sábado, 11 de julho de 2009

Frases para a nossa memória


A 12 de Maio passado, afirmava Cavaco que: "A economia de mercado é a melhor via para somar a liberdade ao progresso económico."


Seja, mas há vários pressupostos axiomáticos nesta afirmação, mesmo se a escutamos de boa fé:


O primeiro é o de que vivamos numa democracia de qualidade; sem democracia não está provado que a economia de mercado seja socialmente eficiente, antes o contrário. E a verdade é que a nossa democracia é ainda manca: na justiça, na autonomia e na estabilidade das diversas instituições que deveriam equilibrar civilizadamente o poder, na profissionalização da administração pública, ou na transparência e objectividade de um largo número de órgãos de soberania.


O segundo é o de que a economia esteja ao serviço da sociedade de forma razoavelmente equitativa; para isso seria necessária a regulação de facto da sua actividade. A economia de mercado não é um fim, é apenas um dos meios, e nem sequer é necessariamente o mais importante desses meios.


Finalmente, o terceiro, é o de que haja um mercado eficiente; um mercado define-se pela existência de um número de agentes suficiente quer do lado da procura como, também, do lado da oferta. Todos sabemos que no nosso país, em vários sectores económicos, o mercado será tudo menos algo muito eficiente...

Cavaco foi omisso, incompleto, aparentemente mais preocupado com a manutenção do statu quo do que com a reflexão que, também ele, mais cedo ou mais tarde terá de fazer.

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