Uma semana após a terra ter tremido, o país foi sacudido na madrugada de 23 de Dezembro por ventos entre os 140 Km/h e, nalguns pontos, os 200 Km/h (!!). Fenómeno invulgar - mas cada vez mais recorrente em Portugal - que causou desta vez milhões em prejuízos um pouco por todo o país, sobretudo na região Oeste e Centro.
Entre outras coisas foram derrubadas 22 torres de alta tensão da Rede Eléctrica Nacional que deixaram dezenas de milhares de pessoas sem electricidade durante mais de 24 horas.
Ao mesmo tempo, nevões sucessivos atingiram toda a região de Trás-os-Montes, isolando lugares e impedindo o tráfego rodoviário em várias vias principais durante horas.
Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: «Fui eu?»
Deus sabe, porque o escreveu.
Fernando Pessoa
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