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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Cogumelos Venenosos



São bonitos, não muito caros, e prometem saber bem... o problema é que é por vezes quase impossível distingi-los dos outros, daqueles que matam devagarinho (ou nem por isso...).

Sobre outras intoxicações de alto nível o comunicado abaixo é muito esclarecedor.

"O Conselho Superior de Magistratura informa [de] que o juiz de instrução criminal de Aveiro António Costa Gomes comunicou que é falsa a notícia veiculada pela comunicação social no passado fim de semana, segundo a qual aquele juiz se teria recusado a cumprir a decisão do presidente do Supremo Tribunal de Justiça no âmbito do chamado processo Face Oculta", disse hoje aos jornalistas o vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura (CSM), Ferreira Girão."~

Eu também não acredito nelas, pero que las hay...

sábado, 21 de novembro de 2009

A essência do mal


Marcus Tullius Cicero:
"A forma mais perversa da corrupção é a demagogia. É impossível corromper com dinheiro um homem honrado, mas é possível corrompê-lo com a oratória."

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Mais suspeições...

No curto e sardónico discurso mais marcante da rentrée pós-eleitoral da direita, Manuela Ferreira Leite voltou ao terrorismo político, desta feita em versão parlamentar.

Aplaudida de pé por toda a bancada do PSD, incluindo, lamento apontá-lo, pessoas que deviam saber melhor (como Paulo Mota Pinto), a Senhora voltou à apelar à política de bordel mexicano.

Destaco, entre outros disparates, as soberbas próprias da "dona da verdade":

“cabe, sem sombra de dúvidas, ao senhor primeiro-ministro um esclarecimento" [a propósito das escutas de que foi alvo, cujo teor ignora em detalhe, e que estão supostamente sob segredo de justiça]

“Não é sustentável em nenhum país que haja um primeiro-ministro que esteja sob suspeita. E é esta contribuição que eu gostaria de dar para que o primeiro-ministro ajudasse a eliminar essa suspeição” [que rica contribuição...; sobre o boato que circula em conversas de café sobre alegadas trocas de impressões de Sócrates com Vara acerca do negócio de tomada da TVI pela Prisa, teor que ninguém (?) conhece porque está sob segredo de justiça; teor que nada tem a ver - ainda que seja acertado - com os motivos pelos quais a PJ escutou Vara]

Já que a justiça não ajuda a resolver o problema de forma célere e eficaz, a forma que tinha de resolver o problema era eu própria tomar a iniciativa de esclarecer a opinião pública sobre aquele ponto que a justiça não consegue esclarecer” [o caso veio a lume há pouco mais de 15 dias mas ela já invoca o atraso da Justiça... aparentemente, a velha Senhora quer que Sócrates seja juiz em causa própria ou se sobreponha ao sistema judicial, convidando-o, sibilina e insinuantemente, como as cobras, a que dê o passo em frente para o abismo; claro que ela o faria, mas é exactamente por isso que a Senhora não foi eleita Primeiro-Ministro]

"Não é ficando calado, não é destruindo provas” [Provas, provas de quê? PM sob suspeita? De quem?]

Sobre o motivo insofismável deste convite inquisitorial ao suicídio político por tuta e meia, à promiscuidade institucional, e ao arrepio da separação de poderes, Manuela, a velha Senhora, diz que Socrates deve explicar-se publicamente porque... isto é tema de converseta em todos os cafés e restaurantes, locais públicos, empresas e... "autocarros" (sic).

Portanto, meu caro leitor, se decidir um destes dias lançar um boato sobre o fim do mundo em cuecas e ele por acaso pegar entre a populaça como tema de café e autocarro, apresse-se a pedir a esta prestimosa parlamentar de plantão que exiga que venha a terreiro o Primeiro-Ministro pronunciar-se sobre o dito, se necessário for às cinco da manhã e em pijama!

O lado trágico - ou melhor, sórdido - da insinuação do PSD (já ontem tentada na SIC por Paulo Mota Pinto frente a um António José Seguro que serenamente o demoliu) reside no simples facto de não nos ser credível que a Senhora alguma vez se pudesse pronunciar sobre um qualquer boato sem um mínimo de rigor.

Disso logicamente decorre que a Senhora soubesse algo sobre o que falava, ainda que o tivesse propositadamente distorcido, para atingir um Primeiro-Ministro indefeso (as escutas não estão em seu poder e não paira nenhuma acusação concreta sobre a sua pessoa que tenha a ver com o caso Prisa - TVI).

Quer isto também dizer que para a velha Senhora abrir a boca em uníssono com o seu coro, não se pode aceitar outra tese que não tenha por base o conhecimento prévio, ilegal, do teor de facto de conversas telefónicas entre dois amigos, ainda que sobre o negócio Prisa - TVI.

Uma conversa a dois (entre Vara e Sócrates) sobre um qualquer negócio, dificilmente prefigura um crime.

Por outro lado, discorrer no parlamento - rigorosa ou distorcidamente - sobre o teor de escutas ordenadas pelo Ministério Público, implica a presunção de cumplicidade com uma violação de segredo de Justiça.

E isso sim, meus amigos: é crime! E do grave!

Não é a primeira vez que percebemos que o PSD vasculha - e provavelmente manda pagar - quaisquer petit pieces informativas que visem o Primeiro-Ministro.

No entanto, é a primeira vez que se pode inferir logicamente que existiu cumplicidade do PSD no aproveitamento de uma violação grave de segredo de Justiça.

Na outra hipótese - ou seja, a Senhora não fazer realmente ideia alguma do que estava a falar - então retiraria outra conclusão: não restariam dúvidas de que seria pessoa imbecil e totalmente nula no cumprimento de quaisquer funções de serviço público, incluindo a de tribuna da nação, coisa em que também não acredito (embora pouco falte...).

Em suma, e pegue-se por onde se pegue: esta Senhora e o que lhe subjaz são uma vergonha.

Começo a interrogar-me se os Budistas não terão alguma razão ao acreditar na reincarnação e se esta mulher não será o Tomás de Torquemada pós-moderno...

Respondeu-lhe bem Francisco Assis: “Tentou aproveitar violações - que infelizmente ocorrem, de facto, de maneira sistemática no nosso país - do segredo de justiça para a partir daí fazer insinuações, lançar suspeitas e proferir gravíssimas insinuações de ordem política. E, por isso, eu devolvo-lhe a acusação”.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Era uma vez um jornal...


A asfixia democrática é um fenómeno que ocorre quando assessores presidenciais, provavelmente "bem mandados", são apanhados a plantar notícias baseadas em boatos paranóicos e insidiosos.

Será que é o PSD que organiza escutas?


"enquanto se queixa de suspeitas de 'vigilância' à presidência por parte do governo, fernando lima, na versão do mail publicado no dn, entrega a um jornalista um dossier sobre um adjunto do primeiro-ministro. em qualquer parte do mundo excepto nas partes das pessoas que vivem noutro mundo (e são tantas, aparentemente) esse dossier seria a prova de uma vigilância: a da presidência sobre o governo ou, pelo menos, sobre o gabinete do primeiro ministro. e, como luís delgado lembrou ontem na sic-not, era giro, sei lá, saber que serviços do presidente ou a mando/pedido do presidente fazem dossiers sobre adjuntos governamentais."

uma pergunta legítima e óbvia (excepto para o Público), texto de Fernanda Câncio, in Jugular

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Double Speak - Política de Verdade?

Tenho quase a idade da III República. Não me recordo, desde que me lembro de existir, de viver um clima político e social simultaneamente tão crispado e ausente da esperança; um tempo tão incerto e bipolar de luta entre "luz" e "trevas", em melancólicos tons de cinzento.

Penso porém que assistimos ao último estertor de mentalidades fora de época, poderosas mas decadentes.
Pode ser que a outra senhora governe o próximo mandato; se assim for será provavelmente o seu último em muitos anos a vir - nisso reside, suspeito, a fonte de todo o grande ressabiamento desta época.

Nunca esperei viver, no meu próprio país, realidade tão próxima ao "double speak", a linguagem do regime totalitário imaginado por George Orwell no seu "1984".
É na incerteza dessa convolução, no fumo dessa não-proposta, desse não-futuro por tempo incerto, que reside parte da neurose colectiva em que estamos imersos. Ainda assim haverá vida após um tal mandato.
19 de Setembro, ontem: passou mais uma sexta-feira que deu cabo de qualquer clima civilizado de campanha e debate da coisa pública.
Precisamente o dia em que a mais recente sondagem - e logo da Católica! - mostrou uma vantagem de mais 4 pontos do PS face ao PSD, depois de duas semanas em que a vida tem corrido muito mal à principal oposição - muito por culpa de tiros nos próprios pés - e de Sócrates ter reafirmado uma boa preparação e superioridade política em quase todos os frente a frente.
Para silenciar a ausência de propostas, de conhecimento, de debate dos factos, ideias ou pespectivas, de vontade, de civismo, de justo confronto de valores, de escândalos mais plausíveis como a compra de votos, eis ressuscitada a intriga, que Louçã bem cataloga de "novela mexicana". As "escutas em Belém".

O dia eliminou em mim, por completo e em definitivo, qualquer benefício da dúvida que ainda reservasse relativamente a Aníbal Cavaco Silva. Sou da mesma opinião que João Marcelino [DN de hoje]: "Um PR não se pode prestar a estes papéis [alimentar insinuações sem apresentar fundamento]. Ou tem certezas e age, com coragem; ou não tem certezas, e averigua calado".