Modus Vivendi


Um texto de Ricardo Araújo Pereira:

"A todos os executivos que mantiveram Portugal em crise desde 1143 até hoje, muito obrigado.


Ou estou fortemente enganado (o que sucede, aliás, com uma frequência notável), ou a história de Portugal é decalcada da história de Pedro e o Lobo, com uma pequena alteração: em vez de Pedro e o Lobo, é Pedro e a Crise.


De acordo com os especialistas - e para surpresa de todos os leigos, completamente inconscientes de que tal cenário fosse possível - Portugal está mergulhado numa profunda crise. Ao que parece, 2009 vai ser mesmo complicado. O problema é que 2008 já foi bastante difícil. E, no final de 2006, o empresário Pedro Ferraz da Costa avisava no Diário de Notícias que 2007 não iria ser fácil. O que, evidentemente, se verificou, e nem era assim tão difícil de prever tendo em conta que, em 2006, analistas já detectavam que o País estava em crise.


Em Setembro de 2005, Marques Mendes, então presidente do PSD, desafiou o primeiro-ministro para ir ao Parlamento debater a crise económica. Nada disto era surpreendente na medida em que, de acordo com o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco de Portugal, entre 2004 e 2005, o nível de endividamento das famílias portuguesas aumentou de 78% para 84,2% do PIB. O grande problema de 2004 era um prolongamento da grave crise de 2003, ano em que a economia portuguesa regrediu 0,8% e a ministra das Finanças não teve outro remédio senão voltar a pedir contenção.


Pior que 2003, só talvez 2002, que nos deixou, como herança, o maior défice orçamental da Europa, provavelmente em consequência da crise de 2001, na sequência dos ataques terroristas aos Estados Unidos. No entanto, segundo o professor Abel M. Mateus, a economia portuguesa já se encontrava em crise antes do 11 de Setembro. A verdade é que, tirando aqueles seis meses da década de 90 em que chegaram uns milhões valentes vindos da União Europeia, eu não me lembro de Portugal não estar em crise.


Por isso, acredito que a crise do ano que vem seja violenta. Mas creio que, se uma crise quiser mesmo impressionar os portugueses, vai ter de trabalhar a sério. Um crescimento zero, para nós, é amendoins. Pequenas recessões comem os portugueses ao pequeno-almoço.


2009 só assusta esses maricas da Europa que têm andado a crescer acima dos 7 por cento. Quem nunca foi além dos 2%, não está preocupado. É tempo de reconhecer o mérito e agradecer a governos atrás de governos que fizeram tudo o que era possível para não habituar mal os portugueses. A todos os executivos que mantiveram Portugal em crise desde 1143 até hoje, muito obrigado. Agora, somos o povo da Europa que está mais bem preparado para fazer face às dificuldades."

Ela [justiça] move-se, mas muito pouco!

"Mais de 200 trabalhadores da ex-Metalúrgica Duarte Ferreira (MDF) e da Metanova, de Tramagal, afirmam esperar há 24 anos pelo pagamento de um milhão de euros de salários em falta, bem como das indemnizações que lhes são devidas.
O ex-dirigente sindical e trabalhador credor Álvaro Branco, 70 anos, declarou hoje à agência Lusa que os trabalhadores e as famílias dos operários entretanto falecidos têm sido "vítimas de um sistemático bloqueio judicial, onde a interposição de recursos por parte da Segurança Social e a extrema lentidão do aparelho de Justiça impediram o recebimento dos seus créditos".
Os créditos reclamados pelos trabalhadores correspondem a "salários e a indemnizações, relativos a despedimento colectivo ilícito" ocorrido por ocasião da falência daquelas duas empresas. Decorridas mais de duas décadas, os trabalhadores credores, afirmou Álvaro Branco, "não receberam um cêntimo do activo financeiro de que são co-proprietários".
"Pelo contrário", acrescentou, "tiveram de pagar custas judiciais, na esperança de que a culpa não morra solteira"."

Um outro sub-prime?

"O balanço do primeiro semestre revela uma evolução preocupante do crédito malparado. Famílias e empresas denotam cada vez mais dificuldades em honrar os pagamentos aos bancos, numa altura em que os banqueiros alertam que o incumprimento vai continuar a aumentar. O peso do malparado nas famílias subiu 47% nos últimos dois anos."

In Jornal de Negócios, Sara Antunes

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Fariseus? É possível...

Enquanto por cá assistimos ao empatanço, a meias verdades e a outras políticas de "verdade", nos EUA a parada é ainda mais dura; parecem existir grupos organizados que incitam indigentes morais a encenar "perguntas sérias" como aquela que podem ver seguindo o link abaixo (cenas deste tipo têm-se repetido por todos os Estados Unidos, nos últimos meses):
Vivemos tempos perigosos, em que interesses não-declarados tentam novamente explorar o medo e a ignorância dos povos em proveito próprio, recorrendo a comparações ignorantes, absurdas, impensáveis.
Fariseus: (...) "A sua oposição ferrenha ao Cristianismo rendeu-lhes através dos tempos uma figura de fanáticos e hipócritas que apenas manipulam as leis para seu interesse. Esse comportamento deu origem à ofensa "fariseu", comumente dado às pessoas dentro e fora do Cristianismo, que são julgados como religiosos aparentes." (Wikipedia)

Pobreza e índice de Gini nacional


Tendo em conta a época turbulenta que atravessamos, ou a estatística está errada, ou os resultados de Sócrates também se têm de considerar positivos nesta área (ainda que bastante limitados). Gráfico do Jornal de Negócios.

"E no entanto, ela move-se!"



Número de processos judiciais que transitaram de ano fiscal, ano a ano (gráfico: Jornal de Negócios).

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Política de Verdade?

Agora com informação mais completa, damo-nos conta que terá sido no dia 7 de Agosto que o Semanário Sol referiu uma informação de domínio público - desde que o próprio PSD a colocou na internet - de que o programa do PSD estava a ser elaborado entre Manuela Ferreira Leite, Eduardo Catroga e (sic) "assessores de Belém". Uma história mais antiga que a insinuação de escutas em Belém, portanto.

Ver aqui a confirmação dada pelo próprio PSD no seu sítio (enquanto não for retirada): "Ferreira Leite faz o programa com Catroga e assessores de Belém", http://www.politicadeverdade.com/?idc=1102&idi=4447

Não contente com a grave suspeição e intriga causadas pela insinuação de escutas em Belém, a líder do PSD declarou ontem acerca do assunto, na entrevista que deu à RTP: “Ele já percebeu que vai perder as eleições e está-se a armar em vítima. A situação do país está desastrada (...). E quando a pessoa está a pretender vitimizar-se [um dia] é a crise, agora é o Presidente da República, qualquer dia não sei o que será. A culpa nunca é do Governo, é sempre de outras entidades”.

Um comentário algo deslocado, dir-se-ia de alguém que pretendesse disfarçar uma verdade que entretanto se notou incómoda.

Então Sócrates está-se a armar em vítima quando o PSD admite, primeiro, que há assessores de Cavaco a elaborar o programa (no seu site), e depois insinua que está sob vigilância por isso ter sido "denunciado" pelo PS? Será esquizofrenia institucional?

Belém escusa-se não só a apresentar factos subjacentes à suposta "vigilância", como a dar as devidas explicações ao país relativas ao seu envolvimento na campanha do PSD, pelos vistos mesmo quando é a intriga, a dúvida não fundamentada ou o lançamento de boatos, a especialidade recorrente do partido.

Enquanto Belém não explicar se essa colaboração ocorreu a título pessoal ou institucional, resta a dúvida legítima e razoável, de perda de isenção do próprio Presidente da República.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O ciclo vicioso do Stress

"Não devemos acreditar nos muitos que afirmam que só as pessoas livres devem ser instruídas, devemos antes acreditar nos filósofos que dizem que só os instruídos são livres." Epicteto, filósofo romano e antigo escravo (Dissertações)

Aqui e ali, começam a despontar resultados científicos internacionalmente relevantes produzidos em Portugal, um fenómeno emergente que vem provar que faz sentido continuar a apostar em investigação, mesmo naquela realizada fora de Lisboa, Porto ou Coimbra.

Um estudo de um grupo de investigação da Universidade do Minho, sobre o stress, foi ontem destacado pelo The New York Times (depois de publicado pela Science) com honras de elogio de especialistas de grandes centros de produção de ciência nos EUA (Robert Sapolsky, Neuro-Biólogo da Stanford University).

Para ler na íntegra, siga o link:
http://www.nytimes.com/2009/08/18/science/18angier.html?ref=science

Tasse bem...


Excertos de um artigo recente do Público sobre declarações de responsáveis das Finanças acerca de contribuintes portugueses com contas no Liechtenstein:

"Não têm nomes apelativos e tomara que todos os contribuintes fossem tão solícitos em regularizar a situação fiscal como eles. Quem o afirmou ao PÚBLICO foi Carlos Lobo, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, sobre os contribuintes portugueses cujos nomes constam da lista de investidores no Liechtenstein obtida pela administração alemã no início de 2008.

Carlos Lobo não quis dar pormenores, alegando sigilo fiscal. Não disse quantos eram ou de que tipo de contribuintes se tratava. Mas qualificou os casos como "uma situação comum em relação ao Liechtenstein"."

Declarações muy estranhas... e que para já não merecem mais comentários. A acompanhar.

A distrital de Lisboa sobre as listas

Os sociais-democratas parecem ter desenterrado a doutrina MAD (Mutual Assured Destruction) da Guerra Fria, desta vez para experimentar se funciona mesmo a sério, carregando no botão vermelho:
"Acertar contas, pagar favores e colocar os amigos. Foram estas os critérios de Manuela Ferreira Leite na elaboração das listas de deputados por Lisboa, no entender da distrital laranja da capital, que entrou em ruptura com a direcção nacional do partido."
In Jornal de Negócios, 18 de Agosto 2009

Papão a sério: a Dívida Externa

Ou se corrige cortando a torto e a direito, se for preciso através do osso (PSD); ou se acredita que ainda há tempo (pouco) para reorganizar o país de forma a produzir mais para pagar a dívida a tempo e horas (PS).

Curiosamente, o partido que mais tem instrumentalizado a religião em Portugal, é aquele com menor grau de Fé no futuro.

Desnorte em Belém

O PS diz que há assessores de Cavaco activamente envolvidos na elaboração do programa do PSD.

Logo a seguir, a Presidência da República deixa escapar a hipótese de escutas em Belém.

Gato escondido com rabo de fora!?

Das duas uma:

a) Ou não havia/não há assessores da Presidência da República envolvidos activamente na elaboração do programa do PSD e nesse caso deveria existir um veemente desmentido de Cavaco ou do seu porta-voz... ou...

b) Ou havia/há assessores da Presidência da República envolvidos na elaboração do programa do PSD - que nunca mais aparece - e, nesse caso, a Presidência teria ainda duas opções: ou a de desvalorizar o facto, atirando para uma colaboração pessoal, não institucional, o que seria aceitável, ou a de criar um semi-escândalo, uma insinuação grave, excusando-se a apresentar qualquer fundamento de prova.

Ao escolher esta última via, a Presidência da República cometeu dois graves erros:

Em primeiro lugar destapou a lebre* e,

...em segundo lugar, reafirmou a guerra institucional com o Governo, ao mesmo tempo que criou condições de cobertura a um envolvimento ainda maior - e mais criticável - com a campanha do PSD.

* insinuações deste calibre podem ter surgido se alguém irritado com um "como é que eles sabem?", atirou irreflectidamente à implicação lógica: "se eles sabem, então é porque estamos a ser espiados!"; i.e., uma perfeita admissão de culpa!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O "consumidor racional"

A teoria neoclássica à anos que se agarra sem descanso ao famigerado "consumidor racional", objecto abstracto sobre o qual assentam bizarras efabulações.

O "consumidor racional" é um(a) tipo(a) estranho(a) que faz de tudo para maximizar uma função de utilidade pindérica, resultado duma simplificação teórica ainda mais triste que a própria criatura, que se traduz em algo tão absurdo como reduzir as variantes do apetite humano a uma espécie de bulimia crónica com fixação em Big Mac's.

E não é que eu consegui uma foto deste bicho raro? Ora vejam acima.


Aí está ele: é o "consumidor racional" ! Agarrem-no! Agarrem-no!

Confusion de confusiones!


É o título de um livro da autoria do espanhol Josseph Penso de la Vega, publicado em Amsterdão em 1688. Também é o título duma crónica habitual do professor João Duque, mas isso agora não interessa nada.

O livro consiste numa série de diálogos entre um filósofo, um comerciante e um accionista; reputadamente, trata-se de uma das primeiras tentativas para descrever os diferentes tipos de operações financeiras na Amsterdam Beurs, a primeira bolsa de valores a introduzir o mercado contínuo e uma vasta série de instrumentos financeiros sofisticados logo no século XVII.

Vem desta vez o título a propósito da confusão que reinou - e se arrasta - em torno das listas do PSD. De Marcelo Rebelo de Sousa, que se reconheceu "inesperadamente desiludido", a Francisco Moita Flores, que já admite poder votar PS, passando por Luís Filipe Lobo Fernandes, pró-reitor da Universidade do Minho que que se desfilia do partido após 20 anos de militância mediante carta aberta onde tece violenta crítica à direcção do partido, Miguel Relvas, Pedro Passos Coelho e muitos outros.

E perante nomes de algum respeito que decidem quebrar o verniz, o que diz a Senhora?

"Fico até sensibilizada com esse facto, nunca vi em relação a nenhum outro partido tanto escrutínio em relação às listas, eu fico orgulhosa com isso, significa que o PSD neste momento é uma verdadeira alternativa."

Qual será o QI desta mulher?

Portugal: evolução do Índice de Desenvolvimento Humano


Irlanda, Espanha, Grécia e Portugal. O resultado talvez já pudesse ser melhor para Portugal mas a evolução nominal que o IDH de Portugal denota entre 1980 e 2006 é até superior à de qualquer um dos outros 3 países. Nem tudo é cinzento, portanto.

O programa do PS


É importante e significativo que o PS disponha de um programa de bases, a cuja consulta pública é possível aceder aqui, no que se pode considerar a versão resumida (16 páginas):
http://www.socrates2009.pt/Conteudos/Noticias/Apresentacao-das-Bases-Programaticas-do-Partido-So/Programa.aspx

E aqui, na versão mais extensa (120 páginas):
http://www.socrates2009.pt/Conteudos/Noticias/Programa-do-Partido-Socialista/Programa_de_Governo_do_PS.aspx

Por lapso, publiquei num post anterior, online durante algumas horas, o link para o programa de 2005 (enorme!), que já agora pode ser consultado aqui (164 páginas):

http://inet.sitepac.pt/PSProgramaEleitoral2005.pdf

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

A retoma já está aí?


Ontem, talvez ansioso por aproveitar notícias menos negativas antes de eleições, o PM terá exibido demasiado entusiasmo, em nossa opinião, com os resultados anunciados pelo INE sobre o andamento do produto no segundo trimestre do ano.

É certo que uma queda homóloga de menos 0,3% pode sinalizar um começo de inversão da coisa económica, mas daí a extrapolar crescimentos ou relações de causa-efeito inequívocas entre esse pequeníssimo sinal - que pode dever-se a tantos factores, incluindo ao erro associado à medida - e as medidas tomadas pelo Governo é qualquer coisa que deixa qualquer português que tenha respeito à verdade dos factos permeado de cepticismo e surpresa.

Compreende-se que a contenda seja pesada, dura, feia e poucas vezes justa, e que é melhor ler factos, ainda que pequenos, do que inventá-los, mas ainda assim... em termos económicos raramente alguém retira duma pequena evolução em cadeia sinais substanciais, é sempre a comparação homóloga que retrata mais fielmente a situação, e essa mostra uma evolução ainda muito negativa.

A notícia, do INE, era a que abaixo se regista:
"A Estimativa Rápida do Produto Interno Bruto (PIB) aponta para uma diminuição de 3,7% em volume no 2º trimestre de 2009 face ao período homólogo, o que compara com a variação de - 3,9% registada no trimestre anterior. O PIB no 2º trimestre de 2009 terá registado uma variação de +0,3% face ao trimestre precedente. A contracção em termos homólogos do PIB no 2º trimestre, à semelhança do que já se tinha verificado no trimestre anterior, esteve fundamentalmente associada à redução acentuada das Exportações de Bens e Serviços, do Investimento e, em menor grau, das Despesas de Consumo Final das Famílias."

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

"Prometam só o que podem cumprir"

Esta última série de cartazes da Senhora, é do "arco da velha"...

A campanha segue a linha da castidade histérica que já deixou de ser surpresa.

Será isto "a Verdade" a que temos direito?

Por falar em "Prometer apenas o que se pode cumprir", ou em frases como "Portugal não pode ficar hipotecado", psudo-silogismos dirigidos à crudelidade fácil, é preciso olhar ao que este partido nos tem oferecido também ao nível do poder local.

Por exemplo, em 2007, 12 municípios foram sancionados com uma redução de 10% do Fundo de Equilíbrio Financeiro, por endividamento excessivo.

Desses 12, nada menos do que 8 eram municípios administrados pelo PSD. Ou seja, 2/3 dos municípios com endividamento excessivo eram da escola desta Senhora, dos arautos da boa moral e dos bons costumes, das privatizações das "correntes de ar" e... da austeridade!

Ansião (PSD) - excesso de endividamento 1.269.956,46 euros.

Castelo de Paiva (PSD) - Excesso endividamento 1.082.085,26 euros.

Fornos de Algodres (PSD) - Excesso endividamento 3.064.311,31 euros.

Mondim de Basto (PSD) - Excesso endividamento 496.031,67 euros.

Santarém (independente/PSD) - Excesso endividamento 3.806.923,61 euros.

São Pedro do Sul (PSD) - Excesso endividamento 1.561.700,13 euros.

Vila Nova de Gaia (PSD) - Excesso endividamento 11.929.661,12 euros.

Vouzela (PSD) - Excesso endividamento 740.905,41 euros.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Primeiro Ministro à carga!



Fica o essencial do recente artigo de opinião de um PM em campanha:

"(...) a única coisa que vemos do lado da Oposição é a insistência na velha lógica de coligação negativa, em que forças políticas de sinal contrário, como a direita conservadora e a esquerda radical, convergem no objectivo comum de atacar o PS e dizer mal de tudo o que se tenta fazer para melhorar o País."

"Quanto ao futuro, nada parecem ter para dizer aos portugueses. E é preciso notar que se o PS apresenta um programa, a direita esconde o seu."

" De facto, enquanto o PS lança as ideias políticas que marcam o debate, na direita reina o vazio: não tem ideias nem alternativa para apresentar e, mais grave ainda, tenta agora esconder dos eleitores as ideias que antes apresentou e defendeu, como as que contestaram o aumento do salário mínimo ou as que poriam em causa a universalidade e tendencial gratuitidade do Serviço Nacional de Saúde, bem como a própria matriz pública do nosso sistema de segurança social, que garante as pensões e as reformas dos portugueses."

"Bem vistas as coisas, a direita só fala do futuro para dizer que tem medo do dia de amanhã. Medo: não apela ao melhor mas ao pior de nós. A sua mensagem é triste e miserabilista. Não adianta fazer nada a não ser esperar pacientemente por melhores dias. Pois eu acho que esta atitude paralisante, herdeira de um certo espírito do salazarismo, faz mal ao País e não nos deixa andar para a frente."

"Pelo contrário, acho que o primeiro dever de quem governa é ter uma visão do futuro do País e a determinação de impulsionar as reformas modernizadoras que são necessárias para servir o interesse geral."

"Desde a célebre Grande Depressão, que se seguiu à crise de 1929, todos os economistas que resistem à cegueira ideológica sabem a resposta: o investimento público. Por isso, a generalidade dos países europeus e das economias desenvolvidas, incluindo os Estados Unidos da América de Obama, decidiram enfrentar a crise lançando programas de reforço do investimento público."

"A nossa direita, pelo contrário, ao arrepio do que se vê pelo Mundo fora, permanece apegada aos seus preconceitos ideológicos e acha que o Estado não deve fazer tanto para ajudar a economia a vencer a crise e para salvaguardar o emprego. A sua proposta é, por isso, simples e recorrente: cortar no investimento público. Mas esta é também uma proposta errada. É preciso dizê-lo de forma clara: cortar no investimento público modernizador, como propõe a direita, seria um grave erro estratégico, que prejudicaria seriamente o relançamento da economia, atiraria muito mais empresas para a falência e bloquearia a recuperação do emprego. "

"A direita insiste no recuo do Estado Social, para a condição de Estado mínimo ou, como dizem agora, Estado "imprescindível". "

"Mas, tendo em conta as propostas apresentadas pela direita ao longo desta legislatura, a ambição que agora se desenha é outra: privatização parcial da segurança social, fim da tendencial gratuitidade do Serviço Nacional de Saúde e pagamento dos próprios serviços de saúde pelas classes médias, privatização de serviços públicos fora das áreas de soberania."

"Porventura é mesmo essa a questão decisiva destas eleições: rasgar as políticas sociais, ou reforço do Estado social. Uma vez mais: ou o PS ou a direita."

"E que não haja ilusões: para Portugal, a alternativa real é entre o PS ser chamado de novo a formar Governo ou regressar a um Governo de direita."

Não existem escolhas perfeitas nem isentas de erro, existem tão simplesmemente escolhas. E como diria Winston S. Churchill: "We shall never surrender!".

MFL não comenta "ataques políticos" (mas espera resposta aos dela!). Não só é triste como preocupante: quem cala consente...?

Raul Solnado



Singelo tributo a um dos homens que soube ensinar parte dos portugueses a dar a volta por cima, a rir.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

71ª Volta a Portugal: e nós Pimba!

Tinha algumas esperanças, mas pelos vistos ainda não foi desta que a organização da Volta e, já agora, a RTP, conseguiram sair definitivamente dum certo "registo de contexto" em torno de um desporto que merecia mais dignidade e atenção.

Tenho algumas saudades da forma como a Volta era tratada há 20 ou mais anos... Outra questão que me coloco é porquê realizá-la sempre numa altura tão quente do ano, quando talvez assim se afastem alguns corredores estrangeiros que lhe poderiam dar melhor visibilidade?

No entanto, boa nota positiva para o site, ainda que apenas disponível em português: http://www.volta-portugal.com/

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

EUA: Igreja Católica a favor dos cuidados de saúde universais


cartoon de David Horsey/Seattle Post-Intelligence

Agora é que os aduladores portugueses de Bush (ultimamente na toca) vão ficar baralhados... Ora leiam:

"WASHINGTON, quinta-feira, 23 de julho de 2009 - A Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos exortou os legisladores a reformar o sistema de saúde para proporcionar uma assistência acessível a todos, e respeitosa para com a vida humana.

Os bispos realizaram o pedido através de uma carta dirigida aos congressistas norte-americanos com data de 17 de julho e assinada pelo presidente do Comité para a Justiça Interna e o Desenvolvimento Humano, o bispo William Murphy da diocese de Rockville Centre (Nova Iorque).

A carta pede uma “política de saúde realmente universal e que respeite a vida e a dignidade humana”. Também “o acesso para todos, com uma especial preocupação pelos pobres e pela inclusão dos imigrantes em situação regular”.

O acesso a uma assistência à saúde de qualidade “não deve depender do nível de vida, do facto dos pais trabalharem, do que ganhem, de onde se viva ou de onde se tenha nascido”, afirmam.

“A Conferência Episcopal acredita que a reforma do sistema de saúde deve ser realmente universal e realmente acessível”, diz a carta."

Aparentemente!


O hino podia ser o da conhecida letra dos GNR, aplicava-se que nem ginjas a este PSD. E porque sou um tipo generoso e até brincalhão (tenho dias), sugiro-lhes um novo logotipo mais directo e menos inconspícuo. A sigla quer dizer Partido Nacional Liberal, e seria útil a uma política de "Verdade". Verdade verdadinha.


Adoro o campo as arvores e as flores / Jarros e perpétuos amores /Que fiquem perto da esplanada de um bar / Pássaros estúpidos a esvoaçar / Adoro as pulgas dos cães / Todos os bichos do mato / O riso das crianças dos outros / Cágados de pernas para o ar / Efectivamente escuto as conversas /Importantes ou ambíguas /Aparentemente sem moralizar /Adoro as pêgas e os padrastos que passam / Finjo nem reparar / Na atitude tão clara e tão óbvia / De quem anda a engan(t)ar / Adoro esses ratos de esgoto / Que disfarçam ao pilar / Como se fossem mafiosos convictos / Habituados a controlar / Efectivamente gosto de aparência / Imponente ou inequívoca / Aparentemente sem moralizar / Efectivamente gosto de aparência / Aparentemente sem moralizar

Mais vale tarde do que nunca

"O Conselho de Ministros aprovou ontem um decreto-lei que regulamenta o regime fiscal aplicável aos projectos de investimento realizados por empresas portuguesas tendo em vista a internacionalização. "Os benefícios fiscais com vista à internacionalização consistem num crédito de imposto, concedido por via contratual por um período de vigência até cinco anos a contar da conclusão do projecto de investimento e correspondente a 10 por cento das aplicações relevantes", revelou o comunicado do Conselho de Ministros. O Governo acrescentou que há "possibilidade de majoração em função de condições específicas da empresa ou do projecto em causa, designadamente quando se tratar de projectos de investimento promovidos por Pequenas e Médias Empresas (PME)". Em termos ilustrativos, isto significa que se uma empresa investisse 10 mil euros no desenvolvimento de actividades no exterior, e tivesse que pagar dois mil euros de IRC (Imposto sobre o Rendimento Colectivo), graças ao crédito de imposto de 10 por cento agora lançado pelo Ministério das Finanças, acabaria por pagar apenas mil euros. "

Este tipo de medidas de apoio, sem dispêndio de verbas, potencialmente menos burocráticas e mais ágeis porque menos intermediarizadas pelo Estado, são sempre bem-vindas.

71ª Volta a Portugal

Será desta que a organização da Volta se decide por fazer um bom marketing de Portugal e abandonar a pimbalhada de que se tem envolto ou deixado envolver no passado recente?

Esperemos que sim, porque é dos poucos eventos de que ainda se pode recorrer com consistência para promover internamente e externamente a imagem e o melhor que podemos fazer neste país.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O "programa" do PSD

cartoon de Felizardo

Como já esperava - e temia - esta primeira aproximação a "programa" do PSD é parecido com ar e vento, muito de pouco e pouco de coisa nenhuma. Nach und Nebel, noite e nevoeiro...
É o cúmulo a que chegou a encriptação das opções políticas de uma direita conservadora e dogmática.

Reproduzo e interpreto esta espécie de "programa":
  • "Economia. Criar condições para aumentar o emprego e para melhorar a competitividade das empresas são os nossos objectivos centrais. Recuperar a competitividade, retomar o crescimento e a convergência com o pelotão da frente da União Europeia são premissas não só para atingir aqueles objectivos, como para pôr em prática estas nossas políticas.

Nós sabemos o que significa "criar condições para aumentar o emprego"... na gíria do PSD que conheço, significará provavelmente ampliar a liberalização dos despedimentos, permitir legalmente as revisões salariais em baixa, a redução dos descontos para a segurança social, o aumento do número mínimo de horas de trabalho semanais, o provável regresso do trabalho aos Sábados, e a desoneração social diversificada das empresas.

Adivinha-se que isso não funcionará num país com um tecido social tão débil como o de Portugal. Esse caminho, na linha do neoliberalismo Americano, já provou as suas falhas com clamoroso estrondo (na Irlanda, para não irmos mais longe); num país como o nosso poderá levar facilmente ao agravamento das condições sociais, da instabilidade e do medo, o que por seu turno ocasionará o agravamento da queda da procura, do consumo e, por conseguinte, colocará ainda mais em risco a procura interna e a própria economia. Preparem-se: vamos apanhar com a saga do discurso "da tanga". E isso poderá levar à definitiva "mexicanização" do país.

Quanto à vaga intenção (velha, gasta e ouso acusar, falsa) de nos transportar ao "pelotão da frente da UE", sabemos todos, pelo menos os que ainda não sofrem de Alzheimer, que se trata de uma expressão saudosamente Cavaquista, hoje completamente alienada de viabilidade imediata, e da verdade dos factos plausíveis a que se possa propor qualquer candidatura séria, democrática, para 4 anos de governação.

  • "As Questões Sociais e a Solidariedade. Aumentar a coesão social – que passa também por uma maior acessibilidade aos serviços de saúde – é fundamental, a par da necessidade imperiosa de se acudir aos problemas mais prementes da pobreza e das desigualdades. Prioritárias são as pessoas. Não nos serve um desenvolvimento que não se alicerce no bem-estar social. "

Tendo em vista a interpretação da linha de acção provável na Economia e à luz do que tem sido o discurso político de alguns responsáveis visíveis (outros ocultos...) do PSD, diria que o eixo anterior será pouco mais que uma miragem, quando não uma patetice. Mas mergulhando mais um pouco no cinismo opaco duma parte deste actual PSD, creio que "uma maior acessibilidade aos serviços de saúde" signifique tão somente reforçar uma crescente oferta de serviços privados, caros, inacessíveis à maioria da população (ainda que inicialmente e para disfarçar, talvez não), vendendo-os politicamente aos portugueses como a "complementaridade necessária" à correcção dos muitos defeitos do Serviço Nacional de Saúde que, como se adivinha, se apostarão em empobrecer alegre e discretamente.

  • Justiça e Segurança. Recuperar a confiança no sistema judicial e garantir a sua eficácia é uma das metas do PSD para a próxima legislatura. Trata-se de um investimento decisivo, sob pena de todo o tecido social e económico se esboroar. A justiça é o primeiro pilar da garantia e defesa das liberdades. Na segurança é fundamental o reforço da autoridade do Estado, uma efectiva política de prevenção e a melhoria da coordenação dos meios de combate à criminalidade. Sem segurança não há liberdade.

Mais um eixo de acção e mais um enorme lugar comum. "Trata-se de um investimento decisivo", dizem estas laranjas... pois mas... qual investimento? Será um cheque em branco? Em que vão investir, exactamente? Nós sabemos, se se lembrarem, o que significa o reforço da autoridade para o PSD: por exemplo, cargas policiais com recurso ao abuso da força, como assistimos em tempos na ponte 25 de Abril, às ordens do ex-conselheiro de Estado, o caríssimo Dr. Dias Loureiro; ou, até, a polícias contra polícias, expoente significativo dos tradicionais jogos de poder à direita, que parecem recorrer invariavelmente ao dividir para reinar, mesmo no seio da própria autoridade, como nessa altura se viu.

  • "Educação. A educação é a base do livre desenvolvimento da pessoa, o alicerce de todo o nosso desenvolvimento económico, social e cultural. O combate ao facilitismo e a recuperação do prestígio dos professores serão linhas mestras do nosso programa de acção."

Repare-se na subtileza: "a educação é a base do livre desenvolvimento da pessoa"; isto parte das mesmas pessoas que vêem defendendo o cheque-ensino. Leio nisto mais uma expressão da intenção oculta de privatização progressiva da Educação, escondendo-a por detrás do agora gasto slogan neoliberal da "liberdade de escolha". "Liberdade" de escolha para quem tem dinheiro, evidentemente. Já para todos os outros... ficarão o ensino de segunda e terceira categorias, assente no que restar das futuras ruínas dum moribundo Ensino Público. Nessa altura os "Exames Nacionais" poderão então voltar a distinguir "o trigo do joio" isolando os filhos da classe média - que se adivinha se pretenda extinguir progressivamente - da Universidade, como nos tempos da "outra senhora".

Como diz um amigo meu, entrámos numa época em que podemos concorrer a eleições à custa de uma qualquer imagem de seriedade desprovida de fundamento, sem qualquer ideia ou programa: "Votem em mim, eu sou sério!".

Haja vergonha.

domingo, 19 de julho de 2009

Caritas in Veritate: uma lição para a CIP


Bento XVI, apesar de líder de uma instituição compreensivelmente conservadora, parece decididamente progressista ao pé de personagens como Manuela F. Leite (MFL), ou mesmo revolucionário ao pé de outras como F. van Zeller.

Tive oportunidade de ler a pequena crónica de MFL a propósito desta nova encíclica Papal, publicada pelo Expresso no passado 11 de Julho.

Como de costume, MFL mostrou-se mais preocupada em tentar passar uma aparente e superficial compreensão do tema, do que em contribuir para uma muito necessária transposição portuguesa da mensagem explícita do Papa.

Ficou-me da leitura da sua crónica meio-amorfa uma vaga impressão de que MFL terá chegado a horas à mesa, revelando-se porém incapaz de saborear a sopa com alegria; parecia antes fingir engoli-la apressadamente, para a regurgitar adulterada noutra ocasião.

Há contudo pelo menos três pontos importantes na Caritas in Veritate que não é demais frisar, ainda que tenham sido menos merecedores da reflexão de MFL (ela optou por focar a necessidade por "novos estilos de vida"...):

O primeiro, sendo um lugar comum, não deixa de ser importante: o texto propõe que o principal capital a ser salvaguardado e valorizado seja a pessoa humana na sua integridade, vendo o Homem como o autor, o centro e o fim de toda vida económica e empresarial. Por outras palavras, a economia deve estar ao serviço do Homem, e não ao contrário; a economia enquanto meio, e não como fim.

Um segundo ponto foca directamente as questões de falta de ética que o modelo económico actual não anula e antes promove, por intermédio de abusos individuais e institucionais que vinham sendo cada vez mais tolerados. Por outras palavras, é urgente a regulação do colectivo sobre certas partes da economia, q.b., e uma justiça social mais equilibrada e envolvendo todos, empresas incluídas, para além dos "mínimos éticos".

Por último, a encíclica alude ainda directamente ao progressivo distanciamento humano entre os chefes de empresa e aqueles que para si trabalham, naquilo que constituí uma alienação desumana e perigosa. Afirma que “É fácil desvincularem-se quando não têm um contacto diário com as equipas de colaboradores e se esquecem que o capital humano é formado por pessoas com nome e apelido, com aspirações, potencialidades, famílias e sonhos e cuja contribuição para o seu trabalho diário é único e valioso. Para que uma empresa seja altamente produtiva, tem que ser também plenamente humana e socialmente responsável”.

De volta à realidade, atente-se no recente e mau exemplo da CIP, quando se pronunciou a propósito dos problemas levantados por uma eventual pandemia de gripe. Foi sobretudo a forma literal e radical como colocou a questão, ingnorando propositadamente a Lei, mas sem que se notasse a mínima preocupação de chegar a um compromisso socialmente justo com o Governo, que revelou a falsidade da sua "responsabilidade social".

Portugal no banco dos réus

Que se paguem mais impostos do que na maioria dos países da UE para comprar um automóvel utilitário - quase um bem de primeira necessidade num país onde as redes de transportes públicos funcionam ainda como se sabe - é um perfeito absurdo, uma injustiça social e um claro abuso continuado do poder de soberania... Passou uma década sem que nenhum Governo entendesse prioritário resolver este problema satisfatoriamente.

Falou em responsabilidade social?


Os resultados provisórios do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC) do Instituto Nacional de Estatística (INE) realizado em 2008 revelou que se considerássemos apenas os rendimentos do trabalho, de capital e transferências privadas, “41% da população residente em Portugal estaria em risco de pobreza”, em vez dos 18% actuais.

Num momento em que é sabido que alguns neoliberais se dedicam à discussão da "responsabilidade social", era bom que respondessem o que seria desses 41% de portugueses sem um estado social. Ou será que as suas conferências e seminários não passam de re-edições de feiras de vaidades?

AIG em conversações com Obama


A seguradora AIG esteve esta semana em contacto com a Casa Branca. O assunto de conversa foi a nova onda de bónus que a empresa se preparava para pagar aos seus executivos de topo. Eram 250 milhões de dólares (37 milhões de contos na moeda antiga, ou cerca de 185 milhões de Euros).

Ground Zero, Africa


"No business wants to invest in a place where the government skims 20 percent off the top, or the head of the port authority is corrupt. No person wants to live in a society where the rule of law gives way to the rule of brutality and bribery. That is not democracy, that is tyranny, and now is the time for it to end."


Barack Obama

sábado, 11 de julho de 2009

"Leão" Alegre ao combate, finalmente!


Passe a repetição, mas porque me parece crucial difundir, escolho a selecção de passagens do Carlos Santos (http://ovalordasideias.blogspot.com/) a propósito da crónica de Alegre publicada pelo Expresso.


"As próximas eleições serão marcadas por uma ofensiva ideológica da direita. O que está em causa é o consenso constitucional aprovado por larga maioria (incluindo o PSD) sobre os direitos sociais (escola pública, universalidade do acesso à saúde, segurança social pública). A líder do PSD anuncia o fim de um ciclo e de uma concepção de democracia em que direitos políticos e direitos sociais eram considerados inseparáveis. Com o absurdo de o PSD partir para as eleições com a bandeira da ideologia que está na origem da actual crise mundial. Sabem-se os objectivos: papel do Estado, protecção social, direito do trabalho.
Os resultados desta receita estão à vista em toda a parte: desregulação do mercado entregue a si mesmo, busca sem freio do lucro pelo lucro com total indiferença pelos custos sociais, ausência de ética e transparência. Na hora do colapso do neoliberalismo, MFL faz o discurso ultraliberal do Estado mínimo. À força de tanto querer rasgar, acabará por rasgar o horizonte social do 25 de Abril, consagrado na Constituição.
(...)
Seria preciso que os socialistas acordassem do seu torpor (...) e que as outras forças de esquerda, sem abdicarem da posições próprias definissem com clareza o adversário principal, e se interrogassem sobre as eventuais consequências de um eventual governo de MFL. Se MFL governar o povo da esquerda será o principal perdedor, independentemente da votação nos partidos que dele se reclamam.


Dir-me-ão que a maioria do PS não governou à esquerda. Eu também gostaria que tivesse governado de outra maneira. Mas também sei que uma maioria de direita jamais deixaria passar o referendo sobre a IVG e a lei do divórcio. Sei que com o governo de MFL o SNS será praticamente desmantelado e o papel do Estado, como ela já afirmou, "reduzido ao mínimo indispensável.
(...)
Para que um dia destes não estejamos a perguntar-nos (...) como é que um país maioritariamente de esquerda pode acabar uma vez mais a ser governado pela direita?"

Frases para a nossa memória


A 12 de Maio passado, afirmava Cavaco que: "A economia de mercado é a melhor via para somar a liberdade ao progresso económico."


Seja, mas há vários pressupostos axiomáticos nesta afirmação, mesmo se a escutamos de boa fé:


O primeiro é o de que vivamos numa democracia de qualidade; sem democracia não está provado que a economia de mercado seja socialmente eficiente, antes o contrário. E a verdade é que a nossa democracia é ainda manca: na justiça, na autonomia e na estabilidade das diversas instituições que deveriam equilibrar civilizadamente o poder, na profissionalização da administração pública, ou na transparência e objectividade de um largo número de órgãos de soberania.


O segundo é o de que a economia esteja ao serviço da sociedade de forma razoavelmente equitativa; para isso seria necessária a regulação de facto da sua actividade. A economia de mercado não é um fim, é apenas um dos meios, e nem sequer é necessariamente o mais importante desses meios.


Finalmente, o terceiro, é o de que haja um mercado eficiente; um mercado define-se pela existência de um número de agentes suficiente quer do lado da procura como, também, do lado da oferta. Todos sabemos que no nosso país, em vários sectores económicos, o mercado será tudo menos algo muito eficiente...

Cavaco foi omisso, incompleto, aparentemente mais preocupado com a manutenção do statu quo do que com a reflexão que, também ele, mais cedo ou mais tarde terá de fazer.

Conheça o seu perfil político

Conheça o seu perfil político e ajude esta investigação:

http://www.euprofiler.eu/language/engl/

Yes we Can, III



O exemplo deve partir de cima. O recente tratado EUA - Rússia, que substitui o acordo START, vem promover um novo esforço de redução do arsenal nuclear das duas potências, desarmando parcialmente uma acrimónia crescente entre a América/UE e a Rússia, que a ex-administração Bush parece ter a certa altura decido patrocinar.

Seá apenas um início, mas o caminho faz-se andando...

Yes we Can, II

No passado 4 de Junho o presidente Obama lançou um apelo de convergência civilizado entre o mundo Árabe e o mundo Ocidental, afirmando que a América e o Islão partilham de princípios comuns de justiça, progresso, tolerância e dignidade humana.

Numa acção sem precedentes, Obama endereçou também o Irão e, ainda que a sua comunicação tenha sido censurada nesse país, a prazo haveremos de ver os seus frutos.

Com isto, o novo presidente em funções reconhece a importância do diálogo entre os povos e começa a apagar os nefastos efeitos de acrimónia gerados da concepção "pré-histórica" de um "eixo do mal".

A "marreta" é sempre a opção de último recurso.

Yes we Can!


Depois de quase uma década Americana de atraso e negação das causas e efeitos dos fenómenos relacionados com o aquecimento global, eis que agora, tudo começa a mudar, finalmente!


Momento Delicious


Para mais tarde recordar (in JNegócios de 30 de Junho):

"Em declarações ao jornal "i", a publicar na edição desta terça-feira, o actual presidente do Conselho de Administração da Portugal Telecom critica Manuela Ferreira Leite relembrando um caso que o envolveu a ele, quando era administrador da Lusomundo Media (então no grupo PT) e a então ministra das Finanças do Governo PSD.

"Já parecem esquecidas as tentativas de intervenção do governo PSD na Lusomundo Media que levaram à minha demissão", afirma ao "i", revelando que foram pressões políticas que o afastaram da empresa.

Granadeiro indigna-se ainda com a surpresa da presidente do PSD, afirmando que foi Manuela Ferreira Leite que, como ministra das Finanças, obrigou a Portugal Telecom a comprar a rede fixa (que era do Estado) para dessa forma realizar receitas extraordinárias que equilibrassem o défice orçamental."

Os combustíveis mais caros antes de impostos!



Agradeçam aos ex-governos PSD o facto de terem liberalizado o mercado da distribuição de combustíveis sem ter promovido, primeiro, o desenvolvimento de um mercado concorrencial (e se isso não foi uma de neoliberal, então o que será?).

O resultado é este: pagamos, segundo estudo do JN, os combustíveis mais caros da Europa (a 27!), antes de impostos.

Deixem-me repetir: antes de impostos!... os preços mais elevados de entre 27 países!

Ferreira de Oliveira, quase ao mesmo tempo em que se tornava pública esta verdade inconveniente, veio tentar serenar as águas com alusões a expectativas de baixas de preços no curto prazo.
O que me veio imediatamente à cabeça foi a imagem daquele tristemente célebre ministro Iraquiano da propaganda...

A castidade histérica do PSD


Afirmava Fernando Sobral (in Jornal de Negócios, 8 de Julho) que:
"O PSD tem um tabu de que ninguém quer falar. É um mistério simples, daqueles que não precisam do génio de Sherlock Holmes para o decifrar: se ganhar as eleições, o que fará? Não é que isto seja fundamental, porque o País está habituado...
Mas o problema é que, nos últimos dias, já escutámos duas versões diferentes sobre o que o PSD pensa do que fez o PS. Manuela Ferreira Leite já ameaçou que rasgava tudo o que o PS pôs em papel. António Borges, num gesto mais bondoso, afirmou que o PSD não iria riscar tudo o que foi feito. Entre rasgar e não riscar tudo há, claro, um fosso.
Para lá desta pequena confusão estratégica, que demonstra algum desencontro nos corredores do local onde se encontra a liderança do partido, começamos a ter a noção de que o PSD se está a aproximar aos trambolhões do poder. O PSD pode considerar que basta não se mexer, e o PS continuar a fazer trapalhadas, para que o poder lhe caia nas mãos. Mas isso não ilude o essencial: para ser poder, o PSD precisa de precisar o que quer fazer. Não basta dizer que é contra o TGV. É preciso que explique claramente qual é a sua opção económica, política e social. Coisa que, aparentemente, não sabe.
O PSD tem, neste momento, um conjunto de ideias do que não quer. Mas ainda não sabe o que quer. É um projecto temível para apresentar ao eleitorado: pedir-lhes que troquem o caos organizado existente pela anarquia desorganizada do PSD. Entre estas opções, o País desfalece."
Desta conversa do Fernando Sobral (F.S.), retenho alguns apontamentos:
1 - A admissão de que o PSD se está a aproximar do poder "aos trambolhões", ou seja, seguindo a tradicional receita Lusa que tem precedido os maiores desastres da nossa história.
2 - A certa altura F.S. parece querer afirmar, sem se perceber que esteja a usar de ironia, que a ausência de um programa governativo do PSD não é tão grave quanto isso. Como é possível querer branquear a ausência de um programa governativo do PSD, a meros dois meses de eleições?
3 - F.S. afirma ainda que o PSD sabe sobretudo o que não quer. Pessoalmente, já nem nisso acredito! Basta olhar às evidências do que tem sido o comportamento do partido nos últimos 7 anos, para não ir mais longe.

Despudoradamente Absurdos



Pela segunda vez desde o auxílio do Governo norte-americano face à sua situação financeira desesperada, e apenas 4 meses após um primeiro escândalo, a AIG prepara-se para dar renovado mau exemplo de governação privada.

Com efeito, soube-se na passada sexta-feira (11 de Julho 2009) que a AIG se preparava para entregar mais uns quantos milhões de dólares (dos contribuintes norte-americanos) a meia dúzia dos seus executivos.

Viva a incompetência, o falhanço, a estupidez!

Sobre a condenação da ERC ao Jornal da Noite da TVI


Regulação, ou condicionamento?

Os membros do Conselho Regulador concluiram na altura que era seu dever “instar a TVI a cumprir de forma mais rigorosa o dever de rigor e isenção jornalísticas, aqui se incluindo, nomeadamente, o dever de demarcar ‘claramente os factos da opinião’ (artigo 14.º, n.º 1, alínea a) do Estatuto do Jornalista”.

Esta advertência algo rara - que pecará talvez por defeito de abrangência - suscita algum interesse, mas não posso deixar de pensar que dificilmente se tratará de mera coincidência.
A não ser coincidência sinto algum pesar, porque falta em Portugal mais isenção e autonomia política de facto nas instituições reguladoras. "Bem prega Frei Tomás"?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O homem de quem se fala



Em tantos séculos de história nacional, nunca um português foi um dia tão bem recebido fora da sua terra, ou tão falado no mundo. Seja o que for que venha a seguir, Cristiano Ronaldo conquistou um lugar definitivo na história do futebol e para a história desportiva do seu país.

Forças de Bloqueio: regresso ao passado?

Quando Soares vetava algumas iniciativas legislativas governamentais de Cavaco recordo-me da enorme polémica e arrastar de "tabus", "forças de bloqueio" e quejandos pela imprensa nacional.

Agora, o actual Presidente da nossa querida República, Cavaco, parece apostado não só em entrar para o Guiness dos vetos como em fazer gala de se furtar a explicações públicas que fundamentem as suas razões de forma a que qualquer português entenda.

Primeiro foi a obscura questão dos Açores - que deu o tom para o que temos vindo a assistir - agora, os segredos de Estado (talvez mais grave, porque se trata de uma área que é urgente reformar).

Nada temos contra o exercer do direito de veto da Presidência da Républica. No entanto, num país "normal", seria exigido que explicasse de forma mais clara as suas razões.

Afinal, o que quer o Presidente dizer com:

"Sem prejuízo do mérito de algumas alterações agora adoptadas, o diploma em apreço contém soluções normativas que se afiguram graves para uma salutar articulação entre órgãos de soberania e para a interdependência dos poderes do Estado, bem como para a própria salvaguarda dos interesses que o segredo de Estado visa proteger, contemplando mesmo formas não admissíveis de condicionamento ou de contrição do exercício dos poderes dos vários órgãos de soberania" ?

Se não começa a explicar-se melhor dir-se-á em menos de nada que "Veta, para que Exista"...

O manifesto dos 52, ou contra manifesto Nº1


Porque em democracia existe o direito ao contraditório, pode começar a ler-se sobre a primeira reacção ao manifesto dos 28 na "i":

O manifesto dos 28


De tudo o que tenho visto, ouvido e lido sobre o manifesto dos 28 retenho sobretudo a perspectiva que sobre ele tem Henrique Neto, quando afirma em resposta a Rui Tavares o seguinte:


"A razão principal porque não concordo com muitas das obras previstas é por serem mais obra pública desligadas de qualquer estratégia integrada de desenvolvimento. Pior, desligadas entre si, planeadas e justificadas de forma avulsa. "


Neto percebeu o nó górdio da questão sendo que isso não anula o timing da intervenção dos 28, que peca por tardia e se presta a demasiadas manipulações politiqueiras, nem o facto de se continuar a notar nalguns dos signatários a ausência de qualquer ideia sobre o que possa ser essa tal estratégia integrada de desenvolvimento.

Contradições neoliberais


A variante mais "selvagem" do capitalismo, defendida pelos neoliberais, está pejada de contradições completamente absurdas:


- Defende o mérito, mas é falha na sua avaliação concreta

- Promove a ascensão social através do trabalho, mas cultiva a estratificação social

- Propagandeia valores, mas não se importa com o dumping social Chinês ou Indiano

- Exige lealdade, mas pouco se importa quando gera desemprego e instabilidade social

- Defende a flexibilidade, mas é avessa a praticamente todas as formas de regulação social

- Baseia-se a priori na eficiência da gestão, ao mesmo tempo que defende pára-quedas dourados

- É contra (quase) todas as formas de Estado, excepto quando precisa dele desesperadamente

- Abusa da palavra inovação, ao mesmo tempo que olha com desdém a actividade intelectual

- Pretende moldar o público ao seu gosto, mas nem sempre convive bem com a democracia

- É a favor da liberdade de expressão, desde que não haja manifestações contra as suas negociatas

- É a favor da concorrência, mas esforça-se sobretudo para consolidar monopólios

- Afirma-se como um garante da liberdade de escolha, se for ela a definir essa escolha

- Queixa-se da qualidade da educação, ao mesmo tempo que pugna pelo efectivo isolamento de quem não a pode pagar

- Quer discernimento nas famílias, mas é a primeira a procurar os beneficios do seu endividamento

- Quer famílias maiores e fortes, mas exige que caminhemos para semanas de trabalho de 65 horas ou mais
...


Sempre que entra pelo abuso e pela destruição de valor social, o mercado não tem razões para existir e mina os fundamentos da sua própria continuidade libertária.

domingo, 5 de julho de 2009

Cortinas de fumo


Apreciei a retirada apressada dos sectores "rigoristas sociais-democratas" na sequência da refrega do caso PT - TVI.
Terminada a troca de insinuações podemos agora contemplar que a Senhora, afinal, dificilmente poderia ter tido "a certeza absoluta" que o PM sabia do negócio.
Um tanto divertido, foi ter visto os regimentos dos "rigores", da "moral infalível e dos bons costumes", a debandar desorganizadamente logo que atacados com algum vigor pelos "Granadeiros"...
Foi rísivel a resposta da Senhora ao contra-ataque: qualquer coisa como "se algum Governo de que fiz parte tentou influenciar os meios de comunicação social, fez mal".
E pronto, ela pensa que basta afirmá-lo para que tudo lhe seja perdoado e esquecido.
Arrogante, Sócrates?... é relativo.
Como de costume, os portugueses ficaram a saber o mesmo sobre os factos (obrigado, minha Senhora), finda mais uma oca e despropositada novela (em que até - novamente - o Presidente da República participou).
O que o PSD ainda não parece ter percebido é que cada semana passada com mais uma historieta sem nexo, sobretudo sem que apresente cabal proposta programática de alternativa governativa, talvez seja mais nefasta para o país do que alguns dos tais projectos mégalómanos que tanto critíca.
É um desperdício, e é pena. Mais a mais, porque a Senhora já deveria ter reparado que esse tipo de técnicas - tão ao agrado do Grand Old Party americano - já deu o que tinha a dar, felizmente para a humanidade: "quem tem telhados de vidro não atira pedras aos vizinhos".
Ora os vizinhos parecem estar agora bem preparados... portanto, talvez seja altura para a Senhora fazer os seus trabalhos de casa e apresentar de uma vez por todas aos portugueses o seu programa governativo.
Gostava sinceramente de o ler em detalhe, a alguma distância de eleições.

O apoio de Sócrates a Barroso


O apoio de Sócrates a Barroso, que tantos questionaram, tem para mim as seguintes razões de fundo:

1. O acesso a informação priviligiada sobre o que se passa na UE, de forma directa, ainda que por vias informais ou de "contexto".

2. Mitigar os efeitos políticos que uma falta de apoio a essa recondução poderiam ter, caso fosse o Governo português o único a não expressá-lo (Sócrates mostrou estar bem informado...) .

3. A oportunidade para influenciar a condução dos trabalhos da comissão no que se refere às pequenas economias europeias como Portugal, quer por via informal quer por antecipação, colhendo disso benefícios para os negócios estrangeiros da nação.

Por mais que Barroso deixe a desejar, Sócrates mostrou-se pragmático e inteligente, não tomando a árvore pela floresta.

Resta acrescentar que, sendo isto uma tese, vale a pena continuar a seguir os acontecimentos respeitantes a este tema (recondução de Durão Barroso).