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domingo, 18 de abril de 2010

Merkel trama Ratzinger


Perante alguma hesitação de Ratzinger quanto à tomada de medidas concretas face aos sucessivos escândalos relacionados com efebofilia e pedofilia, quem não se fez rogada foi a sua compatriota, a quem designam de "S.Ângela" nalguns meios: sem apelo nem agravo encostou publicamente o Vaticano à parede, obrigando o Papa a uma série de reacções de mea culpa e castigo sem paralelo na história da igreja Católica.

No Reino Unido, alguma opinião pública chegou mesmo a pedir a prisão do Papa caso decidisse aterrar na ilha.

Tempos de oportunidade para reflexão e redenção da Igreja Católica, relativamente à inadequada e deformadora imposição de celibato?

sábado, 31 de outubro de 2009

As perguntas de Saramago

Indiscutivelmente, a forma como Saramago olha o mundo não é fácil. Podemos discordar dela, mas para isso é preciso conhecê-la. É preciso que nos coloquemos a nós próprios as perguntas que nos lança. Saramago, como qualquer escritor maior, é um conversador-pensador que por contingências da vida se foi isolando ou decidiu isolar-se, sem que tenha abdicado de pensar ou de querer aprender.

Gosto de alguns dos seus livros, embora não os ache especialmente originais. "Caim" não é excepção; outras figuras maiores da literatura já se aventuraram nos mesmos mistérios, mesmo sem ter de descer às profundezas do Antigo Testamento. Norman Mailer, por exemplo (para mim, muito acima de Saramago nesta matéria).

Ainda assim, as interrogações de Saramago não devem, nem podem, ser ignoradas. Não penso que a sua intenção tenha sido a de alvejar por prazer ou impulso um conjunto de textos com 2.000 anos. Bem pelo contrário, acho que Saramago presta homenagem à espiritualidade humana, ao desafiá-la a questionar-se mais profundamente sobre a dureza da letra bíblica.


Pode ser que o faça como uma criança, à letra e zangado, ou como alguém disse: "com ingenuidade".

Mas é nessa "ingenuidade" que reside provavelmente a sua proposição artística relativamente ao tema, bem como a origem das suas legítimas questões.