É um "bocadinho" aborrecido constatar que numa altura em que vários blogues de centro esquerda ou até social-democratas podiam optar por contribuir enquanto think tanks para uma renovada discussão sobre o que deve e pode o governo fazer para sair mais rápido desta crise, assistamos antes a uma infrutífera guerra de trincheiras, uma novela sem fim de imbecilidades...
Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: «Fui eu?»
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa
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